A startup brasileira Méliuz, conhecida por seu modelo de cashback, conquistou atenção nacional e internacional ao anunciar a adoção do Bitcoin como parte de sua estratégia de reserva de valor. O movimento ousado refletiu diretamente na valorização de suas ações, que subiram mais de 175% em apenas um mês.
Méliuz adota Bitcoin como reserva estratégica e ações disparam 175% com apoio de Michael Saylor
A Méliuz adotou o Bitcoin como reserva de valor, impulsionando suas ações em mais de 175%. A empresa brasileira se junta ao movimento liderado por Michael Saylor.
O que poderia parecer apenas mais uma aposta no mercado de criptoativos se revelou uma ação corporativa cuidadosamente orquestrada, com histórico de integração ao setor, apoio institucional e articulações com grandes nomes do universo Bitcoin, como Michael Saylor, fundador da MicroStrategy.
Neste artigo, destrinchamos como a trajetória da Méliuz no mercado de criptomoedas evoluiu até a adoção do Bitcoin como ativo estratégico, e o que isso significa para o futuro das empresas brasileiras listadas na B3.
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A escalada das ações da Méliuz: 175% em 30 dias

Em março de 2025, a Méliuz anunciou a aquisição de 45,72 Bitcoins, o equivalente a aproximadamente US$ 4,1 milhões ou R$ 23 milhões na cotação da época. O montante representa cerca de 10% do caixa da empresa, um valor expressivo, sobretudo para uma companhia de tecnologia listada na bolsa brasileira.
O resultado desse anúncio foi imediato: as ações da empresa subiram mais de 175% nos 30 dias seguintes, um fenômeno que reacendeu o interesse de investidores e analistas sobre o papel das criptomoedas nas estratégias corporativas.
Repercussão no mercado
A decisão da Méliuz a posicionou como a primeira empresa listada na B3 a alocar parte significativa de seu caixa em Bitcoin como estratégia de tesouraria. Esse movimento não só elevou o valor de mercado da companhia, como também ampliou sua visibilidade na mídia e entre os investidores de varejo e institucionais.
Bitcoin como tesouraria: mudança estatutária e visão de longo prazo
Para institucionalizar a nova política, a Méliuz realizou em abril de 2025 uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE). O objetivo era aprovar a alteração do objeto social da empresa, permitindo a inclusão de investimentos em Bitcoin e outros criptoativos como parte oficial da estratégia de negócios.
A proposta foi aprovada pelos acionistas, abrindo espaço para futuras alocações de capital em Bitcoin e consolidando a visão de longo prazo da companhia no setor.
Declarações do CEO Israel Salmen
Em comunicado, Israel Salmen, fundador e CEO da Méliuz, afirmou que a iniciativa busca diversificar os investimentos da companhia e incentivar a adoção institucional do Bitcoin no Brasil:
“Vemos o Bitcoin como uma reserva de valor sólida e descentralizada. Acreditamos que essa decisão pode inspirar outras empresas brasileiras a explorar alternativas ao modelo tradicional de gestão de caixa.”
Alinhamento com Michael Saylor e a iniciativa ‘Bitcoin For Corporations’
Pouco após o anúncio da compra de Bitcoin, Salmen se reuniu com Michael Saylor, um dos maiores defensores institucionais do BTC. Saylor é o fundador da MicroStrategy e idealizador do evento ‘Bitcoin For Corporations’, que incentiva empresas globais a adotar o Bitcoin como parte de sua estratégia financeira.
Com essa aproximação, a Méliuz se juntou oficialmente à iniciativa liderada por Saylor, ampliando sua rede de contatos com empresas que já investem em Bitcoin, como Tesla, Block e Coinbase.
Esse posicionamento aproxima a startup brasileira de um movimento corporativo global que vê o BTC como um ativo de proteção contra inflação, desvalorização cambial e instabilidade fiscal.
Histórico da Méliuz no universo cripto
2021: Aquisição do AlterBank e integração com criptoativos
A jornada da Méliuz no setor cripto teve início em julho de 2021, com a aquisição do AlterBank, banco digital voltado a criptomoedas como Bitcoin e Ethereum. Essa movimentação permitiu à empresa oferecer aos seus clientes contas digitais com suporte a ativos digitais e lançar o programa de cashback em Bitcoin (criptoback).
