O governo federal anunciou nesta semana uma nova medida com potencial de transformar o cenário dos investimentos em renda fixa: a instituição de uma alíquota de 5% de Imposto de Renda (IR) sobre os rendimentos das LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) e LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio), que hoje são isentas de tributação. A mudança será feita via medida provisória, e, se aprovada pelo Congresso Nacional, passará a valer a partir de 2026, conforme prevê o princípio da anualidade tributária.
Quanto R$ 10 mil renderiam em LCI e LCA com IR de 5%? Confira a queda no rendimento!
Governo anuncia cobrança de 5% de IR sobre rendimentos de LCIs e LCAs. Mudança pode impactar retornos e setores do agronegócio.
A decisão foi vista como uma forma de compensar a desistência do governo em aumentar o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), após forte resistência política e do setor produtivo.
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Entenda o que muda nas LCIs e LCAs
Como funciona a tributação atual?
Atualmente, as LCIs e LCAs não são tributadas. Isso significa que o investidor recebe 100% dos rendimentos líquidos, sem desconto de IR, ao final do prazo de aplicação. Essa característica fez desses títulos uma das principais alternativas de renda fixa para quem busca segurança e bons retornos, especialmente entre os investidores de perfil conservador.
Qual será a nova regra?
Caso a medida provisória seja aprovada, a partir de 2026 os rendimentos dessas aplicações passarão a ser tributados na fonte com uma alíquota fixa de 5%.
A taxação atingirá apenas novas aplicações feitas após a entrada em vigor da lei, respeitando a regra de não retroatividade tributária.
Exemplo prático: qual o impacto para o investidor?
A Suno Research simulou o impacto da nova tributação sobre uma aplicação de R$ 10 mil em uma LCI com rendimento de 85% do CDI ao ano, considerando um CDI de 14,65%:
| Situação | Tributação | Rentabilidade (1 ano) |
|---|---|---|
| Atual (sem IR) | Isento | R$ 1.245,25 |
| Proposta (com IR 5%) | 5% | R$ 1.182,99 |
Com a nova regra, o investidor perderia R$ 62,26 em um ano. Ainda que o impacto pareça pequeno em valores nominais, ele pode fazer diferença no longo prazo, especialmente para grandes aplicações.
Riscos e características das LCIs e LCAs
Garantia do FGC
Mesmo com a taxação, as LCIs e LCAs continuarão sendo protegidas pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira, em caso de quebra do banco emissor. Isso mantém um nível considerável de segurança para os investidores.
Baixa liquidez
Outro fator importante é que esses títulos, em sua maioria, não permitem resgate antes do vencimento. Ou seja, o investidor precisa manter o valor aplicado até a data final, o que exige um bom planejamento financeiro.
Risco de crédito
Além da liquidez restrita, existe o risco de crédito, que está atrelado à saúde financeira do banco emissor. Embora o FGC proteja o investidor até determinado limite, eventuais atrasos no pagamento podem acontecer em situações excepcionais.
Reação do mercado e de especialistas

Impacto nos setores imobiliário e do agronegócio
Especialistas apontam que a tributação pode reduzir a atratividade das LCIs e LCAs como instrumentos de captação de recursos para os setores imobiliário e agrícola.
“A tributação adicional tende a gerar mais um impacto, mesmo que marginal, na capacidade de captação para esses setores estratégicos”, avaliou José Victor Cassiolato, estrategista da VICTRIX.
A expectativa é de que os bancos emissores sejam forçados a aumentar a rentabilidade oferecida para compensar a nova cobrança de imposto, tornando os papéis mais competitivos frente a outros ativos da renda fixa.
Possível reação dos bancos emissores
O mercado já especula que, para manter o apelo junto aos investidores, os bancos terão de ajustar a taxa paga pelas LCIs e LCAs, elevando o percentual do CDI, por exemplo. Isso evitaria uma fuga de capital para produtos como CDBs e fundos DI.
O que diz o governo
Compensação pela desistência do IOF
O Ministério da Fazenda vê a medida como uma forma de equilibrar a tributação do mercado financeiro, especialmente após recuar da tentativa de aumento do IOF, que geraria forte impacto em operações de crédito e câmbio.
A nova proposta de taxar LCIs e LCAs é considerada mais moderada e direcionada, atingindo uma base específica de investimentos que hoje gozam de incentivos fiscais relevantes, mas que já são amplamente consolidados no mercado.
Regras de transição
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A Fazenda também reiterou que a nova regra respeitará o princípio da anualidade e da irretroatividade, ou seja, não incidirá sobre aplicações feitas antes de 2026 nem afetará o estoque de títulos já adquiridos pelos investidores.
Debate no Congresso Nacional
A proposta será enviada por meio de medida provisória, o que garante validade imediata, mas precisa ser apreciada e aprovada pelo Congresso em até 120 dias para não perder sua eficácia.
Expectativa de resistência
É possível que a proposta enfrente resistência por parte de bancadas ligadas ao agronegócio e ao setor imobiliário, que utilizam essas letras de crédito como importante fonte de financiamento. Além disso, representantes de investidores e gestores de patrimônio devem se posicionar contra a taxação, com o argumento de que ela reduz os incentivos para aplicações de longo prazo.
Comparação com outros ativos de renda fixa
Com a nova alíquota de 5%, as LCIs e LCAs ainda continuarão mais vantajosas que CDBs e fundos de renda fixa tradicionais, que têm alíquotas progressivas de IR, de acordo com o prazo de aplicação:
| Prazo da aplicação | IR CDB e fundos |
|---|---|
| Até 180 dias | 22,5% |
| De 181 a 360 dias | 20% |
| De 361 a 720 dias | 17,5% |
| Acima de 720 dias | 15% |
Mesmo com a nova cobrança de 5% sobre LCIs e LCAs, esses papéis ainda oferecerão vantagem tributária frente aos CDBs, desde que o risco e a liquidez sejam bem ponderados.
O que o investidor deve fazer agora?

Avaliar prazos e liquidez
Com a mudança prevista apenas para 2026, ainda há tempo para aproveitar os benefícios da isenção em novas aplicações feitas até 2025. O investidor pode aproveitar esse período para travar rentabilidades atrativas, respeitando seus objetivos e horizontes de investimento.
Comparar alternativas
É importante comparar o rendimento líquido de outros produtos de renda fixa, como CDBs, fundos DI, Tesouro Direto e debêntures incentivadas (estas ainda isentas de IR). Cada alternativa tem vantagens e desvantagens específicas em termos de liquidez, risco e rentabilidade.
Planejamento tributário
A mudança reforça a necessidade de planejamento tributário, especialmente para quem investe altos volumes em produtos isentos. A diversificação continua sendo a melhor estratégia para proteger o patrimônio diante de alterações regulatórias e fiscais.
Imagem: Seu Crédito Digital
