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Dólar volta a subir e chega perto de r$ 5,70 com dúvidas sobre o IOF

O mercado financeiro brasileiro teve um dia de forte instabilidade na quarta-feira (28), marcado por movimentos intensos do câmbio e da bolsa de valores. O dólar comercial encerrou com uma alta de 0,89%, aproximando-se perigosamente da marca de R$ 5,70, enquanto o Ibovespa, principal índice da B3, caiu 0,47%, fechando em 138.888 pontos.

A volatilidade foi causada por uma combinação de fatores domésticos e externos. No Brasil, as incertezas sobre a manutenção do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) colocaram em dúvida o cumprimento das metas fiscais de 2025. No exterior, a divulgação da ata do Federal Reserve (Fed) trouxe uma sinalização de cautela quanto à queda de juros nos EUA, o que repercutiu negativamente em mercados emergentes como o brasileiro.

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Dólar em forte alta: o que está por trás da valorização?

Cotação do dia

O dólar comercial foi vendido a R$ 5,695 no fim da sessão, com valorização de R$ 0,05 no dia, ou +0,89%. A moeda começou o dia próxima a R$ 5,65, mas acelerou ao longo da manhã e atingiu a máxima de R$ 5,71 por volta das 13h20.

Com esse desempenho, o dólar acumula:

  • Alta de 0,85% na semana;
  • Alta de 0,33% no mês de maio;
  • Queda de 7,85% no acumulado de 2025, apesar da recuperação recente.

Fatores internos influenciaram o câmbio

O principal fator de instabilidade no mercado interno foi o risco fiscal, após rumores de que o Congresso Nacional poderá revogar o decreto que aumentou o IOF, medida defendida pelo governo para ajudar a cumprir a meta de déficit zero em 2025.

A possibilidade de recuo na arrecadação foi mal recebida por agentes do mercado, que já questionam a viabilidade da âncora fiscal proposta pela equipe econômica.

Bolsa interrompe sequência de altas

O Ibovespa caiu 0,47%, encerrando o pregão com 138.888 pontos, após três sessões consecutivas de ganhos. Apesar da queda de hoje, o índice ainda soma alta de 0,77% na semana.

Queda generalizada

A queda do índice refletiu um movimento mais amplo de realização de lucros, aliado ao aumento da aversão ao risco por parte dos investidores.

Entre os setores mais penalizados estiveram:

  • Bancos, impactados diretamente pela discussão sobre o IOF;
  • Exportadoras, que sofrem com a oscilação do dólar;
  • Empresas de consumo, pressionadas pelo temor de juros altos por mais tempo.

Destaques negativos do dia

Algumas ações apresentaram perdas relevantes, entre elas:

  • Itaú Unibanco (ITUB4)
  • Magazine Luiza (MGLU3)
  • Petrobras (PETR4), mesmo com a valorização do petróleo

Instabilidade fiscal: IOF no centro da crise

blocos com as letras IOF em cima de notas de 5, 100 e 20 reais
Imagem: rafastockbr / Shutterstock.com

O que está acontecendo com o IOF?

O governo federal editou recentemente um decreto que amplia a cobrança do IOF sobre operações de crédito, como uma forma de reforçar o caixa e garantir as metas do novo arcabouço fiscal. No entanto, líderes no Congresso articulam para derrubar o decreto, o que agravaria a situação fiscal.

Articulação política em andamento

Nesta quarta, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se reuniu com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e com líderes partidários para tentar construir um consenso. O encontro ocorreu na residência oficial do Senado e teve como objetivo buscar alternativas para manter a arrecadação, mesmo que com ajustes no decreto.

Antes disso, o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, já havia sinalizado que o governo está disposto a rever trechos da medida, o que foi comunicado após encontro com representantes da Febraban e dos maiores bancos do país.

Fed adota cautela e mercado global reage

Ata do Federal Reserve

No cenário externo, a divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, influenciou diretamente o desempenho dos ativos brasileiros.

No documento, os dirigentes do Fed indicaram que ainda não há confiança suficiente para iniciar cortes nos juros e que será necessário observar o comportamento da inflação nos próximos meses.

Consequências para emergentes

A decisão de manter os juros altos por mais tempo nos Estados Unidos tem efeitos diretos sobre os mercados emergentes, como o Brasil:

  • Reduz o apetite por risco dos investidores internacionais;
  • Aumenta a atratividade dos títulos norte-americanos;
  • Estimula a fuga de capitais dos países em desenvolvimento.

Isso ajuda a explicar a alta do dólar e a queda das bolsas não apenas no Brasil, mas em diversas economias emergentes nesta quarta.

Expectativas para os próximos dias

Risco fiscal continuará no radar

A tendência é que os mercados continuem voláteis até que o governo consiga clarificar a situação do IOF e reforçar o compromisso com as metas fiscais. O mercado quer ver sinais concretos de que o governo conseguirá manter a responsabilidade fiscal, mesmo com pressões políticas.

Agenda econômica

Nos próximos dias, o mercado deve ficar atento a:

  • Novas declarações de autoridades sobre o decreto do IOF;
  • Indicadores de inflação no Brasil e nos EUA;
  • Fluxo cambial semanal;
  • Relatório de crédito do Banco Central;
  • Desempenho das commodities, principalmente petróleo e minério de ferro.

O que dizem os analistas?

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Instabilidade deve continuar

Segundo analistas de grandes corretoras, o cenário é de cautela redobrada. A combinação de ruído fiscal com incerteza sobre juros nos EUA cria um ambiente hostil para ativos brasileiros no curto prazo.

“O dólar pode continuar pressionado nos próximos dias, especialmente se não houver um desfecho rápido sobre o IOF. E com o Fed segurando cortes, o fluxo para emergentes deve diminuir ainda mais”, avaliou um estrategista-chefe de um banco de investimentos nacional.

Bolsa pode recuperar, mas depende de sinais políticos

Já para a bolsa, o consenso é que há espaço para recuperação, mas isso dependerá da capacidade do governo de transmitir confiança e mostrar coesão política nas decisões fiscais.

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