O governo federal apresentou, no domingo (8), quatro frentes de ação para aumentar a arrecadação e ajustar distorções no sistema financeiro. Entre elas, a mais polêmica é a tributação de investimentos que hoje são isentos do IR (Imposto de Renda), como LCI (Letra de Crédito Imobiliário), LCA (Letra de Crédito do Agronegócio), CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários), CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) e debêntures incentivadas.
Fim da isenção em LCI e LCA: governo quer cobrar 5% de imposto; saiba os impactos
Governo anuncia MP que prevê cobrança de IR de 5% sobre LCI, LCA e outros títulos isentos a partir de 2026, encerrando distorções no mercado.
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Alíquota de 5% será aplicada a partir de 2026

A proposta do Ministério da Fazenda é aplicar uma alíquota única de 5% sobre os rendimentos desses investimentos, respeitando o princípio da anualidade. Isso significa que, caso aprovada pelo Congresso Nacional, a nova tributação entrará em vigor somente em 2026.
Estoque atual pode ficar isento da nova regra
Ainda não há definição oficial sobre a abrangência da medida, mas a tendência é que a nova regra não atinja os papéis já comprados antes da entrada em vigor. Ou seja, investidores que adquirirem LCI, LCA ou outros títulos incentivados até 2025, provavelmente, não serão afetados.
Como funciona hoje a isenção desses investimentos
Papéis incentivados movimentam setores estratégicos
Esses títulos são instrumentos de captação emitidos por bancos, que utilizam os recursos para financiar projetos nos setores do agronegócio e da construção civil. A isenção de IR foi criada justamente como incentivo ao financiamento de áreas estratégicas da economia.
LCIs e LCAs se popularizaram especialmente entre investidores de perfil conservador da classe média, por unirem rentabilidade competitiva e isenção fiscal. No entanto, segundo o governo, a diferença tributária em relação a outros produtos criou distorções relevantes no mercado.
Ministro da Fazenda defende nova estrutura
Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, “os títulos deixarão de ser isentos, mas continuarão bastante incentivados”. A ideia, segundo ele, é equilibrar a diferença entre produtos isentos e tributados, reduzindo a disparidade de alíquotas. Hoje, investimentos em títulos públicos podem pagar até 17,5% de IR.
Objetivos do governo com a mudança
Corrigir distorções e ampliar arrecadação
A equipe econômica acredita que a isenção atual contribui para a má alocação de recursos, especialmente na rolagem da dívida pública. A nova medida busca corrigir esse descompasso e ampliar a base de arrecadação da União sem precisar aumentar alíquotas de tributos já existentes, como o IOF.
Alternativa à alta de outros impostos
Segundo o governo, as quatro frentes de ação anunciadas são uma tentativa de evitar medidas mais impopulares, como o aumento do IOF, especialmente em um contexto de necessidade de equilíbrio fiscal. A mudança na tributação dos investimentos isentos é vista como mais justa do que penalizar o consumo ou o crédito.
Reação do mercado e setores impactados

Setor agropecuário é um dos mais afetados
Um dos impactos mais imediatos deve ser sentido pelo setor do agronegócio, que depende fortemente da captação via LCA e CRA. Consultorias econômicas apontam que a mudança poderá encarecer o crédito rural, já que os bancos terão menos incentivo para emitir esses papéis.
Investidores conservadores devem reavaliar carteiras
A medida atinge principalmente os investidores de perfil conservador, que muitas vezes alocam grande parte de sua carteira em LCI e LCA por segurança e isenção de imposto. Com a mudança, muitos poderão buscar alternativas, como Tesouro Direto ou CDBs, dependendo das novas condições de rentabilidade.
Outros títulos também serão afetados
CRI, CRA e debêntures incentivadas
Além das Letras de Crédito, a medida incluirá também:
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- CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários)
- CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio)
- Debêntures incentivadas de infraestrutura
Todos esses produtos, que hoje contam com isenção de IR para pessoas físicas, passarão a ser tributados em 5%.
Possível revisão futura da alíquota
Embora o percentual de 5% tenha sido apresentado como definitivo, o próprio governo admitiu que haverá espaço para revisão conforme os impactos forem medidos. A proposta ainda precisa passar por aprovação no Congresso, onde poderá sofrer modificações.
Próximos passos e tramitação no Congresso

Medida provisória será enviada ainda em 2025
A equipe do Ministério da Fazenda deverá encaminhar a medida provisória ainda este ano, de modo que a regra possa valer legalmente a partir de 1º de janeiro de 2026, em respeito ao princípio da anterioridade tributária.
Congresso pode alterar termos da MP
Durante a tramitação no Congresso Nacional, deputados e senadores poderão propor emendas à medida provisória, incluindo alterações na alíquota, nos prazos de transição ou mesmo na lista de títulos alcançados.
Conclusão: fim da isenção pode mudar perfil de investimentos
A proposta do governo representa uma mudança importante no ambiente regulatório e tributário dos investimentos no Brasil. Embora a alíquota proposta seja baixa, o fim da isenção poderá alterar significativamente as escolhas dos investidores e a estrutura de captação de recursos por bancos e empresas.
Se aprovada, a medida promete gerar polêmica entre parlamentares e o mercado financeiro, mas também pode representar um passo rumo a um sistema tributário mais equilibrado e menos distorcido.
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