O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, voltou a criticar o nível atual da taxa Selic, fixada em 15% ao ano, e apelou de forma bem-humorada para uma força divina.
“Os juros são um problema. Santo dos juros, por favor, trate de fazer seu papel. Precisamos da redução de juros urgentemente para a atividade econômica se manter”, declarou Marinho em entrevista a jornalistas em Brasília, nesta quarta-feira (27.ago.2025).
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Segundo o ministro, o atual patamar de juros representa um entrave maior para a economia brasileira do que o tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais.
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Tarifaço norte-americano também preocupa

Apesar de destacar os juros como obstáculo mais severo, Marinho reconheceu que a sobretaxa dos EUA cria um novo desafio para a indústria brasileira. A medida deve impactar setores estratégicos da exportação, principalmente no agronegócio e na manufatura.
O ministro mencionou que o governo aposta na abertura de novos mercados para minimizar os efeitos do aumento tarifário. Um dos movimentos recentes foi a viagem oficial do vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin (PSB), ao México.
De acordo com Marinho, nos últimos dois anos e meio o Brasil conseguiu 409 aberturas de mercado para produtos nacionais, o que significa que diferentes países ou blocos passaram a consumir itens brasileiros que antes não importavam.
Estratégias para reduzir impactos
Entre as ações mencionadas pelo ministro, estão:
- Compra governamental de alimentos: produtos como pescados e mel foram incluídos, com menos burocracia.
- Diversificação de exportações: aposta em mercados alternativos diante da pressão tarifária dos EUA.
- Política de fomento ao emprego formal: ampliação do monitoramento via Caged e incentivo a novos setores produtivos.
Essas medidas, segundo Marinho, podem atenuar os prejuízos, mas não eliminam totalmente os riscos de retração econômica.
Estimativa: 330 mil empregos em risco
Marinho também trouxe números preocupantes sobre os possíveis efeitos da sobretaxa. Caso o cenário mais negativo se concretize, cerca de 330 mil empregos diretos e indiretos poderão ser perdidos em 2025.
O dado contrasta com o resultado do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgado nesta mesma quarta-feira, que registrou 129.775 novos empregos com carteira assinada em julho de 2025.
Pior julho desde 2020
Embora positivo, o saldo de julho ficou 32,2% abaixo do registrado no mesmo mês de 2024, quando foram criadas 191.373 vagas. Foi o pior resultado para julho desde 2020, ano marcado pela pandemia de covid-19, que gerou 108.476 empregos formais no período.
O desempenho também desapontou o mercado financeiro: a mediana das estimativas de oito instituições consultadas pelo Poder360 projetava cerca de 142 mil novas vagas em julho de 2025.
Em junho, o Brasil havia registrado 162.388 novos postos de trabalho, já considerando ajustes sazonais — mostrando uma clara desaceleração do ritmo de contratações.
Estoque de empregos formais
Apesar do resultado mais fraco, o Brasil ainda conta com 48,5 milhões de trabalhadores com carteira assinada nos setores público e privado, o que representa um crescimento de 0,26% em relação a julho de 2024.
Para Marinho, os números reforçam a necessidade de uma política de juros mais baixa, capaz de estimular o investimento privado e, consequentemente, a geração de empregos.
A Selic e seus efeitos sobre a economia

A taxa Selic, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, é considerada a principal ferramenta de controle da inflação no Brasil.
Porém, segundo economistas, em níveis elevados ela também encarece o crédito, reduz investimentos produtivos e limita a expansão do consumo.
Críticas recorrentes do governo aos juros altos
O governo federal tem reforçado as críticas ao Banco Central desde o início da atual gestão. Para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os juros elevados atrapalham o crescimento e prejudicam a população de menor renda.
Marinho, alinhado a esse discurso, tenta pressionar para que o Copom acelere o ciclo de queda da Selic, atualmente em 15%. Analistas de mercado, porém, avaliam que o Banco Central busca prudência diante de incertezas fiscais e externas.
Com informações de: Poder360



