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Você sabia? Adotantes também têm direito a licença remunerada! Veja como funciona

Adotou uma criança? Veja como solicitar a licença adotante e garantir seu direito ao afastamento remunerado!

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro5 min de leitura
Licença-maternidade

A chegada de uma criança por meio da adoção marca uma nova fase na vida de muitas famílias. O acolhimento, o cuidado e o estabelecimento de vínculos afetivos são fundamentais para que essa transição ocorra de forma saudável.

Por isso, o ordenamento jurídico brasileiro prevê a licença adotante, um benefício ainda pouco conhecido, mas essencial para o sucesso do processo de adoção.

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O que é a licença adotante?

Adoção
Imagem: Ground Picture / shutterstock.com

A licença adotante é um período de afastamento remunerado do trabalho, concedido à pessoa que adota uma criança ou adolescente. Assim como a licença maternidade, esse direito tem como objetivo proporcionar tempo e suporte para que o adotante se dedique integralmente à nova rotina familiar.

O benefício é válido tanto no serviço público quanto na iniciativa privada, embora as regras e a duração possam variar conforme a categoria profissional e a idade da criança adotada.

Quem tem direito à licença adotante?

A licença adotante está prevista em diversas legislações e abrange diferentes categorias de trabalhadores. Veja quem pode solicitar:

Trabalhadores com carteira assinada (CLT)

Funcionários de empresas privadas têm direito à licença adotante conforme previsto na Lei nº 10.421/2002, que equipara a adoção ao parto biológico para efeitos legais de licença. A duração varia conforme a política interna da empresa e a adesão ao Programa Empresa Cidadã.

Servidores públicos federais

De acordo com a Lei nº 8.112/1990, os servidores da União têm direito a 120 dias de licença, prorrogáveis por mais 60 dias caso o órgão seja participante do Empresa Cidadã.

Servidores estaduais e municipais

Esses profissionais devem observar o estatuto próprio do seu ente federativo, pois há variações entre os estados e municípios. Em geral, os prazos são semelhantes aos federais, mas é essencial consultar a legislação local.

Casais homoafetivos e pais solteiros

Independentemente da composição familiar, qualquer pessoa com guarda judicial definitiva da criança pode requerer a licença, garantindo igualdade de direitos às diversas formas de família reconhecidas legalmente.

Duração da licença adotante

A duração da licença depende de diversos fatores, principalmente o vínculo empregatício do adotante e a idade da criança adotada.

Veja os prazos médios por categoria:

Trabalhadores da iniciativa privada:

  • Até 120 dias, podendo chegar a 180 dias se a empresa participa do Empresa Cidadã.
  • Em alguns casos, crianças com mais de 1 ano recebem prazos menores, o que ainda gera debates sobre equidade.

Servidores federais:

  • 120 dias, com possibilidade de prorrogação de 60 dias.

Servidores estaduais e municipais:

  • Conforme o estatuto de cada ente federativo.

Trabalhadores temporários:

  • Avaliação caso a caso, conforme contrato de trabalho e normas internas do órgão.

Importante: crianças mais velhas tendem a receber períodos mais curtos de licença. Essa regra, embora legal, é constantemente questionada por especialistas em adoção, que alertam para a importância do vínculo em qualquer faixa etária.

Como solicitar a licença adotante?

Solicitar a licença adotante envolve a apresentação de documentos e o cumprimento de procedimentos específicos conforme o empregador. Veja o passo a passo:

1. Obter a guarda judicial definitiva

Esse é o documento-chave que comprova legalmente a adoção e deve ser emitido pelo Juizado da Infância e Juventude.

2. Verificar regras internas

Cada empresa ou órgão público possui políticas próprias. O ideal é consultar o setor de Recursos Humanos ou o manual do servidor.

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3. Reunir os documentos exigidos

  • Guarda judicial definitiva;
  • Documentos pessoais;
  • Requerimento formal.

4. Protocolar o pedido

O pedido deve ser feito junto ao RH, que avaliará a documentação e indicará os prazos de concessão.

5. Acompanhar e, se necessário, recorrer

Se houver recusa injustificada, é possível:

  • Solicitar revisão administrativa;
  • Buscar apoio do sindicato da categoria;
  • Ingressar com ação judicial.

Diferenças entre licença adotante e licença maternidade

Embora parecidos, os dois benefícios têm diferenças importantes:

AspectoLicença MaternidadeLicença Adotante
Quem pode solicitarMães biológicasQualquer adotante com guarda
DuraçãoAté 120 dias (ou 180 com Empresa Cidadã)Varia conforme idade e vínculo
Exige nascimento?SimNão
Reconhece casais homoafetivos?ParcialmenteSim

Ambos os benefícios têm a mesma função social: permitir o acolhimento adequado da criança, com suporte emocional e presença ativa do responsável.

Adoção e proteção social: um direito em construção

Licença adotante
Imagem: Freepik

A licença adotante é um reflexo da evolução da legislação brasileira, que busca valorizar diferentes arranjos familiares e fortalecer o vínculo entre adotante e adotado.

No entanto, ainda há desigualdade na aplicação da norma, especialmente quando se trata da idade da criança e da estrutura do contrato de trabalho.

Movimentos da sociedade civil e organizações que atuam com adoção têm pressionado por maior padronização e igualdade no tratamento das licenças parentais, defendendo que todo vínculo afetivo precisa de tempo e acolhimento — independente da idade do adotado.

Conclusão

A licença adotante é um direito fundamental que garante a reorganização da vida profissional e familiar após a adoção.

Com previsão legal, ela assegura que os trabalhadores possam se dedicar à construção de um novo lar, com tranquilidade e suporte emocional. Conhecer os prazos, os documentos e os trâmites é essencial para que o processo seja feito com segurança jurídica e respeito às necessidades da criança.

Imagem: Kseniya Ivanova / Shutterstock

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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