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MEI pode ter licença-paternidade? Entenda as regras atuais

Nova lei garante licença-paternidade para MEI e autônomos. Veja regras, prazos e como funciona o benefício.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
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A licença-paternidade no Brasil passou por uma mudança significativa com a sanção da Lei nº 15.371, de 31 de março de 2026. A nova legislação amplia o direito ao afastamento remunerado e, pela primeira vez, inclui categorias como microempreendedores individuais (MEIs), autônomos, empregados domésticos e segurados especiais do INSS.

Apesar do avanço, a implementação será gradual e só começa a valer a partir de 2027. Até lá, continuam em vigor as regras atuais, especialmente para trabalhadores com carteira assinada.

Neste artigo, você vai entender como funciona a nova licença-paternidade, quem tem direito, quais são os prazos e o que muda para o MEI.

MEI pode ter licença-paternidade?

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Sim. Com a nova legislação, o MEI passa a ter direito à licença-paternidade com pagamento por meio da Previdência Social.

Essa é uma mudança relevante, já que antes o benefício estava, na prática, restrito a trabalhadores com vínculo formal regido pela CLT. Agora, o acesso ao direito é ampliado para diferentes perfis de contribuintes do INSS.

O que muda?

Para o microempreendedor individual, a principal mudança é a criação do chamado salário-paternidade, que funcionará de forma semelhante ao salário-maternidade.

Isso significa que:

  • O pagamento será feito diretamente pelo INSS
  • Será necessário cumprir requisitos de contribuição

Essa inclusão fortalece a proteção social para quem trabalha por conta própria, um cenário cada vez mais comum no Brasil.

Quando a nova regra entra em vigor?

Apesar de já ter sido sancionada, a lei só passa a valer em 1º de janeiro de 2027.

Até essa data:

  • Trabalhadores CLT seguem com 5 dias de licença-paternidade
  • O pagamento continua sendo feito diretamente pela empresa
  • MEIs e autônomos ainda não têm acesso ao benefício

Cronograma da nova licença-paternidade

A ampliação do tempo de afastamento será feita de forma gradual. Veja como ficará:

AnoDuração da licença-paternidade
202710 dias
202815 dias
202920 dias

Esse cronograma permite uma adaptação progressiva tanto para o sistema previdenciário quanto para os trabalhadores.

Quem tem direito ao novo benefício?

A nova lei amplia significativamente o alcance da licença-paternidade. Passam a ter direito:

  • Microempreendedores individuais (MEIs)
  • Trabalhadores autônomos
  • Empregados domésticos
  • Segurados especiais do INSS
  • Trabalhadores com carteira assinada

Diferença no pagamento

Há uma diferença importante na forma de pagamento:

  • CLT: empresa paga e depois é reembolsada pelo INSS
  • Demais segurados (incluindo MEI): pagamento direto pelo INSS

Essa mudança cria um modelo mais uniforme e semelhante ao da licença-maternidade.

Quando a licença-paternidade pode ser prorrogada?

A legislação também prevê situações específicas em que o período de afastamento pode ser ampliado.

Internação da mãe ou do bebê

Se houver internação relacionada ao parto:

  • A contagem da licença começa apenas após a alta
  • O período de internação é somado ao benefício

Criança com deficiência

Nesses casos, a licença é ampliada em um terço:

AnoDuração padrãoDuração ampliada
202710 dias13 dias
202815 dias20 dias
202920 dias27 dias

Situações excepcionais

Em alguns casos, a licença-paternidade pode equivaler à licença-maternidade (120 dias):

  • Adoção unilateral
  • Ausência do nome da mãe no registro
  • Falecimento da mãe

Essa medida busca garantir a proteção integral da criança.

Há estabilidade no emprego?

Sim. A nova lei prevê estabilidade provisória:

  • O trabalhador não pode ser demitido sem justa causa por 1 mês após o retorno

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Essa proteção é válida especialmente para trabalhadores formais, mas reforça o caráter social da medida.

Quando o benefício pode ser negado?

A legislação também estabelece regras claras para evitar o uso indevido da licença.

O benefício pode ser suspenso ou negado em casos como:

  • Exercício de atividade remunerada durante a licença
  • Abandono material do filho
  • Situações de violência doméstica ou familiar

Ou seja, o afastamento deve ser dedicado exclusivamente ao cuidado com a criança.

O que o MEI precisa fazer para ter direito?

Embora a regulamentação detalhada ainda dependa de normas complementares, algumas regras já são esperadas com base no modelo previdenciário:

Requisitos prováveis

  • Estar com o pagamento do DAS em dia
  • Ter qualidade de segurado do INSS
  • Cumprir carência mínima (a ser definida em regulamentação)

Dica prática

Na prática, o MEI deve manter suas contribuições regulares para garantir acesso ao benefício quando a lei entrar em vigor.

Impacto da nova lei no Brasil

A ampliação da licença-paternidade acompanha mudanças sociais importantes:

  • Crescimento do trabalho autônomo e informal
  • Necessidade de políticas públicas mais inclusivas

Dados recentes mostram que milhões de brasileiros atuam como MEI, o que torna essa mudança especialmente relevante do ponto de vista social e econômico.

Considerações finais

A nova lei da licença-paternidade representa um avanço importante na proteção social no Brasil. Ao incluir MEIs, autônomos e outras categorias, o país amplia o acesso a um direito fundamental, alinhando-se a uma realidade de trabalho mais diversa.

Apesar de só entrar em vigor em 2027, o planejamento já é essencial, principalmente para microempreendedores que desejam garantir o benefício no futuro.

A criação do salário-paternidade também marca uma mudança estrutural, trazendo mais equilíbrio entre diferentes tipos de trabalhadores e fortalecendo o papel da Previdência Social.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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