O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou uma nova lei que permite o uso de recursos de multas de trânsito para custear a formação de motoristas de baixa renda. No entanto, decidiu vetar a obrigatoriedade do exame toxicológico para quem busca tirar a carteira de habilitação pela primeira vez, medida que havia sido incluída pelo Congresso. Segundo o governo, o veto visa evitar que o custo adicional impeça o acesso à CNH, especialmente entre os mais pobres.
Governo Lula veta exigência de exame toxicológico para quem tira CNH pela primeira vez
Lei de CNH vetada por Lula elimina obrigatoriedade de exame de drogas, reduz custos e amplia inclusão no trânsito.
A proposta original determinava que todos os novos motoristas das categorias A (motos) e B (carros) deveriam apresentar um exame toxicológico com resultado negativo para obter o documento.
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Exame descartado: decisão mira acessibilidade e inclusão

O exame toxicológico exigido na proposta vetada detecta o uso de drogas por meio de amostras de cabelo, pelos ou unhas, com foco em substâncias que comprometem a capacidade de dirigir, como cocaína e anfetaminas. Lula justificou que a obrigatoriedade poderia desestimular a habilitação formal e incentivar o uso de veículos sem carteira.
“O aumento no custo para tirar a carteira poderia influenciar que mais pessoas dirigissem sem habilitação, comprometendo a segurança de todos.”
O presidente tomou a decisão com base em recomendações dos ministérios dos Transportes e da Justiça, que alertaram para os possíveis impactos sociais e econômicos da medida.
O que muda com o veto
Atualmente, apenas os motoristas das categorias C, D e E — responsáveis por dirigir ônibus, caminhões e veículos de carga — precisam realizar o exame toxicológico. Com o veto, essa exigência não se estenderá aos motoristas iniciantes das categorias mais comuns (A e B), mantendo a regra vigente.
Isso significa que quem está tirando a primeira CNH para motos ou carros seguirá isento da obrigação do exame, reduzindo o custo total do processo de habilitação.
CNH gratuita para inscritos no CadÚnico
Uma das principais inovações da lei sancionada é o financiamento da carteira de habilitação para pessoas de baixa renda por meio de recursos arrecadados com multas de trânsito. A gratuidade será destinada a cidadãos inscritos no Cadastro Único (CadÚnico), programa que reúne famílias em situação de vulnerabilidade social.
Essa medida amplia o acesso à habilitação e pode representar novas oportunidades de emprego e renda, especialmente em áreas onde dirigir é uma habilidade essencial para inserção no mercado de trabalho.
Segurança no trânsito: divergências entre especialistas
A decisão do presidente gerou reações divididas entre os especialistas. De um lado, há quem defenda que o exame seria um importante filtro para garantir motoristas mais responsáveis nas ruas. De outro, há o argumento de que a medida poderia excluir justamente os mais pobres do processo de legalização, o que, paradoxalmente, traria mais riscos à segurança no trânsito.
Para o governo, manter o exame apenas para categorias profissionais garante o equilíbrio entre segurança viária e inclusão social.

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Entenda o exame toxicológico
Esse tipo de exame é utilizado para identificar o uso de substâncias psicoativas que afetam a condução de veículos. A análise busca vestígios de uso contínuo de drogas nos últimos 90 dias antes da coleta. Atualmente, a exigência está prevista apenas para motoristas que pretendem conduzir veículos de transporte coletivo ou de cargas.
Além de caro — variando entre R$ 200 e R$ 300 —, o exame demanda estrutura laboratorial especializada e encarece o processo de habilitação.Comparativo por categorias e custos.
Caminhos para o futuro
Com a promulgação da nova lei, caberá ao governo federal e aos estados regulamentar como será feita a seleção dos beneficiários do programa de CNH gratuita e quais etapas serão financiadas com recursos das multas. Autoescolas também precisarão se adaptar à nova realidade.
A expectativa é que, com a ampliação do acesso à habilitação e a retirada de barreiras financeiras, mais pessoas se regularizem, fortalecendo a cidadania e a segurança nas vias públicas.
Com informações de: Uol
