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Dívidas canceladas: 7 casos que idosos não terão que pagar

Aprovada em 2021, a Lei do Superendividamento garante renegociação facilitada de dívidas para idosos. Veja o que está incluído e mais!

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
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Aprovada em 2021, a Lei nº 14.181/2021, popularmente conhecida como Lei do Superendividamento, alterou o Código de Defesa do Consumidor com o objetivo de proteger o cidadão endividado em situação de vulnerabilidade, especialmente idosos e aposentados.

Diferente do que algumas interpretações equivocadas sugerem, a lei não elimina dívidas de idosos. Ela cria instrumentos legais para renegociar dívidas de forma justa, oferecendo prazos maiores, redução de juros abusivos e limites de comprometimento da renda, com foco em preservar a dignidade financeira dos consumidores.

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idosos
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

A quem se destina a Lei do Superendividamento?

A lei beneficia qualquer cidadão brasileiro que esteja em situação de superendividamento, mas dá atenção especial aos idosos, por serem mais suscetíveis a práticas abusivas, como:

  • Vendas enganosas
  • Golpes financeiros
  • Empréstimos consignados mal explicados
  • Contratos com cláusulas confusas

Quem é considerado superendividado?

A lei define superendividado como aquele que não consegue pagar suas dívidas sem comprometer o mínimo necessário para viver. Ou seja, pessoas que não têm condições de arcar com o pagamento de contas básicas após pagar dívidas, como:

  • Alimentação
  • Moradia
  • Saúde
  • Transporte
  • Educação

No caso de idosos aposentados ou pensionistas, essa situação é ainda mais crítica, pois muitas vezes a renda é limitada ao valor do benefício do INSS.

Idosos e a proteção contra o superendividamento

Comprometimento de até 25% da renda

Um dos principais pontos da lei é o limite de 25% da renda mensal que pode ser comprometido com pagamento de dívidas de consumo.

Ou seja, 75% do valor recebido pelo idoso deve ser preservado para cobrir despesas básicas. Isso evita que ele fique sem recursos para se manter, mesmo tendo parcelas de crédito em aberto.

Renegociação facilitada

A Lei do Superendividamento garante que idosos e outros superendividados possam ter acesso à renegociação judicial ou extrajudicial de suas dívidas em condições mais humanas:

  • Prazos mais longos para pagar
  • Redução de taxas de juros
  • Eliminação de cobranças abusivas
  • Proibição de assédio comercial ao consumidor vulnerável

Quais dívidas podem ser renegociadas?

Serasa
Imagem: fizkes / shutterstock.com

A Lei do Superendividamento permite renegociar dívidas de consumo, como:

  • Contas de água, luz, telefone e internet
  • Parcelamentos de compras em lojas
  • Cartão de crédito
  • Empréstimos pessoais sem garantia
  • Cheque especial

O que fica de fora?

Algumas dívidas não podem ser incluídas na renegociação pela Lei do Superendividamento:

  • Financiamento de imóveis
  • Contratos com garantia real (ex: veículo alienado)
  • Crédito rural
  • Pensão alimentícia
  • Empréstimos com garantia de bens de valor elevado
  • Dívidas por compras de luxo ou não essenciais

Onde idosos endividados podem buscar ajuda?

Caso um idoso esteja em situação de inadimplência, não é preciso enfrentar isso sozinho. A Lei do Superendividamento prevê canais públicos e gratuitos de assistência e orientação.

Procon

O Procon é o primeiro canal de apoio e pode iniciar a tentativa de acordo extrajudicial com os credores. Eles avaliam o caso, organizam uma proposta de pagamento e notificam os credores para audiência de conciliação.

Defensoria Pública

A Defensoria Pública oferece suporte jurídico gratuito para idosos com baixa renda. Se a renegociação não for possível, o defensor pode abrir um processo judicial de repactuação das dívidas com base na Lei nº 14.181/2021.

Justiça

A Justiça estadual ou federal pode atuar diretamente em casos complexos, especialmente quando há abusos por parte de instituições financeiras, empréstimos indevidos ou práticas enganosas.

Crescimento do endividamento entre idosos

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De acordo com o Mapa de Inadimplência da Serasa, em 2021, cerca de 10 milhões de idosos estavam endividados, representando 16,9% do total de inadimplentes no Brasil.

Esse número tem crescido ano após ano, e as principais razões incluem:

  • Crédito fácil e desregulado, como o consignado
  • Golpes e fraudes financeiras
  • Renda restrita (aposentadoria/pensão)
  • Uso do nome por parentes ou terceiros
  • Baixo nível de letramento financeiro

Golpes e abusos financeiros contra idosos

Além das dívidas legítimas, muitos idosos sofrem com empréstimos não autorizados, cartões de crédito enviados sem solicitação e abordagens agressivas por telefone.

Casos comuns

  • Telemarketing que oferece empréstimos disfarçados de benefícios
  • Golpistas que se passam por representantes do INSS
  • Parentes que fazem empréstimos no nome do idoso
  • Empresas que não explicam cláusulas contratuais

A Lei do Superendividamento ajuda a combater essas práticas, impondo obrigações de transparência e clareza na contratação de crédito, além de proibir assédio ao consumidor idoso ou vulnerável.

Como funciona a repactuação judicial de dívidas?

Caso o idoso não consiga negociar diretamente com os credores, é possível recorrer ao Poder Judiciário para apresentar um plano de pagamento viável.

Esse plano considera:

  • Renda do idoso
  • Número de dívidas
  • Necessidades básicas de sobrevivência
  • Prioridade para despesas com saúde, moradia e alimentação

Etapas do processo

  1. Procura pela Defensoria Pública ou advogado
  2. Levantamento de todas as dívidas e contratos
  3. Elaboração do plano de pagamento
  4. Envio aos credores e ao juiz
  5. Homologação judicial do plano
  6. Parcelamento da dívida com limites definidos por lei

Dicas para idosos evitarem o superendividamento

Imagem: fizkes/ Shutterstock.com
  • Nunca assine contratos sem ler
  • Peça ajuda de um familiar de confiança antes de contratar crédito
  • Não aceite empréstimos por telefone ou WhatsApp
  • Evite parcelar compras em muitos meses
  • Desconfie de promessas de “empréstimo fácil”
  • Mantenha uma reserva financeira, mesmo pequena
  • Acompanhe seu CPF e movimentações no banco

Imagem: Canva

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Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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