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Discurso de Lula na ONU terá soberania, tarifas e tensão com governo Trump no centro

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou na terça-feira (22) da abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, em um cenário de forte atenção sobre as relações entre Brasil e Estados Unidos. A agenda internacional ocorreu poucas semanas antes do primeiro turno das eleições brasileiras e enquanto os dois países tentam avançar nas negociações sobre tarifas comerciais.

Pela tradição estabelecida desde 1955, o Brasil abre o debate geral da Assembleia Geral, seguido pelos Estados Unidos, país que sedia a organização. Em 2026, os discursos ocorrem entre 22 e 28 de setembro, com a participação dos 193 Estados-membros.

Não há, até o momento, uma reunião bilateral formal entre Lula e Donald Trump anunciada para a passagem dos dois presidentes pela ONU. Um eventual contato entre eles, portanto, dependeria de uma oportunidade nos bastidores do evento.

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O que está em jogo no discurso de Lula

Lula
Imagem: Ricardo Stuckert/PR

A fala brasileira ocorre em uma conjuntura na qual temas como soberania nacional, democracia, conflitos internacionais e comércio exterior ganharam peso nas relações de Brasília com Washington.

Lula utilizou o espaço para defender o multilateralismo e apresentar posições brasileiras sobre temas internacionais, incluindo conflitos armados, reforma das instituições multilaterais e cooperação entre países.

A própria ONU definiu como tema da 81ª sessão a proposta de “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”. O debate reúne chefes de Estado e de governo para tratar de questões globais e buscar soluções coletivas.

Soberania aparece como tema central

A relação com os Estados Unidos acrescenta uma dimensão particular ao discurso. Nos últimos meses, Brasil e EUA entraram em uma disputa envolvendo tarifas sobre produtos brasileiros e divergências em torno de questões políticas e jurídicas.

Para o governo brasileiro, a defesa da soberania significa preservar a autonomia para tomar decisões internas e conduzir políticas públicas sem interferência externa. A posição também aparece nas discussões comerciais mantidas com Washington.

Ao mesmo tempo, o discurso ocorre em um ambiente eleitoral. O primeiro turno das eleições brasileiras está previsto para 4 de outubro, apenas 12 dias depois da participação de Lula na Assembleia Geral.

Essa proximidade faz com que declarações feitas em Nova York tenham potencial para repercutir tanto no debate internacional quanto no cenário político doméstico. A distinção entre atuação presidencial no exterior e atividade eleitoral, porém, depende do conteúdo efetivamente apresentado e de sua repercussão.

Disputa comercial com os Estados Unidos continua

O comércio é outro ponto importante da agenda. O governo dos EUA adotou em julho novas sobretaxas sobre determinados produtos brasileiros, enquanto Brasília passou a negociar exceções e alternativas para reduzir os efeitos das medidas.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as medidas anunciadas pelos Estados Unidos alcançam diferentes grupos de produtos, e cerca de 23,1% das exportações brasileiras para o mercado americano, tomando como referência o comércio de 2024, ficaram sujeitas às novas sobretaxas decorrentes das investigações conduzidas com base na Seção 301.

O impacto já aparece nos números do comércio bilateral. No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 17,4 bilhões, uma redução de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com o MDIC.

Apesar das divergências, os dois governos mantiveram canais de negociação. Em agosto, Lula e Trump conversaram, e posteriormente as equipes dos dois países retomaram as discussões comerciais. O governo brasileiro informou que permaneceria aberto ao diálogo.

Nova rodada de negociação acontece após a ONU

A disputa não termina com o discurso em Nova York. Brasil e Estados Unidos devem realizar uma nova rodada presencial de negociações durante uma reunião relacionada ao G20, em Milwaukee, nos dias 30 de setembro e 1º de outubro.

A agenda deve envolver o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o representante comercial americano Jamieson Greer.

O encontro será acompanhado de perto porque poderá indicar se as conversas técnicas conseguirão ampliar o número de produtos brasileiros protegidos das sobretaxas.

Pode haver encontro entre Lula e Trump?

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Imagem criada por IA

A ausência de uma reunião bilateral oficial não impede necessariamente um contato entre os dois presidentes durante a Assembleia Geral. A própria dinâmica do evento concentra dezenas de chefes de Estado em Nova York durante a mesma semana.

Brasil e Estados Unidos têm, ainda, interesses econômicos relevantes em comum. Por isso, qualquer conversa entre Lula e Trump poderia ser observada como um sinal sobre o estado dos canais diplomáticos, embora um encontro informal não represente, por si só, um acordo comercial ou uma mudança concreta de política.

O histórico da Assembleia Geral também mostra que encontros entre líderes podem ocorrer à margem da programação oficial.

Relação entre Brasil e EUA chega a momento decisivo

A passagem de Lula por Nova York ocorre, portanto, em uma semana que reúne três frentes diferentes: a diplomacia multilateral, a disputa comercial com Washington e a proximidade das eleições brasileiras.

No campo econômico, o principal desdobramento esperado continua relacionado às negociações sobre as tarifas. No âmbito diplomático, o governo brasileiro deve reforçar sua defesa do multilateralismo e da autonomia nacional.

Para o público brasileiro, o resultado mais concreto da crise tende a aparecer principalmente no comércio exterior. Mudanças nas tarifas podem afetar empresas exportadoras, cadeias produtivas, preços e competitividade de produtos brasileiros no mercado americano.

Já eventuais declarações sobre democracia, soberania e relações internacionais devem ser analisadas dentro do contexto mais amplo da política externa brasileira e das posições apresentadas pelo governo nas negociações com Washington.

A Assembleia Geral da ONU, nesse cenário, funciona como um importante palco diplomático, mas os próximos passos das relações Brasil-EUA dependerão também das negociações bilaterais que continuarão após o encontro em Nova York.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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