A licença-paternidade no Brasil passou por uma mudança significativa com a sanção da Lei nº 15.371, de 31 de março de 2026. A nova legislação amplia o direito ao afastamento remunerado e, pela primeira vez, inclui categorias como microempreendedores individuais (MEIs), autônomos, empregados domésticos e segurados especiais do INSS.
MEI pode ter licença-paternidade? Entenda as regras atuais
Nova lei garante licença-paternidade para MEI e autônomos. Veja regras, prazos e como funciona o benefício.
Apesar do avanço, a implementação será gradual e só começa a valer a partir de 2027. Até lá, continuam em vigor as regras atuais, especialmente para trabalhadores com carteira assinada.
Neste artigo, você vai entender como funciona a nova licença-paternidade, quem tem direito, quais são os prazos e o que muda para o MEI.
MEI pode ter licença-paternidade?
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Sim. Com a nova legislação, o MEI passa a ter direito à licença-paternidade com pagamento por meio da Previdência Social.
Essa é uma mudança relevante, já que antes o benefício estava, na prática, restrito a trabalhadores com vínculo formal regido pela CLT. Agora, o acesso ao direito é ampliado para diferentes perfis de contribuintes do INSS.
O que muda?
Para o microempreendedor individual, a principal mudança é a criação do chamado salário-paternidade, que funcionará de forma semelhante ao salário-maternidade.
Isso significa que:
- O pagamento será feito diretamente pelo INSS
- Será necessário cumprir requisitos de contribuição
Essa inclusão fortalece a proteção social para quem trabalha por conta própria, um cenário cada vez mais comum no Brasil.
Quando a nova regra entra em vigor?
Apesar de já ter sido sancionada, a lei só passa a valer em 1º de janeiro de 2027.
Até essa data:
- Trabalhadores CLT seguem com 5 dias de licença-paternidade
- O pagamento continua sendo feito diretamente pela empresa
- MEIs e autônomos ainda não têm acesso ao benefício
Cronograma da nova licença-paternidade
A ampliação do tempo de afastamento será feita de forma gradual. Veja como ficará:
| Ano | Duração da licença-paternidade |
|---|---|
| 2027 | 10 dias |
| 2028 | 15 dias |
| 2029 | 20 dias |
Esse cronograma permite uma adaptação progressiva tanto para o sistema previdenciário quanto para os trabalhadores.
Quem tem direito ao novo benefício?
A nova lei amplia significativamente o alcance da licença-paternidade. Passam a ter direito:
- Microempreendedores individuais (MEIs)
- Trabalhadores autônomos
- Empregados domésticos
- Segurados especiais do INSS
- Trabalhadores com carteira assinada
Diferença no pagamento
Há uma diferença importante na forma de pagamento:
- CLT: empresa paga e depois é reembolsada pelo INSS
- Demais segurados (incluindo MEI): pagamento direto pelo INSS
Essa mudança cria um modelo mais uniforme e semelhante ao da licença-maternidade.
Quando a licença-paternidade pode ser prorrogada?
A legislação também prevê situações específicas em que o período de afastamento pode ser ampliado.
Internação da mãe ou do bebê
Se houver internação relacionada ao parto:
- A contagem da licença começa apenas após a alta
- O período de internação é somado ao benefício
Criança com deficiência
Nesses casos, a licença é ampliada em um terço:
| Ano | Duração padrão | Duração ampliada |
|---|---|---|
| 2027 | 10 dias | 13 dias |
| 2028 | 15 dias | 20 dias |
| 2029 | 20 dias | 27 dias |
Situações excepcionais
Em alguns casos, a licença-paternidade pode equivaler à licença-maternidade (120 dias):
- Adoção unilateral
- Ausência do nome da mãe no registro
- Falecimento da mãe
Essa medida busca garantir a proteção integral da criança.
Há estabilidade no emprego?
Sim. A nova lei prevê estabilidade provisória:
- O trabalhador não pode ser demitido sem justa causa por 1 mês após o retorno
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Essa proteção é válida especialmente para trabalhadores formais, mas reforça o caráter social da medida.
Quando o benefício pode ser negado?
A legislação também estabelece regras claras para evitar o uso indevido da licença.
O benefício pode ser suspenso ou negado em casos como:
- Exercício de atividade remunerada durante a licença
- Abandono material do filho
- Situações de violência doméstica ou familiar
Ou seja, o afastamento deve ser dedicado exclusivamente ao cuidado com a criança.
O que o MEI precisa fazer para ter direito?
Embora a regulamentação detalhada ainda dependa de normas complementares, algumas regras já são esperadas com base no modelo previdenciário:
Requisitos prováveis
- Estar com o pagamento do DAS em dia
- Ter qualidade de segurado do INSS
- Cumprir carência mínima (a ser definida em regulamentação)
Dica prática
Na prática, o MEI deve manter suas contribuições regulares para garantir acesso ao benefício quando a lei entrar em vigor.
Impacto da nova lei no Brasil
A ampliação da licença-paternidade acompanha mudanças sociais importantes:
- Crescimento do trabalho autônomo e informal
- Necessidade de políticas públicas mais inclusivas
Dados recentes mostram que milhões de brasileiros atuam como MEI, o que torna essa mudança especialmente relevante do ponto de vista social e econômico.
Considerações finais
A nova lei da licença-paternidade representa um avanço importante na proteção social no Brasil. Ao incluir MEIs, autônomos e outras categorias, o país amplia o acesso a um direito fundamental, alinhando-se a uma realidade de trabalho mais diversa.
Apesar de só entrar em vigor em 2027, o planejamento já é essencial, principalmente para microempreendedores que desejam garantir o benefício no futuro.
A criação do salário-paternidade também marca uma mudança estrutural, trazendo mais equilíbrio entre diferentes tipos de trabalhadores e fortalecendo o papel da Previdência Social.
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
