Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

MEI e PJ: como garantir renda na aposentadoria por conta própria

MEI e PJ precisam planejar cedo para garantir uma aposentadoria tranquila. Veja como contribuir ao INSS, investir e escolher entre PGBL e VGBL.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto6 min de leitura
MEI PJ aposentadoria

Com o avanço da formalização do trabalho autônomo, muitos profissionais atuam como MEI (Microempreendedor Individual) ou PJ (Pessoa Jurídica). Apesar das vantagens de empreender, a aposentadoria ainda é um tema desafiador para esses trabalhadores. Sem um empregador que contribua automaticamente ao INSS, o futuro financeiro depende de organização e escolhas inteligentes.

Neste artigo, explicamos como funciona a aposentadoria para MEIs e PJs, os caminhos possíveis para garantir renda no futuro e as estratégias para investir de forma eficiente.

Leia Mais:

Valor esquecido do PIS/Pasep é liberado; veja se você tem direito!


Aposentadoria para MEIs: regras e alternativas

MEIs
Imagem: Freepik e Canva

Contribuição básica garante o mínimo

Quem opta pelo regime de MEI paga mensalmente 5% do salário mínimo ao INSS — valor já incluso na guia do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS-MEI). Em 2025, esse valor corresponde a R$ 75,90. Com essa contribuição, o empreendedor tem acesso à aposentadoria por idade, além de outros benefícios como:

  • Auxílio-doença
  • Salário-maternidade
  • Pensão por morte

Para ter direito à aposentadoria, é necessário cumprir os seguintes requisitos:

  • Homens: 65 anos de idade
  • Mulheres: 62 anos de idade
  • 180 meses de contribuição (15 anos)

Contribuição complementar para aumentar o valor da aposentadoria

Apesar de acessível, a contribuição básica do MEI limita o valor da aposentadoria a um salário mínimo. Quem deseja receber mais do que isso deve complementar a contribuição. Segundo a planejadora financeira Taís Magalhães, uma alternativa é pagar uma guia extra como contribuinte individual, adicionando 15% sobre o salário mínimo. Dessa forma, o total chega a 20%, permitindo aposentadorias maiores, conforme a média dos salários de contribuição.

Esse recurso pode ser especialmente vantajoso para quem já teve períodos de contribuição como CLT, com salários mais altos registrados no histórico do INSS.


Aposentadoria para PJs: mais liberdade, mais responsabilidade

Como o PJ contribui

O profissional PJ, que atua por meio de uma empresa individual ou sociedade, deve contribuir ao INSS como contribuinte individual. As alíquotas variam de acordo com o tipo de cliente:

  • 11% sobre o pró-labore quando presta serviços para empresas
  • 20% sobre o pró-labore quando atende pessoas físicas

Diferentemente do MEI, o PJ pode contribuir com valores mais altos, inclusive até o teto do INSS, que em 2025 está em R$ 8.157,41. Isso significa que a aposentadoria do PJ, caso bem planejada, pode alcançar patamares superiores.

Direito aos mesmos benefícios

Mesmo contribuindo como PJ, o profissional tem direito aos benefícios previdenciários oferecidos pelo INSS:

  • Aposentadoria por idade ou por tempo de contribuição (caso cumpra os critérios)
  • Auxílio-doença
  • Salário-maternidade
  • Pensão por morte

No entanto, como as contribuições não são automáticas, é essencial manter os pagamentos em dia para não comprometer a contagem de tempo e o acesso aos direitos.


Previdência Privada: aliada importante na aposentadoria

INSS
Imagem: Brenda Rocha – Blossom / Shutterstock.com

Diferenças entre PGBL e VGBL

A previdência privada é uma alternativa complementar ao INSS. Entre os produtos disponíveis, os mais comuns são os planos PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) e VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre). A escolha entre um e outro depende principalmente da forma como o profissional declara o Imposto de Renda.

PGBL: indicado para quem declara no modelo completo

O plano PGBL permite deduzir até 12% da renda tributável na declaração anual do Imposto de Renda. Por isso, é mais indicado para quem opta pelo modelo completo de declaração. No entanto, no momento do resgate, o imposto incide sobre o valor total investido, incluindo os aportes e os rendimentos.

VGBL: ideal para quem usa o modelo simplificado

Já o VGBL não oferece dedução na declaração, mas, em compensação, o imposto é cobrado apenas sobre os rendimentos no momento do resgate. Essa característica o torna mais vantajoso para quem opta pelo modelo simplificado do IR.


Quanto é necessário acumular para garantir uma boa aposentadoria?

Perguntas que ajudam a definir o valor ideal

Não existe um valor único para todos. O quanto cada profissional precisa acumular para se aposentar com conforto depende de diversos fatores. Taís Magalhães propõe as seguintes perguntas para começar o planejamento:

  • Qual é o seu custo de vida atual?
  • Até que idade você pretende trabalhar?
  • Qual sua expectativa de vida?
  • Quais investimentos ou poupanças você já possui?
  • Quais seus planos antes da aposentadoria (compra de imóvel, viagens, filhos)?
  • Qual será sua renda prevista pelo INSS?

Exemplo prático de cálculo

Imagine que uma pessoa deseja receber R$ 5 mil por mês na aposentadoria. Se o INSS garantirá apenas R$ 1.412 (valor do salário mínimo em 2025), será necessário garantir uma renda complementar de R$ 3.588.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Assumindo uma retirada mensal de 0,5% do patrimônio acumulado (considerando uma rentabilidade líquida de 6% ao ano), essa pessoa precisaria de aproximadamente R$ 717 mil investidos ao se aposentar.


A importância de considerar a inflação

Planejar a aposentadoria exige atenção ao longo prazo. Um dos principais desafios é a inflação. O que R$ 5 mil compram hoje pode ser bem diferente em 20 ou 30 anos.

“O planejamento precisa considerar o rendimento real dos investimentos, ou seja, o quanto eles rendem acima da inflação. Só assim é possível garantir poder de compra no futuro”, alerta Taís.


Escolha do investimento de acordo com o perfil e a idade

mei Reforma tributária vai melhorar a vida de quem é MEI? Entenda DAS
Imagem: Freepik/Edição: Seu Crédito Digital

Jovens podem assumir mais riscos

Quem está começando a carreira e tem décadas até a aposentadoria pode diversificar mais e incluir investimentos com maior risco e retorno, como:

  • Ações
  • Fundos multimercados
  • Fundos imobiliários

Próximos da aposentadoria devem priorizar segurança

Profissionais acima dos 50 anos devem adotar uma postura mais conservadora, migrando gradualmente para ativos de renda fixa, como:

  • Tesouro IPCA
  • Fundos de renda fixa
  • CDBs de bancos de primeira linha

A ideia é reduzir a volatilidade do portfólio e preservar o capital acumulado.


Conclusão: começar cedo é o segredo

Para MEIs e PJs, a aposentadoria não é automática. Ela precisa ser planejada com disciplina e estratégia. O INSS pode oferecer uma base, mas dificilmente será suficiente para garantir o padrão de vida desejado.

Diversificar é o caminho: a combinação entre INSS, previdência privada e investimentos bem estruturados pode garantir uma aposentadoria tranquila.

“Mais do que escolher entre INSS, previdência privada ou investimentos, o importante é ter um plano sólido e começar o quanto antes. Quanto mais cedo você se organiza, menos precisa poupar por mês para atingir seu objetivo”, finaliza Taís Magalhães.

Imagem: Freepik e Canva

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

Topicos relacionados