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BBAS3 registra baixa no pregão após balanço do segundo trimestre

Ações do Banco do Brasil (BBAS3) fecham em alta após balanço do 2º trimestre de 2025 mostrar queda de 60% no lucro e revisão do guidance. Entenda os números.

Bruna MachadoPor Bruna Machado5 min de leitura
banco do brasil BBAS3

As ações do Banco do Brasil (BBAS3) encerraram a segunda-feira (18) em alta de 2,03%, cotadas a R$ 21,07, mesmo diante da repercussão negativa do balanço do segundo trimestre de 2025, divulgado na última quinta-feira (14).

O resultado trouxe números abaixo das expectativas e reforçou as preocupações do mercado quanto à rentabilidade e à solidez da carteira de crédito da instituição.

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Imagem: Freepik e Canva

O lucro líquido ajustado do Banco do Brasil no 2T25 foi de R$ 3,784 bilhões, o que representa uma queda de 60% em relação ao mesmo trimestre de 2024. O resultado veio muito aquém da expectativa de R$ 5 bilhões, segundo consenso da LSEG.

ROE e ROI em níveis preocupantes

  • ROE (retorno sobre o patrimônio líquido): caiu para o menor patamar desde 2016.
  • ROI (retorno sobre investimento): recuou para 8,4%, o segundo pior índice entre grandes bancos brasileiros desde 2000.

Segundo Evandro Medeiros, analista CNPI da Suno Research, os números divulgados foram “bastante fracos, aquém das estimativas de lucratividade”, aumentando a pressão sobre as ações em 2025.

Dividendos mais modestos à vista

A expectativa de dividendos também foi revisada para baixo, frustrando investidores que tinham no payout mais robusto um atrativo da estatal.

Principais fatores da queda no resultado

A principal causa do tombo no lucro foi o aumento expressivo das provisões para devedores duvidosos (PDD), que cresceram 80% em relação ao 2T24, consumindo quase R$ 14 bilhões do resultado.

Créditos problemáticos

Esse movimento reflete a deterioração da carteira de crédito voltada ao agronegócio e às PMEs, setores que enfrentaram dificuldades no período. Além disso, a Resolução CMN 4.966 obrigou o banco a antecipar perdas futuras, pressionando ainda mais o balanço.

O analista Leonardo Andreoli, da Hike Capital, resumiu: “Praticamente nada de positivo surgiu da divulgação; a reação foi de confirmação do pessimismo”.

Custos de captação e despesas administrativas

Além do crédito, outros fatores contribuíram:

  • aumento das despesas com funding, reduzindo a margem de lucro;
  • pressão sobre o spread líquido, limitando ganhos financeiros;
  • avanço das despesas administrativas, puxadas pelos gastos de pessoal, que representam 70% do total.

Crescimento das perdas com empréstimos

De acordo com Alexandre Pletes, head de renda variável da Faz Capital, as perdas com empréstimos chegaram a R$ 32 bilhões no primeiro semestre de 2025, um aumento de quase 90% em relação a 2024. O impacto foi maior nas carteiras de pessoas jurídicas (PJ), embora a carteira de pessoa física tenha crescido 8%, ajudando na diversificação de risco.

Gestão sob pressão: tecnologia e recursos humanos no radar

O aumento das perdas está diretamente ligado a ineficiências na cobrança e à gestão de recursos humanos e tecnológicos. A presidente do banco, Tarciana Medeiros, já havia sinalizado a necessidade de reforçar investimentos em capacitação e tecnologia, buscando mais eficiência operacional.

Guidance revisado para 2025

Diante do cenário adverso, o Banco do Brasil revisou para baixo suas projeções para 2025:

  • Novo guidance de lucro líquido ajustado: entre R$ 21 bilhões e R$ 25 bilhões.
  • Estimativa anterior: de R$ 37 bilhões a R$ 41 bilhões.
  • Payout (dividendos): reduzido de 40%-45% para 30%.

Essa revisão reflete o cenário mais conservador e a necessidade de reforçar provisões diante do aumento do risco de crédito.

Reação do mercado: por que as ações subiram?

Apesar do balanço fraco, as ações BBAS3 fecharam em alta no pregão seguinte. Especialistas apontam algumas razões:

1. Resultado já precificado

O mercado já havia incorporado grande parte do pessimismo antes da divulgação, o que reduziu o impacto da surpresa negativa.

2. Possibilidade de recuperação

Alguns investidores apostam que o banco, com ajustes em cobrança e eficiência operacional, possa recuperar parte da rentabilidade até o fim do ano.

3. Apoio institucional

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Como estatal, o Banco do Brasil conta com instrumentos de suporte e flexibilidade em momentos de crise, o que limita a percepção de risco extremo.

Comparativo com grandes bancos

O fraco desempenho do Banco do Brasil pesou sobre o resultado consolidado dos grandes bancos no trimestre. Somados, os quatro maiores tiveram queda de 9% no lucro, totalizando R$ 25 bilhões.

O contraste com os pares

Enquanto Itaú e Bradesco apresentaram quedas moderadas, o tombo do Banco do Brasil puxou o consolidado para baixo, evidenciando a vulnerabilidade da instituição frente ao aumento do risco de crédito em setores específicos.

Perspectivas para os próximos trimestres

O desempenho do Banco do Brasil no segundo semestre dependerá de fatores internos e externos:

Internos

  • avanço da digitalização e eficiência tecnológica;
  • capacidade de reduzir custos administrativos;
  • reestruturação da carteira de crédito.

Externos

  • comportamento do agronegócio e das PMEs;
  • cenário macroeconômico, incluindo inflação e juros;
  • eventuais ajustes regulatórios que possam impactar provisões.

O desafio da confiança do investidor

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Mais do que os números frios do balanço, a estatal enfrenta um desafio de credibilidade junto ao mercado. Analistas ressaltam que a combinação de queda no lucro, ROE em baixa e revisão do guidance coloca pressão sobre a governança e a estratégia de longo prazo da instituição.

Considerações finais

O Banco do Brasil vive um dos trimestres mais desafiadores dos últimos anos. O forte recuo no lucro, a explosão das provisões e o aumento dos custos levantam dúvidas sobre a capacidade da instituição de sustentar crescimento e rentabilidade em 2025.

Por outro lado, a alta das ações no pregão seguinte indica que parte dos investidores ainda vê valor em BBAS3, seja pela possibilidade de recuperação operacional, seja pelo papel estratégico do banco no sistema financeiro nacional.

O próximo semestre será decisivo para mostrar se o Banco do Brasil conseguirá reverter a maré negativa ou se seguirá pressionado por números abaixo do esperado.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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