A senadora Leila Barros (PDT-DF) afirmou, nesta quarta-feira (1º), que representantes de diferentes gestões do governo federal foram alertados sobre fraudes no INSS, mas optaram por não agir. A declaração foi feita durante participação no programa CB.Poder — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília — em que a parlamentar também criticou o uso político da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga os descontos indevidos nas aposentadorias.
Governo sabia? Leila Barros diz que avisos sobre fraudes no INSS foram ignorados
Senadora Leila Barros denuncia negligência em fraudes no INSS e critica uso político da CPMI às vésperas de 2026.
A senadora, conhecida por sua trajetória no vôlei e atuação política destacada, ressaltou a importância das investigações, mas deixou claro que não abrirá mão de responsabilizar os culpados, independentemente do lado político. Segundo ela, a ação do atual governo em ressarcir os descontos e apoiar a apuração é relevante, mas insuficiente sem a identificação completa dos responsáveis.
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Alerta ignorado por governos anteriores

Barros declarou que ministros, secretários e gestores foram avisados sobre os casos de fraude, mas não buscaram compreender a dimensão do problema.
“Não temos dúvidas que governos foram avisados, ministros foram avisados, secretários foram avisados. De alguma forma não buscaram entender o que estava acontecendo no INSS. A gente só vai saber a dimensão desse escândalo com a investigação”, explicou a senadora.
A parlamentar afirmou que a negligência de gestões anteriores evidencia uma falha sistêmica no acompanhamento de denúncias e ressaltou que a CPMI será decisiva para revelar a amplitude das irregularidades, incluindo possíveis conluios e omissões.
Ressarcimento e apoio à investigação
Apesar das críticas às gestões passadas, Leila Barros elogiou o terceiro governo de Luiz Inácio Lula por adotar medidas de ressarcimento dos descontos indevidos e apoiar a investigação da CPMI. A senadora classificou a iniciativa como “muito relevante”, ressaltando que apenas políticas efetivas de reparação e fiscalização podem restaurar a confiança dos segurados prejudicados.
“É um passo importante, mas não podemos parar por aí. Precisamos ir até o fim e responsabilizar cada envolvido. A política não pode se sobrepor à justiça”, disse.
Política e eleições de 2026
A senadora também comentou o uso político da CPMI, que ocorre a um ano das eleições de 2026. Segundo ela, alguns parlamentares aproveitam as investigações como palanque eleitoral, em detrimento do propósito central da comissão: garantir justiça às vítimas das fraudes no INSS.
“A CPMI está em clima de ‘Fla x Flu’ e ainda espero maior agressividade entre os parlamentares. É natural que haja disputas, mas o foco deve ser a apuração e a reparação das vítimas”, afirmou.
Barros mencionou ainda o episódio de conflito com a deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT) no início de setembro, descrevendo a situação como uma guerra de narrativas, comum em comissões parlamentares com alto apelo midiático e político.
Desafios na investigação
Um dos obstáculos citados pela senadora é o uso de habeas corpus por convocados da CPMI, que garante direito de ir, vir e de silêncio, limitando o acesso direto das autoridades aos depoimentos completos.
“É frustrante para nós, parlamentares, porque queremos ouvir, dar luz e mostrar a cara dos envolvidos. Mas também existe uma investigação da Polícia Federal. É um processo desgastante, mas necessário”, explicou Barros.
Ela enfatizou que a cooperação entre CPMI e órgãos de investigação é essencial para superar essas barreiras legais e garantir que a apuração seja completa e imparcial.
Depoimentos e transparência

A senadora destacou a necessidade de transparência nos depoimentos, defendendo que a sociedade e os segurados tenham acesso aos fatos e às medidas adotadas para coibir as fraudes. Segundo Leila Barros, cada decisão e investigação deve ser documentada e comunicada publicamente, reforçando a credibilidade da CPMI e do processo de fiscalização.
Impacto das fraudes no INSS
As fraudes no INSS não se limitam a prejuízos financeiros. Elas afetam a vida de milhares de segurados, que têm seus benefícios reduzidos ou suspensos indevidamente, comprometendo sua renda e segurança social. Leila Barros ressalta que identificar os culpados é essencial para prevenir novos casos e restaurar a confiança no sistema previdenciário.
“Cada desconto indevido é um impacto direto na vida de quem trabalhou anos para ter direito à aposentadoria. Não podemos deixar que políticos ou gestores se omitam frente a isso”, afirmou.
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Transparência e fiscalização contínua
Para Leila Barros, a CPMI deve servir como instrumento permanente de fiscalização, garantindo que futuras gestões não repitam os mesmos erros. A senadora defende a implementação de mecanismos de auditoria contínua, capacitação de servidores e integração com órgãos de controle, como a Polícia Federal e o Tribunal de Contas da União, para tornar o INSS mais seguro e eficiente.
Reeleição e planos futuros
Durante a entrevista, Barros revelou suas intenções de disputar a reeleição ao Senado em 2026. Ela também expressou desejo de futuramente se candidatar ao cargo de governadora do Distrito Federal, mas destacou que, no momento, seu foco está nos projetos e no cumprimento das responsabilidades do mandato atual.
“O dia de disputar outro cargo ainda não chegou. Agora é hora de garantir resultados concretos para os cidadãos e concluir meus projetos”, afirmou.
Conflitos e tensões na CPMI
A parlamentar comentou ainda sobre a tensão que ocorre dentro da comissão, citando episódios de conflito entre parlamentares. Segundo ela, disputas e nervosismo são naturais, mas não devem comprometer o objetivo principal da investigação: apurar irregularidades e proteger os beneficiários do INSS.
Justiça e responsabilidade

Leila Barros reforçou que não haverá tolerância para omissões ou conluios políticos que favoreçam fraudes. A senadora defende que todos os envolvidos, independentemente da filiação partidária, devem responder perante a lei, garantindo que a CPMI cumpra seu papel de instrumento de justiça social.
Conclusão
A senadora Leila Barros se posiciona como defensora da transparência e da responsabilidade no INSS, criticando a negligência de governos anteriores e destacando a importância do ressarcimento e das investigações. Seu foco está em responsabilizar os culpados, proteger os segurados prejudicados e assegurar que a política não interfira na justiça. Com as eleições de 2026 se aproximando, Barros também reforça seu compromisso em concluir o mandato atual com resultados concretos para a população.
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