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Menos de 1% dos brasileiros ocupados recebem mais de 20 salários mínimos

Confira o levantamento realizado, que abordou totalmente os trabalhadores do país, e foi feito com base em pesquisa do IBGE.

Bruna MachadoPor Bruna Machado5 min de leitura
Mãos estendidas segurando notas de 50 e 100 reais

No Brasil, 97,57 milhões de pessoas se encontravam ocupadas no terceiro trimestre de 2022. Deste total, somente 0,6% recebiam mais do que 20 salários mínimos – o que é mais de R$ 24.420.

O levantamento foi feito pela LCA Consultores, que utilizaram como base a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Conforme o responsável pelo levantamento, Bruno Imaizumi – economista da LCA Consultores –, certos recortes podem deixar mais explícitas algumas desigualdades que já são antigas e bastante conhecidas no Brasil, como: homens brancos recebem mais do que os outros grupos no país.

Índices dos trabalhadores que recebem mais de 20 salários mínimos

De acordo com o levantamento de todos os trabalhadores que recebem quantia maior de 20 salários mínimos, apenas 25% são mulheres. Não só isso, mas quando analisada a raça e cor dos trabalhadores, os brancos são 77% do todo.

Confira os índices a seguir.

Raça/Cor

De início, utilizando o aspecto de raça e cor dos trabalhadores, a vasta maioria que recebe mais de R$ 24 mil são brancos. Outros 23% estão espalhados entre pardos, indígenas, pretos e amarelos.

  • Do total, 453.175 dos trabalhadores nessa situação são brancos;
  • 96.422 são pardos;
  • 19.881 são pretos;
  • 11.596 são amarelos;
  • 6.506 são indígenas.

Faixa Etária

Quando visto por faixa etária, 60% dos que recebem mais de 20 salários mínimos se encontram entre 26 e 49 anos. O levantamento foi feito em relação a cinco faixas etárias, e a maior porcentagem se analisa entre os trabalhadores de 40 a 49 anos, sendo 31,5% do todo. Já os que possuem menos de 25 anos equivalem a menos de 1%.

  • Do total, 185.450 dos trabalhadores nessa situação possuem de 40 a 49 anos;
  • 170.512 possuem de 26 a 39 anos;
  • 127.950 possuem de 50 a 59 anos;
  • 97.557 possuem 60 anos ou mais;
  • 7.111 possuem até 25 anos.

Análise entre estados

Quando visto no aspecto territorial, Rio de Janeiro, Distrito Federal e São Paulo equivalem a 60% do total. Em contraste, a soma dessas regiões equivale a somente 30% da população nacional, ressalta o economista.

Os estados que se encontram na parte inferior do ranking são do Norte e Nordeste do país. Tendo o Rio Grande do Norte como exemplo que possui praticamente a mesma população que o Distrito Federal – ou seja, acima de 3 milhões de habitantes, de acordo com o IBGE em 2021 –, somente 0,2% dos trabalhadores recebem mais de 20 salários mínimos.

No DF, 7,2% se encontram em tal posição. O número elevado se dá principalmente pela quantidade de servidores públicos em Brasília.

Agora em relação a Santa Catarina e Maranhão, que possuem quase a mesma população (mais de 7 milhões de habitantes), também é bastante marcante a proporção de quem recebe mais de 20 salários mínimos.

Trabalhadores que recebem mais de 20 salários mínimos nos estados:

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  • São Paulo possui 243.492;
  • Rio de Janeiro possui 69.739;
  • Distrito Federal possui 42.519;
  • Rio Grande do Sul possui 41.690;
  • Minas Gerais possui 32.309;
  • Paraná possui 23.363;
  • Santa Catarina possui 18.565;
  • Ceará possui 17.071;
  • Goiás possui 14.440;
  • Espírito Santo possui 13.713;
  • Bahia possui 10.594;
  • Mato Grosso possui 9.506;
  • Pará possui 8.937;
  • Paraíba possui 6.308;
  • Mato Grosso do Sul possui 5.538;
  • Piauí possui 4.288;
  • Pernambuco possui 4.229;
  • Rondônia possui 3.704;
  • Amazonas possui 3.654;
  • Maranhão possui 3.628;
  • Tocantins possui 3.348;
  • Sergipe possui 3.127;
  • Alagoas possui 2.433;
  • Acre possui 963;
  • Rio Grande do Norte possui 949;
  • Amapá possui 268;
  • Por fim, Roraima possui apenas 208 trabalhadores que recebem mais de 20 salários mínimos.

Analisando ocupações

  • Entre as ocupações dos que recebem mais de 20 salários mínimos, os empregadores são a maior quantidade, seguidos diretamente pelos empregados dos setores privados;
  • Os empregadores correspondem a 181.130 que recebem acima do valor;
  • Empregados do setor privado são 161.677;
  • Empregados do setor público (inclusive empresas de economia mista) são 154.544;
  • Conta própria são 82.034;
  • Militares do Exército, da Marinha, da Aeronáutica, da Polícia Militar ou do Corpo de Bombeiros Militar são 9.199.

Por setores

Por fim, entre os setores, o esperado é que aproximadamente 30% daqueles que recebem mais de 20 salários mínimos estão voltados para atividades que possuam valor agregado à economia – como informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativa.

Os médicos, por se enquadrarem no setor de Educação, Saúde Humana e Serviços Sociais, provavelmente acabam por aumentar o percentual do setor.

Segundo análise do economista, “[…] a parcela significativa da administração pública, defesa e seguridade social mostra o tamanho inchado do estado brasileiro e é uma evidência dos privilégios de funcionários públicos de alto escalão no país”.

  • Segundo a lista, profissionais da informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativa são 172.923;
  • Os profissionais da administração pública, defesa e seguridade social são 104.168;
  • Os profissionais da educação, saúde humana e serviços sociais são 96.659;
  • Os profissionais do comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas são 58.407;
  • Trabalhadores da indústria geral são 51.654;
  • Profissionais da agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura são 42.789;
  • Trabalhadores de outros serviços são 24.001;
  • Profissionais da construção equivalem a 20.850;
  • Profissionais de transporte, armazenagem e correio são 11.278;
  • E, por fim, trabalhadores de alojamento e alimentação equivalem a 5.855.

Imagem: Vergani Fotografia / shutterstock.com

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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