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Lula rebate críticas a Janja: “Só mostram mentalidade ultrapassada”

Presidente Lula defende atuação de Janja e critica visão ultrapassada sobre o papel da primeira-dama.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
Lula a primera dama Janja da Silva

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu em defesa de sua esposa, a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, nesta sexta-feira (19.set.2025). O petista classificou as críticas dirigidas à atuação pública de Janja como “fruto de uma mentalidade ultrapassada” sobre o papel da mulher na sociedade e na política.

“Gente que acha que mulher não pode ter opinião, que não pode pensar por si mesma e nem ter atuação política. E pode ter certeza que eu e Janja trocamos sim muitas ideias, especialmente sobre os imensos desafios que temos no Brasil”, declarou Lula.

A fala reforça a estratégia do Planalto de blindar a primeira-dama diante de ofensivas políticas e judiciais que questionam sua participação em agendas oficiais, sobretudo em viagens internacionais e eventos de cunho político e social.

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presidente Lula e Janja
Imagem: Isaac Fontana/ Shutterstock

O protagonismo de Janja no governo Lula

Do casamento ao papel institucional

Janja ganhou projeção nacional desde a campanha presidencial de 2022, quando se tornou presença constante nos palanques e atos de mobilização política. Após a vitória de Lula, ela assumiu uma postura ativa em temas sociais, ambientais e de direitos humanos, o que ampliou sua visibilidade e também atraiu críticas.

Agendas internacionais e críticas da oposição

A participação da primeira-dama em viagens oficiais ao exterior — acompanhando o presidente em compromissos diplomáticos — foi alvo de questionamentos da oposição, que chegou a acionar a Justiça alegando extrapolação de funções.

Para os críticos, Janja estaria exercendo uma influência excessiva em decisões de governo e ocupando espaço que não lhe caberia institucionalmente. Para seus defensores, trata-se de um papel simbólico e representativo legítimo, comum em diversas democracias.

Parecer da AGU define atuação de cônjuges presidenciais

AGU
Imagem: Reprodução

Documento de abril regulamentou funções

Em meio ao debate, a Advocacia-Geral da União (AGU) divulgou, em abril de 2025, um parecer oficial regulamentando o papel da primeira-dama — e de futuros cônjuges presidenciais — em compromissos de interesse público.

Segundo o documento, a atuação do cônjuge presidencial tem “natureza jurídica própria” e se fundamenta em uma função de caráter:

  • Social
  • Cultural
  • Cerimonial
  • Político
  • Diplomático

Assim, a presença da primeira-dama em compromissos oficiais passa a ter base legal clara, afastando a tese de que tais participações seriam irregulares ou meramente informais.

Princípios constitucionais que devem guiar a atuação

O parecer da AGU também estabelece que a atuação deve se pautar pelos princípios da administração pública, previstos na Constituição Federal:

  • Legalidade
  • Imparcialidade
  • Moralidade
  • Publicidade
  • Eficiência

Na prática, isso significa que a participação de Janja ou de futuros cônjuges em compromissos oficiais deve respeitar critérios de transparência e responsabilidade, sem interferir diretamente na gestão administrativa.

Lula reforça papel da mulher na política

Declaração de cunho feminista

Ao defender Janja, Lula também buscou enviar uma mensagem política mais ampla. Para ele, as críticas refletem um resquício de machismo estrutural que ainda persiste na sociedade brasileira.

“A ideia de que mulher não pode participar da vida política, opinar ou influenciar é algo que não cabe mais em 2025. O Brasil precisa superar essa visão retrógrada”, disse o presidente.

Mulheres em posições de poder

A fala do petista está alinhada com sua trajetória de defesa da inclusão feminina em cargos de liderança. No atual mandato, Lula nomeou mulheres para ministérios estratégicos e busca reforçar a ideia de que o governo promove equidade de gênero em todas as esferas.

Janja como figura política: aliada ou alvo?

Entre o apoio popular e a resistência da oposição

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Pesquisas de opinião mostram que Janja é uma figura polarizadora: enquanto parte da população a enxerga como símbolo de modernização e sensibilidade social, opositores a consideram excessivamente politizada.

Influência na comunicação e no estilo do governo

Janja tem papel relevante na comunicação do governo, especialmente nas redes sociais. Ela é responsável por aproximar o Planalto de pautas sociais contemporâneas, como sustentabilidade, diversidade e direitos das mulheres, ajudando a moldar a imagem de Lula como líder conectado com causas progressistas.

O papel simbólico das primeiras-damas no Brasil e no mundo

Tradição histórica

Historicamente, primeiras-damas brasileiras sempre tiveram algum grau de protagonismo. Desde Sarah Kubitschek, que atuou na promoção cultural, até Ruth Cardoso, que criou o programa Comunidade Solidária, o cargo não oficial ganhou relevância.

Comparação internacional

Em outros países, como Estados Unidos e França, as primeiras-damas também desempenham papéis de destaque. Michelle Obama, por exemplo, foi figura central em campanhas de saúde pública e educação. Esse modelo reforça a visão de que o cônjuge presidencial é um ator político indireto, mesmo sem mandato.

Críticas e desafios futuros

Janja falando em um pulpito
Imagem: José Cruz/Agência Brasil

Judicialização da atuação de Janja

Ainda que o parecer da AGU tenha buscado pacificar o tema, a tendência é de que a oposição continue judicializando a participação da primeira-dama em eventos de Estado. Esse embate deverá se intensificar à medida que o país se aproxima das eleições de 2026.

Consolidação de imagem pública

Outro desafio é a consolidação da imagem de Janja junto ao eleitorado. Se, por um lado, ela fortalece a base progressista, por outro pode servir como alvo preferencial da oposição em narrativas de suposto “excesso de protagonismo”.

Imagem: Douglas Magno / Getty Images

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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