Com o reajuste do salário mínimo previsto para 2026, cresce a expectativa entre aposentados, pensionistas e trabalhadores com carteira assinada sobre os impactos no crédito consignado. Afinal, mesmo sem mudanças na legislação, o aumento do piso nacional reflete diretamente no valor da margem consignável, ampliando o poder de contratação de empréstimos.
Margem consignável: veja quem será beneficiado com o aumento em 2026
Com o reajuste do salário mínimo, aposentados, pensionistas e CLTs terão aumento no valor da margem consignável em 2026.
A dúvida é comum: quem realmente será beneficiado com esse reajuste? Para entender, é preciso compreender o funcionamento da margem consignável e o papel que ela exerce na vida financeira de milhões de brasileiros.
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O que é margem consignável

A margem consignável é o percentual máximo da renda mensal que pode ser comprometido com empréstimos descontados diretamente na folha de pagamento ou benefício. Em outras palavras, é o limite que define quanto do salário, aposentadoria ou pensão pode ser destinado às parcelas de crédito.
Essa regra tem como objetivo proteger o consumidor contra o superendividamento, garantindo que a maior parte da renda permaneça livre para gastos essenciais, como alimentação, saúde e moradia.
Atualmente, o percentual varia conforme a categoria:
- Trabalhadores CLT: até 35% do salário líquido;
- Aposentados e pensionistas do INSS: 35% para empréstimos, 5% para cartão de crédito consignado e 5% para cartão benefício, totalizando 45%;
- Servidores públicos: limite total de 45%, seguindo a mesma divisão;
- Beneficiários do BPC/LOAS: até 30% para empréstimos e 5% para cartão, totalizando 35%.
Como o salário mínimo influencia na margem
O percentual da margem consignável é fixado por lei, mas o valor em reais disponível para contratação muda conforme o salário ou benefício recebido. Assim, toda vez que o piso nacional é reajustado, quem tem rendimento baseado nele também ganha um aumento na quantia que pode comprometer com empréstimos.
Exemplo prático
Em 2025, o salário mínimo é de R$ 1.518,00. Um aposentado com esse rendimento pode destinar até R$ 531,30 (35%) ao pagamento de parcelas de crédito consignado.
Com a previsão de reajuste para R$ 1.631,00 em 2026, esse mesmo beneficiário passa a poder comprometer R$ 570,85, ou seja, R$ 39,55 a mais por mês.
Embora o aumento pareça pequeno, em um contrato de longo prazo — que pode chegar a 96 parcelas (8 anos) — esse acréscimo representa um valor expressivo de crédito adicional, disponível com juros baixos e prazos estendidos.
O que muda na margem consignável em 2026
Percentual permanece o mesmo
O governo federal não deve alterar os percentuais da margem consignável em 2026. Isso significa que os limites de 35%, 40% ou 45%, conforme o caso, permanecem válidos.
Valor em reais será maior
A diferença está no valor total liberado, que aumenta proporcionalmente ao reajuste do salário mínimo. Isso ocorre porque a base de cálculo da margem é o rendimento líquido do contratante.
Portanto, mesmo sem mudança na lei, quem recebe benefícios ou salários atrelados ao piso nacional automaticamente ganha mais espaço para crédito.
Quem será beneficiado com o aumento

O reajuste do salário mínimo de 2026 traz impacto direto a três grupos principais:
1. Aposentados e pensionistas do INSS
Com o aumento dos benefícios previdenciários, a margem consignável em reais também sobe. Esse público, que representa milhões de contratos ativos de crédito consignado, poderá contar com um valor maior de empréstimo sem alterar o percentual da renda comprometida.
2. Beneficiários do BPC/LOAS
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O Benefício de Prestação Continuada é pago no valor de um salário mínimo. Logo, o reajuste do piso nacional aumenta automaticamente a margem disponível para crédito. Essa mudança favorece idosos e pessoas com deficiência que dependem do benefício para complementar a renda.
3. Trabalhadores com carteira assinada
Os profissionais que recebem o salário mínimo ou pertencem a categorias com convenções coletivas atreladas a ele também terão aumento no valor da margem. Isso amplia o limite para contratação de empréstimos consignados privados, geralmente oferecidos por bancos parceiros de empresas.
O impacto na economia e no crédito
A ampliação do valor da margem consignável tem reflexos diretos na economia. Com mais espaço para crédito, há uma tendência de aquecimento no consumo, principalmente em setores como varejo, saúde e serviços.
Segundo dados de instituições financeiras, o crédito consignado é uma das modalidades com menor inadimplência no país, justamente por ter o desconto automático em folha. Isso o torna atrativo tanto para os consumidores quanto para os bancos.
Com o reajuste, a expectativa é de que a procura por novos contratos aumente no primeiro semestre de 2026, impulsionada pela liberação de margens mais altas e condições favoráveis de financiamento.
Cuidados ao contratar crédito consignado
Apesar da ampliação da margem, especialistas recomendam cautela. O crédito consignado, embora vantajoso em juros, pode comprometer parte significativa da renda se usado sem planejamento.
Entre as principais orientações estão:
- Avaliar a real necessidade do empréstimo antes de contratar;
- Comparar taxas de juros entre instituições;
- Evitar utilizar toda a margem disponível, mantendo reserva para emergências;
- Ler atentamente o contrato e conferir o valor total a pagar.
Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