O cartão de crédito sem anuidade com retorno em BTC foi uma inovação que antecipava a tendência atual de integração de criptoativos ao varejo financeiro.
Acesso Bank (Bankly) e integração com Binance
No mesmo ano, a Méliuz também comprou a fintech Acesso Bank, posteriormente renomeada como Bankly. Essa empresa era responsável por intermediar as operações da exchange Binance no Brasil, ampliando ainda mais o alcance da Méliuz no ecossistema cripto.
2022: Conta digital própria com compra e venda de Bitcoin
Em janeiro de 2022, a Méliuz lançou sua própria conta digital com funcionalidades integradas, como Pix e compra e venda de Bitcoin via app. A iniciativa democratizou o acesso dos usuários ao mercado cripto, tornando o app da empresa um hub de finanças digitais.
Parceria com a Liqi e investimento estratégico
Poucos meses depois, em maio de 2022, a empresa firmou parceria com a Liqi, startup de tokenização e criptoativos fundada por Daniel Coquieri. A aliança incluiu um investimento direto da Méliuz, tornando-a acionista minoritária da Liqi.
Essa estratégia reforçou a posição da empresa como uma plataforma de serviços financeiros digitais com DNA cripto.
Cashback em Bitcoin: inovação no varejo digital

No final de 2022, a Méliuz anunciou o lançamento de seu cashback em Bitcoin em parceria com as exchanges BitPreço e Liqi. A funcionalidade permite aos usuários converter o valor acumulado em cashback diretamente em BTC, sem custos adicionais.
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+311 mil seguidores
Segundo Claret Sabioni, Head de Cripto na empresa, o sistema de cashback da Méliuz permite acumular entre 1% e 2% de retorno em compras com cartão, podendo chegar a 30% em ecommerces parceiros. O valor é convertido automaticamente em Bitcoin assim que o usuário atinge R$ 20 acumulados, tudo sem taxas de conversão.
De Belo Horizonte para a B3: a trajetória da startup
Fundada em Belo Horizonte, a Méliuz começou como uma startup voltada a programas de fidelidade mais vantajosos para o consumidor. Em 2012, participou do Startup Chile, um dos mais prestigiados programas de aceleração da América Latina, recebendo investimento e mentoria internacional.
Investimento de Fabrice Grinda e expansão física
Em 2015, a empresa recebeu investimento do empresário Fabrice Grinda, cofundador da OLX, o que viabilizou sua expansão para o mercado físico, passando a oferecer cashback em supermercados, farmácias e lojas de rua.
IPO pioneiro na B3
Em novembro de 2020, a Méliuz fez história ao se tornar a primeira startup brasileira a abrir capital na B3, a bolsa de valores brasileira. O IPO viabilizou a expansão de suas operações e a aquisição de novas plataformas, como:
- Picodi.com (site internacional de cupons)
- Promobit (plataforma de social commerce)
Perspectivas futuras: Méliuz como modelo para empresas brasileiras
Com a decisão de incorporar Bitcoin ao seu caixa, a Méliuz pode estar abrindo caminho para um novo paradigma corporativo no Brasil, semelhante ao que aconteceu nos EUA com empresas como MicroStrategy, Tesla e Block.
Em um cenário de inflação persistente, instabilidade monetária e juros voláteis, o Bitcoin surge como um ativo de proteção e diversificação para empresas que buscam preservar valor a longo prazo.
Potencial de influência sobre outras empresas
A adesão da Méliuz ao movimento ‘Bitcoin For Corporations’ pode ter efeito de rede, inspirando outras companhias brasileiras a considerar o BTC como parte de sua estrutura de capital.
A medida também tem implicações regulatórias e contábeis, que devem ser acompanhadas de perto por órgãos como CVM e Receita Federal.
Considerações finais
A estratégia adotada pela Méliuz representa um marco no ecossistema corporativo brasileiro. Mais do que uma simples alocação em um ativo volátil, a iniciativa sinaliza confiança na tese de longo prazo do Bitcoin como reserva de valor.
Com ações em forte valorização, parcerias estratégicas consolidadas e apoio de gigantes internacionais como Michael Saylor, a Méliuz pode estar traçando um caminho que outras empresas nacionais ainda vão seguir.
