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Quanto R$ 10 mil renderiam em LCI e LCA com IR de 5%? Confira a queda no rendimento!

Governo anuncia cobrança de 5% de IR sobre rendimentos de LCIs e LCAs. Mudança pode impactar retornos e setores do agronegócio.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
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O governo federal anunciou nesta semana uma nova medida com potencial de transformar o cenário dos investimentos em renda fixa: a instituição de uma alíquota de 5% de Imposto de Renda (IR) sobre os rendimentos das LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) e LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio), que hoje são isentas de tributação. A mudança será feita via medida provisória, e, se aprovada pelo Congresso Nacional, passará a valer a partir de 2026, conforme prevê o princípio da anualidade tributária.

A decisão foi vista como uma forma de compensar a desistência do governo em aumentar o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), após forte resistência política e do setor produtivo.

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Cinco pilhas de moedas, em ordem crescente, dispostas sobre uma mesa. No topo da última pilha, uma mão aproxima a lente de uma lupa.
Imagem: Jirsak/shutterstock.com

Entenda o que muda nas LCIs e LCAs

Como funciona a tributação atual?

Atualmente, as LCIs e LCAs não são tributadas. Isso significa que o investidor recebe 100% dos rendimentos líquidos, sem desconto de IR, ao final do prazo de aplicação. Essa característica fez desses títulos uma das principais alternativas de renda fixa para quem busca segurança e bons retornos, especialmente entre os investidores de perfil conservador.

Qual será a nova regra?

Caso a medida provisória seja aprovada, a partir de 2026 os rendimentos dessas aplicações passarão a ser tributados na fonte com uma alíquota fixa de 5%.

A taxação atingirá apenas novas aplicações feitas após a entrada em vigor da lei, respeitando a regra de não retroatividade tributária.

Exemplo prático: qual o impacto para o investidor?

A Suno Research simulou o impacto da nova tributação sobre uma aplicação de R$ 10 mil em uma LCI com rendimento de 85% do CDI ao ano, considerando um CDI de 14,65%:

SituaçãoTributaçãoRentabilidade (1 ano)
Atual (sem IR)IsentoR$ 1.245,25
Proposta (com IR 5%)5%R$ 1.182,99

Com a nova regra, o investidor perderia R$ 62,26 em um ano. Ainda que o impacto pareça pequeno em valores nominais, ele pode fazer diferença no longo prazo, especialmente para grandes aplicações.

Riscos e características das LCIs e LCAs

Garantia do FGC

Mesmo com a taxação, as LCIs e LCAs continuarão sendo protegidas pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira, em caso de quebra do banco emissor. Isso mantém um nível considerável de segurança para os investidores.

Baixa liquidez

Outro fator importante é que esses títulos, em sua maioria, não permitem resgate antes do vencimento. Ou seja, o investidor precisa manter o valor aplicado até a data final, o que exige um bom planejamento financeiro.

Risco de crédito

Além da liquidez restrita, existe o risco de crédito, que está atrelado à saúde financeira do banco emissor. Embora o FGC proteja o investidor até determinado limite, eventuais atrasos no pagamento podem acontecer em situações excepcionais.

Reação do mercado e de especialistas

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Imagem: Monster Ztudio / Shutterstock.com

Impacto nos setores imobiliário e do agronegócio

Especialistas apontam que a tributação pode reduzir a atratividade das LCIs e LCAs como instrumentos de captação de recursos para os setores imobiliário e agrícola.

“A tributação adicional tende a gerar mais um impacto, mesmo que marginal, na capacidade de captação para esses setores estratégicos”, avaliou José Victor Cassiolato, estrategista da VICTRIX.

A expectativa é de que os bancos emissores sejam forçados a aumentar a rentabilidade oferecida para compensar a nova cobrança de imposto, tornando os papéis mais competitivos frente a outros ativos da renda fixa.

Possível reação dos bancos emissores

O mercado já especula que, para manter o apelo junto aos investidores, os bancos terão de ajustar a taxa paga pelas LCIs e LCAs, elevando o percentual do CDI, por exemplo. Isso evitaria uma fuga de capital para produtos como CDBs e fundos DI.

O que diz o governo

Compensação pela desistência do IOF

O Ministério da Fazenda vê a medida como uma forma de equilibrar a tributação do mercado financeiro, especialmente após recuar da tentativa de aumento do IOF, que geraria forte impacto em operações de crédito e câmbio.

A nova proposta de taxar LCIs e LCAs é considerada mais moderada e direcionada, atingindo uma base específica de investimentos que hoje gozam de incentivos fiscais relevantes, mas que já são amplamente consolidados no mercado.

Regras de transição

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A Fazenda também reiterou que a nova regra respeitará o princípio da anualidade e da irretroatividade, ou seja, não incidirá sobre aplicações feitas antes de 2026 nem afetará o estoque de títulos já adquiridos pelos investidores.

Debate no Congresso Nacional

A proposta será enviada por meio de medida provisória, o que garante validade imediata, mas precisa ser apreciada e aprovada pelo Congresso em até 120 dias para não perder sua eficácia.

Expectativa de resistência

É possível que a proposta enfrente resistência por parte de bancadas ligadas ao agronegócio e ao setor imobiliário, que utilizam essas letras de crédito como importante fonte de financiamento. Além disso, representantes de investidores e gestores de patrimônio devem se posicionar contra a taxação, com o argumento de que ela reduz os incentivos para aplicações de longo prazo.

Comparação com outros ativos de renda fixa

Com a nova alíquota de 5%, as LCIs e LCAs ainda continuarão mais vantajosas que CDBs e fundos de renda fixa tradicionais, que têm alíquotas progressivas de IR, de acordo com o prazo de aplicação:

Prazo da aplicaçãoIR CDB e fundos
Até 180 dias22,5%
De 181 a 360 dias20%
De 361 a 720 dias17,5%
Acima de 720 dias15%

Mesmo com a nova cobrança de 5% sobre LCIs e LCAs, esses papéis ainda oferecerão vantagem tributária frente aos CDBs, desde que o risco e a liquidez sejam bem ponderados.

O que o investidor deve fazer agora?

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Imagem: Brenda Rocha – Blossom/shutterstock.com

Avaliar prazos e liquidez

Com a mudança prevista apenas para 2026, ainda há tempo para aproveitar os benefícios da isenção em novas aplicações feitas até 2025. O investidor pode aproveitar esse período para travar rentabilidades atrativas, respeitando seus objetivos e horizontes de investimento.

Comparar alternativas

É importante comparar o rendimento líquido de outros produtos de renda fixa, como CDBs, fundos DI, Tesouro Direto e debêntures incentivadas (estas ainda isentas de IR). Cada alternativa tem vantagens e desvantagens específicas em termos de liquidez, risco e rentabilidade.

Planejamento tributário

A mudança reforça a necessidade de planejamento tributário, especialmente para quem investe altos volumes em produtos isentos. A diversificação continua sendo a melhor estratégia para proteger o patrimônio diante de alterações regulatórias e fiscais.

Imagem: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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