A falta de médicos em algumas regiões do Brasil é uma questão preocupante. Uma das razões por trás dessa escassez é a relutância dos médicos residentes em trabalhar no Sistema Único de Saúde (SUS) após concluírem suas residências.
Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) entrevistou 1.614 médicos e trouxe dados importantes sobre os motivos que levam os médicos residentes a evitar o SUS. Confira os resultados do levantamento.
Por que faltam médicos residentes no SUS?
A residência médica é um período de especialização e treinamento prático para médicos recém-formados, sendo um passo fundamental na formação dos profissionais de saúde. Nesse sentido, o SUS desempenha um papel crucial na formação desses profissionais, sendo responsável pelo financiamento e realização da maior parte das residências no país.
Apesar disso, após a conclusão da residência, muitos médicos optam por não continuar no sistema público. O estudo Demografia Médica 2023, conduzido pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), revelou que a maioria dos médicos residentes não pretende trabalhar exclusivamente no SUS após o término de suas residências.
Além disso, o estudo mostrou vários motivos que levam os médicos residentes a se afastarem do SUS após a conclusão de suas residências, como:
- Competitividade salarial com o mercado privado;
- Condições de trabalho inadequadas no setor público;
- Falta de infraestrutura e recursos nos hospitais públicos;
- Deficiências na gestão e administração do SUS.
Dessa forma, este cenário contribui para a falta de médicos em várias áreas do país, especialmente nas regiões mais carentes.
Regiões que mais faltam médicos
De acordo com o estudo Demografia Médica 2023, a distribuição de médicos residentes no Brasil é desigual, com a maior concentração na região Sudeste (56%) e a menor no Norte (4%). Estados como Roraima e Amapá possuem menos de cem residentes somados.
Essa desigualdade pode ser explicada por fatores como a concentração de hospitais e instituições de ensino nas áreas mais desenvolvidas e a falta de incentivos para a permanência desses profissionais nas regiões menos favorecidas.
Por isso é muito importante que sejam criadas políticas públicas para fazer com que trabalhar no SUS seja mais atrativo e assim, evitar a saída de médicos residentes do sistema público.
Imagem: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
