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Lucros crescem, mas analistas mantêm cautela na temporada de balanços do 2º trimestre

Empresas brasileiras têm alta de lucros no 2º trimestre, mas analistas mantêm cautela. Entenda o cenário.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
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A temporada de balanços do segundo trimestre de 2025 começou oficialmente nesta quarta-feira (23), com as divulgações de WEG e Telefônica Brasil. Apesar das expectativas de resultados sólidos em diversos setores da economia, os analistas mantêm um tom de cautela para o restante do ano, diante de um cenário econômico desafiador e um ambiente político turbulento.

O otimismo inicial com os números — puxado por setores como energia e indústria — esbarra nas incertezas provocadas pela alta taxa básica de juros e nas tensões internacionais, como as propostas de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

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Lucros em alta, mas efeito base explica boa parte

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Imagem: Freepik

De acordo com o Bradesco BBI, as empresas brasileiras listadas no índice MSCI Brazil devem registrar um crescimento médio de 36% nos lucros na comparação anual. Esse salto é impulsionado principalmente por energia e indústria, setores que se beneficiaram de uma base de comparação fraca no mesmo período de 2024, quando empresas como a Petrobras reportaram resultados negativos.

Para companhias focadas no mercado doméstico, espera-se um crescimento mais modesto, em torno de 14%, ligeiramente abaixo do avanço de 16% observado no primeiro trimestre deste ano. Segundo o Santander, a receita líquida para as empresas locais deve crescer 11%, enquanto o EBITDA pode avançar 14% e o lucro líquido, 5%.

Já considerando as exportadoras e o setor de commodities, o lucro pode avançar expressivos 58%, mesmo com previsão de queda de 1% no EBITDA, refletindo o comportamento desigual dos preços internacionais.

Empresas que devem se destacar

Entre os destaques positivos do trimestre, os analistas apostam em nomes como BTG Pactual, Lojas Renner, C&A e Totvs.

  • O BTG deve se beneficiar do humor mais positivo do mercado financeiro nos últimos meses.
  • Lojas Renner e C&A devem apresentar bom desempenho graças ao inverno rigoroso, que estimulou as vendas de vestuário, além da base de comparação baixa com 2024.
  • Já a Totvs segue em crescimento com sua linha de softwares de gestão, mostrando resiliência mesmo em um cenário macroeconômico mais desafiador.

Perspectivas menos animadoras

No outro extremo, há empresas com previsões mais sombrias. O Banco do Brasil, por exemplo, deve registrar nova queda significativa nos lucros, pressionado pela alta inadimplência no setor agropecuário. Também estão no radar negativo os resultados de RD Saúde, impactada por margens comprimidas, e Usiminas, que sofre com a queda nos preços e aumento de custos no mercado de aço.

Varejo, bancos e commodities sob a lupa

O desempenho do varejo é visto com certo otimismo moderado. Embora o ambiente macroeconômico continue desafiador, analistas acreditam que muitas varejistas conseguirão apresentar crescimento de receita e margens. Entre as alimentares, o desempenho tende a ser mais estável, mas Vivara, Pague Menos e Guararapes (Riachuelo) podem surpreender positivamente.

No setor financeiro, Itaú e Nubank devem mostrar expansão relevante nos lucros, enquanto o Banco do Brasil permanece sob pressão. Já entre as commodities, a situação é mais heterogênea: a queda de 12% no preço do petróleo deve afetar negativamente a Petrobras, mas Braskem e Suzano têm potencial para apresentar bons números.

Em tecnologia e telecomunicações, Totvs e Telefônica Brasil devem entregar resultados sólidos, enquanto a TIM pode experimentar uma leve desaceleração no ritmo de crescimento.

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Incertezas no horizonte: tarifas e política

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Imagem: cookie_studio/ Freepik

O pano de fundo da temporada é marcado por maior incerteza, principalmente por conta da proposta do presidente norte-americano Donald Trump de impor tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros. Analistas alertam para os riscos desse movimento sobre as exportações nacionais e, por consequência, sobre a performance de setores inteiros da bolsa.

Segundo relatório do Santander, os impactos das tarifas ainda não serão totalmente refletidos nos resultados do segundo trimestre, mas os investidores já devem observar atentamente os comentários das empresas durante as teleconferências para entender o que esperar nos próximos meses.

Além disso, o embate entre Executivo e Congresso brasileiro também adiciona ruído ao cenário, pesando sobre a precificação dos ativos e limitando a euforia dos investidores.

Visão positiva para a bolsa brasileira

Apesar do tom cauteloso, o Bradesco BBI ainda vê a bolsa brasileira como a mais atraente da América Latina no momento.

Com múltiplos ainda baixos (P/L em torno de 8,3x), fluxo estrangeiro positivo e perspectiva de queda nos juros no segundo semestre, a expectativa é que o mercado possa se manter resiliente — desde que a desaceleração econômica não se intensifique de forma inesperada.

Com informações de: Exame

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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