No Brasil, 97,57 milhões de pessoas se encontravam ocupadas no terceiro trimestre de 2022. Deste total, somente 0,6% recebiam mais do que 20 salários mínimos – o que é mais de R$ 24.420.
Menos de 1% dos brasileiros ocupados recebem mais de 20 salários mínimos
Confira o levantamento realizado, que abordou totalmente os trabalhadores do país, e foi feito com base em pesquisa do IBGE.
O levantamento foi feito pela LCA Consultores, que utilizaram como base a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Conforme o responsável pelo levantamento, Bruno Imaizumi – economista da LCA Consultores –, certos recortes podem deixar mais explícitas algumas desigualdades que já são antigas e bastante conhecidas no Brasil, como: homens brancos recebem mais do que os outros grupos no país.
Índices dos trabalhadores que recebem mais de 20 salários mínimos
De acordo com o levantamento de todos os trabalhadores que recebem quantia maior de 20 salários mínimos, apenas 25% são mulheres. Não só isso, mas quando analisada a raça e cor dos trabalhadores, os brancos são 77% do todo.
Confira os índices a seguir.
Raça/Cor
De início, utilizando o aspecto de raça e cor dos trabalhadores, a vasta maioria que recebe mais de R$ 24 mil são brancos. Outros 23% estão espalhados entre pardos, indígenas, pretos e amarelos.
- Do total, 453.175 dos trabalhadores nessa situação são brancos;
- 96.422 são pardos;
- 19.881 são pretos;
- 11.596 são amarelos;
- 6.506 são indígenas.
Faixa Etária
Quando visto por faixa etária, 60% dos que recebem mais de 20 salários mínimos se encontram entre 26 e 49 anos. O levantamento foi feito em relação a cinco faixas etárias, e a maior porcentagem se analisa entre os trabalhadores de 40 a 49 anos, sendo 31,5% do todo. Já os que possuem menos de 25 anos equivalem a menos de 1%.
- Do total, 185.450 dos trabalhadores nessa situação possuem de 40 a 49 anos;
- 170.512 possuem de 26 a 39 anos;
- 127.950 possuem de 50 a 59 anos;
- 97.557 possuem 60 anos ou mais;
- 7.111 possuem até 25 anos.
Análise entre estados
Quando visto no aspecto territorial, Rio de Janeiro, Distrito Federal e São Paulo equivalem a 60% do total. Em contraste, a soma dessas regiões equivale a somente 30% da população nacional, ressalta o economista.
Os estados que se encontram na parte inferior do ranking são do Norte e Nordeste do país. Tendo o Rio Grande do Norte como exemplo que possui praticamente a mesma população que o Distrito Federal – ou seja, acima de 3 milhões de habitantes, de acordo com o IBGE em 2021 –, somente 0,2% dos trabalhadores recebem mais de 20 salários mínimos.
No DF, 7,2% se encontram em tal posição. O número elevado se dá principalmente pela quantidade de servidores públicos em Brasília.
Agora em relação a Santa Catarina e Maranhão, que possuem quase a mesma população (mais de 7 milhões de habitantes), também é bastante marcante a proporção de quem recebe mais de 20 salários mínimos.
Trabalhadores que recebem mais de 20 salários mínimos nos estados:
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- São Paulo possui 243.492;
- Rio de Janeiro possui 69.739;
- Distrito Federal possui 42.519;
- Rio Grande do Sul possui 41.690;
- Minas Gerais possui 32.309;
- Paraná possui 23.363;
- Santa Catarina possui 18.565;
- Ceará possui 17.071;
- Goiás possui 14.440;
- Espírito Santo possui 13.713;
- Bahia possui 10.594;
- Mato Grosso possui 9.506;
- Pará possui 8.937;
- Paraíba possui 6.308;
- Mato Grosso do Sul possui 5.538;
- Piauí possui 4.288;
- Pernambuco possui 4.229;
- Rondônia possui 3.704;
- Amazonas possui 3.654;
- Maranhão possui 3.628;
- Tocantins possui 3.348;
- Sergipe possui 3.127;
- Alagoas possui 2.433;
- Acre possui 963;
- Rio Grande do Norte possui 949;
- Amapá possui 268;
- Por fim, Roraima possui apenas 208 trabalhadores que recebem mais de 20 salários mínimos.
Analisando ocupações
- Entre as ocupações dos que recebem mais de 20 salários mínimos, os empregadores são a maior quantidade, seguidos diretamente pelos empregados dos setores privados;
- Os empregadores correspondem a 181.130 que recebem acima do valor;
- Empregados do setor privado são 161.677;
- Empregados do setor público (inclusive empresas de economia mista) são 154.544;
- Conta própria são 82.034;
- Militares do Exército, da Marinha, da Aeronáutica, da Polícia Militar ou do Corpo de Bombeiros Militar são 9.199.
Por setores
Por fim, entre os setores, o esperado é que aproximadamente 30% daqueles que recebem mais de 20 salários mínimos estão voltados para atividades que possuam valor agregado à economia – como informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativa.
Os médicos, por se enquadrarem no setor de Educação, Saúde Humana e Serviços Sociais, provavelmente acabam por aumentar o percentual do setor.
Segundo análise do economista, “[…] a parcela significativa da administração pública, defesa e seguridade social mostra o tamanho inchado do estado brasileiro e é uma evidência dos privilégios de funcionários públicos de alto escalão no país”.
- Segundo a lista, profissionais da informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativa são 172.923;
- Os profissionais da administração pública, defesa e seguridade social são 104.168;
- Os profissionais da educação, saúde humana e serviços sociais são 96.659;
- Os profissionais do comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas são 58.407;
- Trabalhadores da indústria geral são 51.654;
- Profissionais da agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura são 42.789;
- Trabalhadores de outros serviços são 24.001;
- Profissionais da construção equivalem a 20.850;
- Profissionais de transporte, armazenagem e correio são 11.278;
- E, por fim, trabalhadores de alojamento e alimentação equivalem a 5.855.
Imagem: Vergani Fotografia / shutterstock.com
