A fintech brasileira Méliuz (CASH3) anunciou, nesta terça-feira (19), que está avaliando estratégias para captação de recursos com o objetivo de ampliar seus investimentos em Bitcoin (BTC). A operação poderá envolver uma oferta pública primária de ações (follow-on) no valor mínimo de R$ 150 milhões, com o BTG Pactual como coordenador da operação.
Méliuz mira R$ 150 milhões em follow-on para expandir tesouro de Bitcoin e liderar revolução cripto no Brasil
A Méliuz avalia captar R$ 150 milhões em oferta follow-on para ampliar sua exposição ao Bitcoin. A fintech é primeira "Bitcoin Treasury Company" da América Latina.
O anúncio marca um novo capítulo na trajetória da companhia, que recentemente passou por uma reestruturação estratégica para se tornar a primeira Bitcoin Treasury Company da América Latina, consolidando o Bitcoin como ativo-chave de sua missão empresarial.
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A guinada da Méliuz foi oficializada com a aprovação, em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) no último dia 15 de maio, de uma alteração no objeto social da empresa, autorizando a companhia a realizar investimentos regulares em Bitcoin.
O movimento não apenas simboliza uma mudança de perfil estratégico, mas também reposiciona a fintech como uma empresa cujo foco principal será maximizar a quantidade de Bitcoin por ação.
Em comunicado ao mercado, o diretor de relações com investidores e governança corporativa da empresa, Marcio Loures Penna, reforçou o compromisso da companhia:
“Mais do que apenas alocar parte do caixa em bitcoin como proteção contra a inflação ou desvalorização cambial, a companhia reposiciona seu propósito para atuar maximizando a quantidade de bitcoin por ação.”
Captação via follow-on: planos e possibilidades
De acordo com o comunicado oficial, a companhia não tomou ainda uma decisão definitiva quanto ao modelo de captação. Entre as alternativas consideradas, estão:
- Oferta pública primária de ações (follow-on) no montante mínimo de R$ 150 milhões;
- Emissão de títulos de dívida conversíveis em ações.
Apesar da indefinição, fontes internas afirmam que a estruturação da oferta via follow-on é o cenário mais provável, dependendo do sentimento dos investidores e condições dos mercados brasileiro e internacional.
A operação seria liderada pelo BTG Pactual, um dos maiores bancos de investimento da América Latina, responsável também por coordenar outras ofertas de capital intensivo em tecnologia e inovação.
Méliuz já detém mais de 320 BTC: histórico de compras
A fintech já deu um passo decisivo rumo ao seu novo propósito. Após a aprovação do novo objeto social, a Méliuz realizou a compra de US$ 28,4 milhões em Bitcoin, o equivalente a aproximadamente R$ 160 milhões na cotação da época.
Somando essa operação à primeira aquisição de BTC realizada em março de 2025, a empresa acumula 320,25 bitcoins, consolidando-se como um dos maiores detentores institucionais do ativo na América Latina.
Esse movimento coloca a empresa em pé de igualdade com gigantes globais como a MicroStrategy, que se notabilizou por transformar seu caixa corporativo em uma reserva estratégica de Bitcoin.
Reação do mercado: ações sobem, corrigem e acumulam ganhos expressivos
A mudança de posicionamento estratégico teve efeito imediato nas ações da empresa (CASH3). Após o anúncio da primeira grande aquisição de Bitcoin, os papéis da Méliuz registraram alta de 28,14% na sessão de sexta-feira (16).
No entanto, parte desses ganhos foi revertida no início da semana, com uma queda de 21,68% na segunda-feira (19), refletindo ajustes técnicos e realização de lucros.
Ainda assim, no acumulado de 2025, as ações da Méliuz valorizam-se mais de 204,73%, consolidando-se como a segunda maior alta da Bolsa de Valores brasileira, perdendo apenas para os papéis da Inepar, que acumulam valorização de 206,67% no mesmo período.
Bitcoin no centro da estratégia: riscos e oportunidades
Ao se declarar uma Bitcoin Treasury Company, a Méliuz adota uma estratégia de gestão patrimonial baseada no acúmulo contínuo de Bitcoin, transformando o criptoativo em um pilar de valor para seus acionistas.
Esse modelo tem sido liderado por empresas norte-americanas como a MicroStrategy, que detém mais de 200 mil BTC e já registrou lucros expressivos apenas com a valorização do ativo ao longo dos anos.
A adoção do modelo no Brasil é inédita, e pode abrir precedentes para outras empresas do setor de tecnologia e finanças, especialmente aquelas que lidam com alta liquidez e geração de caixa.
Riscos regulatórios e volatilidade do mercado
A principal crítica ao modelo de Bitcoin Treasury Company está relacionada à volatilidade inerente ao mercado de criptomoedas, bem como à falta de clareza regulatória no Brasil.
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Contudo, o avanço de propostas legislativas nos Estados Unidos e a crescente institucionalização do mercado, com ETFs de Bitcoin à vista aprovados e maior presença de bancos tradicionais, pode indicar uma tendência global irreversível de consolidação do Bitcoin como reserva corporativa de valor.
Por que a Méliuz aposta no Bitcoin?
Além da possibilidade de proteção contra inflação e desvalorização do real, a adoção do Bitcoin como ativo central também é vista como uma forma de atrair investidores com perfil mais inovador e tolerante ao risco.
A Méliuz também acredita que, ao transformar o Bitcoin em uma parte essencial de sua estrutura patrimonial, a empresa:
- Aumenta seu potencial de valorização no longo prazo;
- Se diferencia de outras fintechs com modelos tradicionais;
- Alinha-se a uma visão macroeconômica disruptiva, baseada em ativos escassos e descentralizados.
Impacto no mercado e perspectivas futuras
A decisão da Méliuz representa uma inflexão no mercado financeiro brasileiro e pode influenciar outras empresas de capital aberto a seguir caminhos semelhantes, sobretudo em setores com afinidade com tecnologia, inovação e descentralização.
Especialistas do setor acreditam que essa disrupção no modelo de alocação de capital corporativo poderá:
- Atrair mais capital estrangeiro ao Brasil;
- Posicionar o país como referência em inovação cripto na América Latina;
- Forçar discussões regulatórias mais profundas sobre uso institucional de criptomoedas.
O papel do BTG Pactual e o interesse institucional crescente
A presença do BTG Pactual como coordenador da possível captação via follow-on também evidencia o crescimento do interesse institucional brasileiro em operações baseadas em ativos digitais.
O banco já tem histórico de atuação no setor, seja por meio de sua plataforma Mynt, especializada em criptoativos, seja através de fundos e estruturas de investimento em blockchain.
Conclusão: Méliuz aposta alto e inaugura nova era do Bitcoin corporativo no Brasil

A Méliuz está dando um passo ousado ao colocar o Bitcoin como eixo central de sua estratégia empresarial, posicionando-se como pioneira na América Latina no modelo de Bitcoin Treasury Company.
Com uma possível captação de R$ 150 milhões, a fintech brasileira não apenas reforça sua confiança no criptoativo, mas também inspira uma nova geração de empresas brasileiras a repensarem suas estruturas de capital e gestão de caixa.
O mercado segue atento às próximas movimentações da empresa e aos impactos dessa decisão disruptiva sobre o futuro do setor financeiro brasileiro.
