O dólar comercial encerrou a última terça-feira (3) em baixa de 0,51%, cotado a R$ 5,6459, revertendo a tendência de alta registrada no início do dia. A queda foi influenciada pelas declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que sugeriu que o governo pode rever a proposta de aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
Dólar fecha em queda com fala de Lula sobre IOF no radar; Ibovespa avança
Dólar recua após Lula indicar revisão sobre IOF; Ibovespa reage positivamente. Entenda o cenário.
Mais cedo, o dólar chegou a ultrapassar os R$ 5,70, impulsionado por preocupações sobre possíveis impactos da medida fiscal. No entanto, a sinalização de alternativas ao aumento do IOF amenizou os temores do mercado.
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Lula admite possibilidade de rever aumento do IOF

Em fala pública nesta terça, Lula indicou que o governo está disposto a repensar a proposta de elevação do IOF, que havia sido recebida com forte resistência por setores econômicos.
A proposta inicial envolvia uma mudança que ampliaria a carga tributária sobre operações financeiras, o que foi visto como uma tentativa de aumentar a arrecadação para cumprir metas fiscais. A repercussão negativa fez com que o governo recuasse estrategicamente, ao menos temporariamente.
Haddad negocia alternativas com Congresso
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também atuou na contenção de danos. Ele entrou em contato com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para negociar um prazo de dez dias, durante os quais o governo pretende apresentar uma proposta alternativa ao aumento do IOF.
Entre as opções em estudo, está um pacote de medidas no setor de petróleo e gás natural, que, segundo estimativas, pode gerar até R$ 35 bilhões em arrecadação até 2026. Haddad afirmou que pretende discutir esse pacote com Lula e apresentar as medidas aos líderes do Congresso já no próximo domingo (8).
Galípolo critica uso do IOF como ferramenta fiscal
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Gabriel Galípolo, também se manifestou contra o uso do IOF para fins arrecadatórios. “Sempre tive a visão de que a gente não deveria usar o IOF nem para questões arrecadatórias nem para apoiar política monetária. Acho que é um imposto regulatório, como está bem definido”, afirmou, durante um encontro com analistas do setor financeiro.
Essa visão técnica reforça o argumento de que o IOF deve ter uma função mais específica no sistema tributário, e não ser utilizado como uma válvula de escape fiscal para cobrir déficits orçamentários.
Dólar fecha em queda e Ibovespa acumula ganhos

Com esse movimento de recuo por parte do governo, o dólar comercial encerrou o dia com queda de 0,51%, cotado a R$ 5,6459. No início da sessão, a moeda chegou a ultrapassar os R$ 5,70, refletindo o nervosismo do mercado. A mudança de sinal ao longo do dia indica que os investidores interpretaram as falas de Lula e Haddad como uma sinalização de estabilidade futura.
O Ibovespa, principal índice da B3, avançou 0,24% e terminou o dia em 137.116 pontos. Com isso, o índice acumula alta de 0,38% na semana e 14,35% no ano.
Fatores externos também influenciam
Além das questões domésticas, o cenário internacional contribuiu para o comportamento do mercado. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revisou para baixo as projeções de crescimento global. A entidade agora prevê um avanço de apenas 2,9% em 2025 e 2026, contra os 3,1% e 3% estimados anteriormente.
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Segundo Álvaro Pereira, economista-chefe da OCDE, “os riscos (…) aumentaram significativamente e a degradação das perspectivas econômicas será sentida em todo o mundo, quase sem exceção”. A desaceleração, no entanto, deve ser mais pronunciada nos Estados Unidos, Canadá e México, enquanto a China e outras economias emergentes devem sofrer impactos mais moderados.
Trump anuncia novas tarifas sobre aço e alumínio
Outro fator que pesou sobre os mercados globais foi o anúncio de que o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, planeja assinar um decreto que dobra as tarifas sobre aço e alumínio. A medida reacende as tensões comerciais e pode pressionar a inflação global, já que encarece a cadeia produtiva em vários setores.
O temor é que essa política protecionista, caso implementada em um possível novo mandato de Trump, afete a recuperação econômica global e aumente a volatilidade dos mercados.
Perspectivas para os próximos dias
Com a promessa de que o governo apresentará uma proposta alternativa ao aumento do IOF nos próximos dias, a expectativa é que os mercados mantenham um comportamento cauteloso. A confiança dos investidores dependerá da qualidade e viabilidade fiscal das medidas a serem apresentadas.
Enquanto isso, o ambiente internacional continuará sendo monitorado, especialmente diante da possibilidade de aumento das tensões comerciais entre grandes economias e da desaceleração do crescimento global prevista pela OCDE.
Com informações de: G1
