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Lucro dos bancos fica sob pressão com alta da inadimplência e preocupa mercado para 2027

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 6 min de leitura
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Os principais bancos brasileiros devem enfrentar um terceiro trimestre de 2026 mais difícil, com pressão sobre os lucros, aumento das despesas para cobrir calotes e menor ritmo de concessão de crédito. A avaliação de analistas é que a combinação de juros elevados, endividamento das famílias e dificuldades financeiras de empresas pode comprometer a rentabilidade do setor também em 2027.

Os dados mais recentes do Banco Central, referentes a agosto, reforçam essa preocupação. A parcela dos empréstimos com atraso superior a 90 dias chegou a 5,04% do crédito do sistema financeiro, o maior nível da série mencionada. Entre pessoas físicas, a inadimplência atingiu 6,03%. Nas empresas, o indicador chegou a 3,35%, maior patamar desde 2017, segundo os dados apresentados.

Nesse cenário, os investidores acompanham a temporada de balanços para avaliar quais instituições estão mais preparadas para absorver perdas e manter resultados consistentes. A qualidade da carteira de crédito, o controle das despesas e a capacidade de gerar receitas devem diferenciar o desempenho de cada banco.

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O principal fator de pressão é o custo do crédito. Quando mais clientes deixam de pagar empréstimos e financiamentos, os bancos precisam reservar recursos para cobrir perdas potenciais. Essas despesas reduzem o resultado líquido e podem afetar os indicadores de rentabilidade.

Além disso, juros elevados por períodos prolongados comprometem o orçamento das famílias e aumentam o risco de inadimplência entre pequenos negócios. Para reduzir a exposição, as instituições podem endurecer os critérios de concessão, limitar empréstimos a clientes considerados mais arriscados e priorizar operações com garantias.

Embora essa postura ajude a controlar os calotes, ela também pode desacelerar a expansão da carteira de crédito e limitar o crescimento das receitas financeiras.

O que é PDD e como ela afeta os resultados?

A provisão para devedores duvidosos (PDD) corresponde aos valores reconhecidos para cobrir perdas esperadas em operações de crédito. Quanto maior o risco de os clientes não pagarem suas dívidas, maior pode ser a necessidade de provisões.

Na prática, se um banco identifica aumento do risco em empréstimos pessoais, financiamentos empresariais ou operações rurais, precisa refletir essa exposição em suas estimativas contábeis. Isso pode reduzir o lucro divulgado mesmo antes de todas as perdas se materializarem.

Outro fator é a Resolução CMN nº 4.966, que alterou as regras contábeis aplicáveis aos instrumentos financeiros. A norma reforça o reconhecimento de perdas esperadas de crédito, o que pode influenciar o volume de provisões e a comparação entre os resultados dos períodos.

Itaú, Santander e Bradesco: o que esperar dos balanços?

Itaú
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

As projeções do mercado indicam diferenças importantes entre as principais instituições financeiras. Segundo estimativas compiladas pela Bloomberg e divulgadas antes da temporada de resultados, o Itaú deve preservar uma rentabilidade superior à dos principais concorrentes, enquanto Santander e Bradesco seguem expostos à pressão do crédito. Os números são previsões, não resultados já confirmados.

Itaú Unibanco mantém perspectiva de maior resiliência

O Itaú Unibanco aparece entre os bancos mais bem posicionados para enfrentar o período de maior inadimplência. A expectativa citada pelos analistas é de lucro líquido de aproximadamente R$ 12,7 bilhões no terceiro trimestre, com retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) próximo de 23,9%.

A estratégia de priorizar clientes com melhor perfil de pagamento pode ajudar a conter perdas, embora também limite o crescimento da carteira de crédito. O desafio será manter a rentabilidade sem assumir riscos excessivos em um ambiente econômico incerto.

Santander enfrenta pressão sobre as margens

Para o Santander Brasil, as projeções indicam lucro de aproximadamente R$ 3,2 bilhões e ROE de 12,7%.

A instituição vem adotando critérios mais seletivos para conceder empréstimos. Essa postura pode reduzir o risco de inadimplência, mas também afeta o ritmo de expansão dos negócios e a geração de receitas.

Bradesco busca compensar o custo do crédito

O Bradesco também enfrenta dificuldades relacionadas à capacidade de pagamento de famílias e pequenas empresas. A estimativa de consenso apresentada antes dos balanços aponta lucro próximo de R$ 7,1 bilhões e ROE ao redor de 16%.

A priorização de operações com garantias e o controle de despesas podem ajudar a amortecer as perdas. Ainda assim, o desempenho dependerá da evolução dos atrasos e da capacidade de recuperar margens.

Banco do Brasil preocupa por causa do agronegócio

O Banco do Brasil enfrenta um quadro particularmente delicado devido à sua exposição ao agronegócio. Dificuldades financeiras de produtores rurais, problemas de pagamento e a necessidade de renegociar dívidas podem elevar as provisões e reduzir o lucro.

As estimativas divulgadas pelo mercado variam conforme a instituição que acompanha o banco. Uma das projeções citadas aponta lucro de aproximadamente R$ 3,8 bilhões no trimestre, com ROE de 7,4%. Outras análises trabalham com números diferentes, reforçando que se trata de estimativas sujeitas a revisão.

As medidas de renegociação de dívidas rurais previstas na MP 1.376 também estão no radar. Como seus efeitos tendem a depender da implementação e da adesão dos produtores, os benefícios podem aparecer de forma gradual nos balanços, sem eliminar imediatamente o risco de crédito.

BTG Pactual e Nubank têm perspectivas distintas

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

O BTG Pactual aparece entre os destaques positivos nas projeções. O consenso citado para o período aponta lucro de aproximadamente R$ 5,2 bilhões e ROE de 26,4%, apoiados pela expectativa de expansão das receitas com gestão de ativos e de crescimento em segmentos de crédito considerados mais saudáveis.

Já o Nubank enfrenta o desafio de atender uma base ampla de clientes, incluindo consumidores de renda mais baixa e usuários de empréstimos sem garantia. A ausência de garantias aumenta a exposição potencial a perdas quando o orçamento das famílias fica pressionado.

Por outro lado, a duração relativamente curta de parte da carteira permite ajustes mais rápidos na concessão de crédito. A projeção citada pelo mercado é de lucro de aproximadamente US$ 1,1 bilhão no trimestre, equivalente a cerca de R$ 5,55 bilhões, com ROE estimado em 32,7%.

O que os resultados podem indicar para 2027?

A principal preocupação dos analistas é que a pressão sobre o crédito não fique restrita ao terceiro trimestre de 2026. Se a inadimplência continuar elevada e as famílias permanecerem com grande parte da renda comprometida, os bancos poderão manter critérios mais rigorosos de concessão durante os próximos trimestres.

A temporada de balanços começa em 22 de outubro, com a divulgação dos resultados do Bradesco após o fechamento do mercado. O calendário inclui ainda o Santander, em 28 de outubro, e o Itaú e o Banco do Brasil em novembro, conforme as datas previstas antes das divulgações.

Além dos lucros, investidores devem observar o custo do risco, a evolução dos empréstimos em atraso, o crescimento das carteiras e as projeções fornecidas pelas próprias instituições. Esses indicadores ajudam a avaliar se a piora está perdendo força ou se será necessário revisar para baixo as expectativas de resultados para 2027.

Imagem: Reprodução

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