Nos bastidores do poder, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem recebido uma sequência de “presentes” do Congresso Nacional que reforçam sua posição rumo à eleição presidencial de 2026. Em pouco mais de dois anos e meio de mandato, o governo consolidou uma ampla base de apoio para aprovar medidas de impacto social e arrecadatório, muitas delas com aval de partidos do Centrão, que, apesar do discurso oposicionista, na prática colaboram com o Planalto.
Entre programas sociais reforçados, isenções fiscais para a população mais pobre e mecanismos para aumentar a arrecadação, o conjunto de iniciativas já soma R$ 251,9 bilhões em recursos que poderão ser utilizados para movimentar a economia, fortalecer a imagem do presidente e consolidar uma narrativa de governo popular e protetivo, essencial em tempos de juros altos e baixo crescimento.
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Congresso analisa propostas para aumentar a licença paternidade

Isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil: medida que impacta 10 milhões
Texto deve ser votado ainda em setembro
Uma das principais apostas do governo para impulsionar a aprovação popular é a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais. A proposta, que atingirá cerca de 10 milhões de contribuintes, deverá ser votada ainda em setembro, segundo o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Custo e compensação fiscal
A medida trará um impacto fiscal de R$ 31,3 bilhões, mas o governo já previu a compensação via aumento da taxação sobre super-ricos, como os titulares de fundos exclusivos e offshores. Na prática, a mudança devolve renda à classe média e baixa, gerando estímulo ao consumo e favorecendo diretamente a percepção popular do governo.
Bolsa Família reformulado com adicionais: principal trunfo social
Mínimo de R$ 600 e novos bônus por dependente
O novo Bolsa Família, reformulado em 2023 com o apoio do Congresso, mantém o valor base de R$ 600 e incorpora adicionais entre R$ 50 e R$ 150 por crianças, gestantes e adolescentes. Em setembro de 2025, o valor médio do benefício foi de R$ 682,22, com mais de 19 milhões de famílias atendidas.
Legado de Bolsonaro, reestruturado por Lula
Embora o benefício tenha sido turbinado no fim do governo Bolsonaro de forma emergencial, a institucionalização dos novos valores e critérios foi uma iniciativa do presidente Lula, com apoio expressivo do Congresso. A medida reforça o caráter social da gestão petista e é um elemento central da campanha de reeleição.
Programa Pé-de-Meia: aposta no voto jovem

Renda para estudantes do ensino médio
Criado em 2024, o Pé-de-Meia é uma poupança para estudantes da rede pública com o objetivo de combater a evasão escolar. Com valores que podem chegar a R$ 9.200 por aluno ao final do ciclo, o programa beneficia cerca de 4 milhões de estudantes.
Público jovem e estratégico
A maior parte dos beneficiários está na faixa entre 16 e 24 anos – faixa etária que inclui milhões de novos eleitores em 2026. Os pagamentos incluem incentivos por matrícula, frequência, conclusão de série e participação no ENEM, funcionando como um mecanismo de fidelização política com a juventude.
PEC dos Precatórios: mais R$ 12 bilhões no orçamento de 2026
Texto aprovado em 9 de setembro
A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) dos Precatórios, promulgada pelo Congresso em 9 de setembro de 2025, limita o pagamento de dívidas judiciais da União e abre espaço de R$ 12 bilhões no orçamento de 2026.
Alcolumbre articula a favor do Planalto
A PEC teve apoio decisivo do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), aliado do Planalto em pautas-chave. A medida é estratégica: libera recursos sem violar o arcabouço fiscal e pode ser utilizada em ações de alto impacto eleitoral.
Pré-Sal fora do teto: mais R$ 1,5 bilhão por ano para saúde e educação
Fundo Social excluído do novo arcabouço
A Câmara dos Deputados também avançou com o projeto que exclui os recursos do Fundo Social do Pré-Sal do limite de gastos, permitindo R$ 1,5 bilhão por ano por cinco anos para despesas em saúde e educação. A proposta aguarda votação final no plenário.
Discurso técnico, impacto político
Apesar do discurso de viés técnico, a medida permite ao governo reforçar áreas sensíveis ao eleitorado, principalmente em municípios pobres, onde o acesso a serviços básicos ainda é precário.
Medidas provisórias injetam R$ 15,3 bilhões na economia
MPs 1.316 e 1.306 no radar do Congresso
As MPs em tramitação devem liberar R$ 15,3 bilhões em créditos extraordinários, com impacto direto já no início de 2026. Elas preveem reforço para programas de infraestrutura, saúde, e recomposição de perdas do FPM (Fundo de Participação dos Municípios).
Tempo cirúrgico
A liberação dos recursos está programada para o segundo semestre, com efeitos econômicos visíveis nos primeiros meses do ano eleitoral. A estratégia repete movimentos clássicos de governos em busca da reeleição.
Medidas arrecadatórias aprovadas com apoio do Congresso
Além da expansão do gasto social, o Congresso também aprovou medidas importantes para fortalecer a arrecadação do governo, algumas delas bastante sensíveis:
Reforma tributária
Aprovada em 2023 e regulamentada ao longo de 2024 e 2025, a reforma tributária unifica tributos sobre consumo e promete simplificar o sistema, com efeito positivo na arrecadação futura e no discurso de modernização do país.
Tributação de fundos exclusivos e offshores
O Congresso aprovou em 2024 a taxação de fundos exclusivos e offshores, cobrando mais dos super-ricos e criando narrativa de justiça fiscal que favorece a imagem do governo.
Voto de qualidade no Carf
A retomada do voto de desempate a favor do governo no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) foi outra vitória relevante para evitar perdas bilionárias em disputas tributárias.
Taxação das apostas e da importação de varejo
O governo também conseguiu tributar apostas esportivas e derrubou a isenção para importações de até US$ 50, conhecida como “taxa das blusinhas”. Ambas geram relevante aumento na arrecadação e no controle de mercado.
A vitória no STF sobre o IOF: reação ao Congresso
Aumento do IOF derrubado e restabelecido
Em maio de 2025, o governo publicou um decreto elevando o IOF. A medida foi revogada pelo Congresso via PDL, mas o Planalto recorreu ao Supremo Tribunal Federal.
O ministro Alexandre de Moraes deu razão ao Executivo, mantendo o aumento. Em junho, o IOF arrecadou R$ 8,02 bilhões, alta de 38,8% sobre 2024. A vitória mostra que, mesmo em disputas, o governo tem instrumentos jurídicos e apoio institucional.
Centrão: discurso crítico, apoio prático
Apesar de manter um discurso de independência e crítica pública, o Centrão tem apoiado o governo em pautas centrais, muitas vezes negociando cargos e verbas em troca de apoio legislativo. O resultado é um ambiente de governabilidade sem rupturas.
A avaliação interna do Planalto é que essa colaboração velada garante estabilidade para o projeto de reeleição, principalmente diante de uma oposição fragmentada.
Oposição em alerta: Tarcísio reconhece força de Lula

Dificuldade para a direita em 2026
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reconhece em conversas com aliados que Lula é o favorito para 2026. Ele teme que uma eventual candidatura presidencial abra espaço para adversários no comando de São Paulo, enfraquecendo o campo da direita.
Com recursos garantidos, programas sociais robustos, apoio legislativo e narrativas populares, Lula se consolida como nome fortíssimo para reeleição.
Imagem: Agência Brasil




