O debate sobre a licença paternidade ganha força no Congresso Nacional, impulsionado por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). Atualmente limitada a cinco dias, a proposta de ampliação para 15 dias busca alinhar o Brasil a padrões internacionais e atender às demandas sociais por maior participação dos pais na criação dos filhos. A discussão envolve aspectos legais, sociais, econômicos e culturais, com repercussões tanto para as famílias quanto para o mercado de trabalho.
Congresso analisa propostas para aumentar a licença paternidade
Congresso analisa propostas para ampliar a licença paternidade. Estudos apontam impactos positivos para famílias, mercado de trabalho e empresas.
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O cenário legislativo e o papel do STF

A licença paternidade é um direito previsto na Constituição Federal de 1988, mas sua regulamentação foi insuficiente ao longo das décadas. O STF, em decisão de 2023, concedeu prazo de 18 meses para que o Congresso regulamente a matéria. Essa determinação acelerou a tramitação de propostas que já estavam em discussão, mas sem grandes avanços.
A proposta atual de ampliação
O texto mais discutido atualmente prevê a ampliação de cinco para 15 dias de afastamento remunerado, tempo considerado mais adequado para fortalecer o vínculo familiar e oferecer suporte às mães no pós-parto. No entanto, existem projetos que sugerem períodos ainda maiores, variando de 30 a 60 dias, além de propostas de licenças parentais compartilhadas.
Panorama internacional como referência
Na América Latina, o período de licença paternidade varia de dois a 14 dias. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) recomenda ao menos 14 dias, o que reforça a defasagem brasileira. Em países europeus, como Espanha e Finlândia, o modelo é ainda mais avançado, com licenças parentais que chegam a um ano, divididas entre pais e mães.
A importância da licença paternidade para a sociedade
Benefícios para o vínculo familiar
Pesquisas apontam que o tempo dedicado pelo pai nos primeiros dias de vida do bebê influencia diretamente no desenvolvimento infantil. O vínculo paterno fortalecido contribui para a saúde emocional da criança, melhora a dinâmica familiar e favorece a divisão de responsabilidades no cuidado com os filhos.
Impactos na saúde da mãe
O apoio do pai no período pós-parto é fundamental para a recuperação física e emocional da mãe. A ampliação da licença paternidade contribui para reduzir sobrecargas, ajuda na prevenção de casos de depressão pós-parto e promove uma relação mais equilibrada na divisão de tarefas domésticas e de cuidados.
Reflexos no mercado de trabalho
De acordo com o Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), a extensão da licença paternidade não traz impacto negativo na empregabilidade masculina. Pelo contrário, favorece o equilíbrio de gênero nas empresas e pode gerar efeitos positivos na produtividade e retenção de talentos.
Estudos e evidências sobre os efeitos da ampliação
O Made analisou mais de 50 estudos internacionais, agrupando evidências em cinco eixos principais:
- Mercado de trabalho: não há prejuízos significativos para os homens e, em alguns contextos, benefícios para as mulheres no curto prazo.
- Divisão do trabalho doméstico: há maior equilíbrio e engajamento dos homens nas tarefas familiares, principalmente em países com economia em desenvolvimento.
- Vínculo paterno-filho: o contato mais intenso desde os primeiros dias promove laços emocionais sólidos.
- Desenvolvimento infantil: crianças com maior interação paterna apresentam resultados melhores em aspectos cognitivos e socioemocionais.
- Impactos nas empresas: maior retenção de profissionais, aumento da satisfação e ganhos em produtividade.
O custo-benefício da medida
Embora o aumento da licença represente custo adicional para as empresas e para o Estado, os estudos sugerem que os benefícios sociais e econômicos superam os gastos. A pesquisadora Eslen Silva de Andrade Brito, do Made, destaca que os resultados positivos estão presentes em todas as esferas analisadas, reforçando a validade da política pública.
O debate no Congresso Nacional
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Propostas em tramitação
Entre os projetos que tramitam, alguns defendem a ampliação para 15 dias, enquanto outros sugerem 30 ou até 60 dias. Há ainda propostas de criação de licença parental, que poderia ser dividida entre mãe e pai, ampliando a flexibilidade.
Expectativas para a votação
O tema deve ser votado ainda neste semestre, com apoio de diferentes setores sociais e empresariais. No entanto, há divergências sobre os custos e sobre a viabilidade de uma licença mais extensa no atual cenário econômico.
Comparações com outros países
A experiência internacional mostra que a ampliação da licença paternidade pode trazer transformações culturais profundas. Na Noruega, por exemplo, a licença parental é amplamente compartilhada, resultando em maior engajamento paterno e em avanços significativos na igualdade de gênero. Já na Espanha, os 16 semanas de licença para pais e mães refletem uma abordagem de equidade que o Brasil ainda busca alcançar.
Perspectivas futuras para a política familiar no Brasil
A discussão sobre a licença paternidade vai além do tempo de afastamento. Trata-se de uma política que pode influenciar diretamente a forma como a sociedade enxerga o papel dos pais e das mães. A expectativa é de que o avanço no Congresso sinalize um movimento em direção a maior igualdade de gênero e fortalecimento das famílias brasileiras.
Um passo necessário para famílias mais fortes

A ampliação da licença paternidade é um passo essencial para modernizar a legislação brasileira e aproximá-la das recomendações internacionais. Os estudos apontam que os benefícios sociais, emocionais e econômicos superam os custos. A decisão que o Congresso deve tomar não afeta apenas os pais, mas toda a sociedade, já que promove maior equilíbrio nas relações familiares e maior apoio ao desenvolvimento das crianças.
