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A febre do ‘Labubu’: descubra as 2 razões que estão fazendo todo mundo falar sobre isso

Descubra por que o brinquedo Labubu conquistou o mundo. Entenda os fatores emocionais e psicológicos por trás da febre!

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro6 min de leitura
Labubu

Nos últimos meses, uma criatura de olhos arregalados, dentes tortos e expressão ambígua tem ganhado destaque nas mochilas de jovens, vitrines de lojas, vídeos de unboxing e até no radar de investidores: o Labubu.

Criado pelo artista Kasing Lung, o personagem começou como uma figura marginal na arte contemporânea asiática, mas rapidamente se transformou em objeto de desejo global. A explosão de popularidade começou quando Lisa, integrante do grupo K-pop BLACKPINK, foi vista com um Labubu pendurado em sua mochila.

Desde então, o brinquedo se transformou em item de culto, com mais de 300 versões diferentes, muitas das quais vendidas em blind boxes — caixas-surpresa que não revelam qual versão você está comprando. Mas o que explica esse fascínio coletivo? Afinal, por que tantos adultos estão gastando centenas de dólares por monstrinhos de vinil?

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Poder da nostalgia: uma ponte emocional com a infância

Labubu
Imagem: Reprodução / POP MART

Reencontro com brinquedos “feios-fofos”

Os Labubus fazem parte de uma longa tradição de brinquedos que desafiam os padrões estéticos convencionais. Assim como os Trolls, Furbies e Cabbage Patch Kids, essas figuras esquisitas — mas cativantes — despertam algo mais profundo que mero gosto visual: nostalgia.

Para muitos adultos, o apelo do Labubu está enraizado em memórias afetivas. Ver um brinquedo como esse é, inconscientemente, reencontrar a inocência e o conforto de tempos mais simples. A familiaridade da “estranheza fofa” é capaz de ativar sentimentos de pertencimento e identidade.

Nostalgia como mecanismo psicológico saudável

Durante muito tempo, a nostalgia foi encarada pela psicologia como uma fuga emocional ou até um sintoma de melancolia. No entanto, pesquisas recentes — como o estudo publicado em 2013 no Social and Personality Psychology Compass — reavaliaram esse fenômeno. Hoje, entende-se que reviver emoções da infância pode melhorar o humor, reduzir a ansiedade e fortalecer o senso de propósito.

Nesse contexto, comprar um Labubu é muito mais do que adquirir um objeto de plástico. Trata-se de um investimento emocional, um pequeno portal de retorno ao passado. Uma forma de reviver — ainda que por um instante — a magia da infância.

Blind boxes: o vício por trás da surpresa

Mecânica da recompensa aleatória

Outro pilar da popularidade dos Labubus é o formato de venda por blind boxes, onde o consumidor compra sem saber qual modelo irá receber. Essa incerteza transforma a experiência de compra em um jogo de sorte — e é aí que mora o perigo.

Esse sistema se baseia na recompensa de razão variável, um mecanismo amplamente estudado em psicologia comportamental. É o mesmo princípio usado em máquinas caça-níqueis e jogos de azar: a imprevisibilidade das recompensas ativa os circuitos de dopamina no cérebro e cria uma sensação viciante.

Comparações com os loot boxes dos jogos eletrônicos

O modelo das blind boxes é muito semelhante aos loot boxes dos games, como os encontrados em FIFA, Overwatch ou Counter-Strike. Nestes, jogadores gastam dinheiro real em pacotes digitais, esperando receber itens raros ou valiosos.

Estudos como o publicado pela New Media & Society em 2021 mostram uma relação direta entre loot boxes e comportamentos compulsivos, especialmente entre jovens. Com os Labubus, a lógica é a mesma: a compra deixa de ser racional e passa a ser impulsionada por um desejo constante de obter o item “ultra-raro”.

Risco do consumo descontrolado

Se comprar uma ou duas blind boxes pode parecer inofensivo, a obsessão por completar coleções ou obter versões raras pode gerar desequilíbrios financeiros e emocionais. A sensação de “quase conseguir” alimenta um ciclo contínuo de frustração e nova tentativa, como em qualquer sistema de aposta.

O fenômeno é agravado pelas redes sociais, onde vídeos de unboxing e exibição de coleções reforçam a ideia de exclusividade e status. O desejo de pertencer a esse universo colecionável pode levar consumidores a exagerar — e gastar muito mais do que deveriam.

Papel das celebridades e da cultura pop

Influência de artistas e do marketing indireto

O marketing por trás do sucesso do Labubu é quase invisível — e extremamente eficaz. A presença do brinquedo com celebridades como Lisa do BLACKPINK funciona como uma validação cultural silenciosa. Diferente de campanhas publicitárias tradicionais, essa abordagem cria o efeito “eu também quero”, alimentado por admiração e desejo de imitação.

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Além disso, o design peculiar dos Labubus atrai artistas, influencers e colecionadores, gerando uma cadeia de valor simbólico. O produto deixa de ser apenas um brinquedo e se transforma em expressão de identidade cultural e estética.

Estética do “estranhamento cativante”

Na era das redes sociais visuais como Instagram, TikTok e Pinterest, o Labubu se destaca por seu design inusitado. Não é bonito nos padrões tradicionais, mas é memorável. Essa estética de “feio-fofo” se alinha com movimentos como o uglycore, onde o imperfeito é celebrado justamente por ser autêntico.

Em tempos de filtros e padrões estéticos inalcançáveis, o Labubu propõe o oposto: o encanto do que é estranho, imperfeito e real.

Um novo tipo de mercado colecionável

Labubu
Imagem: Reprodução / POP MART

Labubu como investimento?

Com versões limitadas sendo vendidas por centenas ou até milhares de dólares, os Labubus começaram a ser vistos não apenas como itens colecionáveis, mas como ativos de investimento alternativo. Isso aproxima o brinquedo de outros mercados especulativos, como o das sneakers, cards de Pokémon e NFTs.

Plataformas de revenda, como eBay e Shopee, mostram uma movimentação intensa, com leilões e disputas acirradas por modelos raros. Embora lucrativo para alguns, esse movimento pode distanciar o produto de sua proposta lúdica original, transformando-o em mais uma engrenagem do consumo especulativo.

Considerações finais: brinquedo, emoção ou vício?

O sucesso do Labubu é multifatorial. Mistura nostalgia, desejo de pertencimento, adrenalina da incerteza e um toque de marketing cultural. Para uns, é apenas um brinquedo divertido. Para outros, é uma viagem emocional ao passado. Mas, para alguns, pode ser uma armadilha de consumo impulsivo.

Em tempos marcados pela incerteza e sobrecarga emocional, produtos como o Labubu nos mostram o quanto buscamos conforto — seja na forma de um monstrinho de plástico ou em experiências sensoriais que resgatem algo mais humano. Cabe a cada um decidir se está comprando um objeto ou uma emoção — e, sobretudo, a que custo.

Imagem: Divulgação / Pop Mart

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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