A discussão sobre licença menstrual deixou de ser tabu e passou a ocupar espaço no debate público brasileiro como um tema de saúde, produtividade e direitos trabalhistas. A medida busca reconhecer que, para uma parcela das pessoas que menstruam, o período pode vir acompanhado de sintomas incapacitantes, com impacto direto na capacidade de trabalhar.
Projeto de Lei permite folga menstrual e pode impactar jornada de trabalho; entenda
Entenda a licença menstrual no Brasil em 2026, quem tem direito, projeto de lei e impactos no trabalho e na saúde.
A proposta não trata de desconfortos leves, comuns ao ciclo menstrual, mas de condições clínicas mais graves, como dores intensas, fadiga extrema e sangramentos que comprometem a rotina. Nesse contexto, a licença menstrual surge como um afastamento justificado, com base médica, semelhante a outros tipos de licença por saúde.
O tema ganhou ainda mais relevância após a aprovação de uma legislação específica na Espanha, que se tornou referência internacional ao reconhecer oficialmente o direito ao afastamento por sintomas menstruais severos.
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O que é licença menstrual e quem tem direito
A licença menstrual é um afastamento temporário do trabalho concedido a pessoas que menstruam e enfrentam sintomas incapacitantes durante o ciclo. Trata-se de um direito condicionado à comprovação médica, o que diferencia essa licença de faltas comuns ou justificativas informais.
Quando a licença é indicada
Em geral, o afastamento pode ser solicitado quando há diagnóstico ou suspeita de condições como:
- Endometriose
- Adenomiose
- Miomas uterinos sintomáticos
- Cólicas menstruais severas (dismenorreia intensa)
- Sangramentos excessivos (menorragia)
Nesses casos, o laudo médico é essencial para validar a incapacidade temporária e garantir a proteção da trabalhadora ou trabalhador contra punições.
Quem pode solicitar
As propostas em discussão no Brasil abrangem:
- Trabalhadoras com carteira assinada (CLT)
- Empregadas domésticas
- Estagiárias
Além disso, o debate atual inclui a necessidade de respeitar a identidade de gênero, garantindo que pessoas trans e não binárias que menstruam também tenham acesso ao direito, com sigilo e dignidade.
Como funciona a licença menstrual no Brasil em 2026
Em 2026, a licença menstrual ainda não é lei federal, mas está em estágio avançado de tramitação no Congresso Nacional. O destaque é o Projeto de Lei nº 1249/2022, de autoria da deputada Jandira Feghali.
O texto foi aprovado na Câmara dos Deputados no final de 2025 e segue para análise no Senado Federal.
O que prevê o projeto
A versão atual do projeto estabelece:
- Até 2 dias consecutivos de afastamento por mês
- Manutenção integral do salário
- Necessidade de laudo médico
- Proteção contra penalidades no trabalho
A proposta também amplia o alcance para diferentes categorias profissionais, incluindo vínculos formais e estágios.
O que falta para virar lei
Para entrar em vigor, o projeto ainda precisa:
- Ser aprovado no plenário do Senado
- Receber sanção presidencial
Até lá, empresas podem adotar políticas internas voluntárias, mas não há obrigatoriedade nacional.
Como funciona em outros países
A experiência internacional mostra que a licença menstrual não é uma ideia nova, embora sua aplicação ainda enfrente desafios culturais e estruturais.
Países asiáticos pioneiros
Na Japão, a licença menstrual existe desde 1947, prevista na legislação trabalhista. Já a Coreia do Sul e a Indonésia também possuem regras específicas.
Apesar disso, estudos apontam baixa adesão, muitas vezes por medo de estigmatização ou impacto na carreira.
O modelo europeu e o caso da Espanha
A grande inovação recente veio da Espanha, que implementou a licença menstrual como parte do sistema público de saúde.
Nesse modelo:
- O afastamento é tratado como incapacidade temporária
- A avaliação é feita ciclo a ciclo
- O custo é coberto pelo Estado
Esse formato reduz o peso financeiro para empresas e ajuda a evitar discriminação na contratação de mulheres, um dos principais receios apontados por críticos da medida.
Impactos da licença menstrual no trabalho e na economia
A adoção da licença menstrual pode gerar efeitos relevantes tanto para trabalhadores quanto para empregadores.
Saúde e bem-estar
Ao reconhecer a menstruação como questão de saúde, a política contribui para:
- Redução da automedicação
- Diagnóstico precoce de doenças ginecológicas
- Menor agravamento de quadros clínicos
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Na prática, isso significa menos afastamentos prolongados no futuro.
Produtividade e presenteísmo
Um dos principais problemas no ambiente corporativo é o presenteísmo — quando o trabalhador está presente, mas sem condições de produzir adequadamente.
A licença menstrual pode reduzir esse fenômeno, aumentando a eficiência geral das equipes.
Direitos trabalhistas
A proposta também fortalece a proteção contra demissões discriminatórias, ao reconhecer formalmente a saúde menstrual como motivo legítimo de afastamento.
Isso aproxima o Brasil de práticas internacionais que tratam o tema dentro da agenda de igualdade de gênero.
Gestão nas empresas
Para empresas, o desafio será adaptar rotinas e políticas internas. Algumas soluções incluem:
- Flexibilização de jornada
- Teletrabalho em períodos críticos
- Capacitação de lideranças e RH
A experiência de países que já adotaram a medida mostra que a cultura organizacional é um fator decisivo para o sucesso da política.
O debate atual no Brasil: avanços e desafios
O debate brasileiro sobre licença menstrual reflete mudanças mais amplas na forma como a sociedade enxerga saúde, trabalho e direitos.
Por um lado, há avanços importantes:
- Maior visibilidade do tema
- Apoio de especialistas em saúde pública
- Discussão no Congresso Nacional
Por outro, ainda existem desafios:
- Combate ao estigma
- Garantia de sigilo
- Evitar discriminação no mercado de trabalho
O papel das empresas e do setor público
Mesmo antes da aprovação da lei, algumas empresas já começaram a implementar políticas internas de apoio à saúde menstrual, incluindo dias de folga e flexibilização de jornada.
No setor público, a regulamentação pode servir como referência para padronizar práticas e garantir acesso mais amplo ao direito.
Imagem: NFstock/shutterstock.com
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