O mercado financeiro brasileiro amanheceu em estado de alerta nesta segunda-feira (18), refletindo uma combinação de fatores externos e internos.
Mercado financeiro em alerta: dólar sobe e IBC-BR apresenta queda
Dólar sobe com tensão entre Rússia e Ucrânia e IBC-BR recua, indicando desaceleração econômica. Investidores mantêm cautela no mercado.
O dólar à vista avançou acompanhando a valorização da divisa americana no exterior, enquanto o IBC-BR apresentou retração em junho, sinalizando desaceleração da atividade econômica nacional.
O cenário geopolítico também adiciona volatilidade aos mercados. Investidores monitoram com cautela a reunião entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, realizada em Washington com a presença de líderes europeus e membros da Otan.
A expectativa era de um avanço em direção ao fim do conflito entre Rússia e Ucrânia. No entanto, um novo ataque russo, que resultou em quatro mortes e 29 feridos, aumentou a instabilidade nos mercados.
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A escalada do dólar: reação às tensões internacionais

Conflito Rússia-Ucrânia impacta o câmbio global
As tensões no leste europeu continuam sendo um dos principais vetores de incerteza global. Mesmo com a tentativa diplomática de aproximação entre EUA e Ucrânia, o ataque russo desta madrugada mostra que o caminho para a paz ainda está distante.
Essa insegurança impulsiona o dólar no cenário internacional, favorecendo o movimento de “flight to quality” – fuga para ativos considerados mais seguros, como a moeda americana e os Treasuries (títulos do Tesouro dos EUA).
Juros futuros sobem com aversão ao risco
O reflexo é claro no mercado doméstico. A curva de juros futuros, que havia iniciado o dia em relativa estabilidade, passou a apresentar alta nas taxas, principalmente nos vértices médios e longos. O movimento é explicado pelo aumento da aversão ao risco e pela valorização do dólar frente ao real.
IBC-BR em queda: sinal de desaceleração econômica
Resultado abaixo da expectativa de mercado
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-BR), considerado uma prévia do PIB, recuou 0,1% em junho, ante maio, na série com ajuste sazonal. O número veio próximo ao piso das projeções dos analistas, que variavam entre -0,02% e +0,4%, com mediana positiva de 0,05%.
Comparativo com os meses anteriores
Apesar de a queda parecer modesta, ela representa uma reversão em relação à leve alta registrada no mês anterior.
O resultado reforça a leitura de que a economia brasileira está perdendo fôlego no segundo semestre de 2025, pressionada pelo ambiente externo desafiador e pela política monetária ainda restritiva.
Repercussões no cenário doméstico
Mercado de trabalho e consumo sentem os impactos
A desaceleração da atividade já se reflete em indicadores do mercado de trabalho e do consumo. Há uma leve retração no volume de vendas no varejo e redução nas contratações formais em segmentos como serviços e comércio.
O consumidor, diante da inflação ainda elevada e do crédito mais caro, também tem adotado comportamento mais cauteloso.
Participação do ministro da Fazenda e autoridades monetárias
Nesta manhã, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participa da abertura do fórum do Financial Times & Times Brasil CNBC.
Ainda hoje, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Diogo Guillen, e o secretário do Tesouro, Rogério Ceron, têm agendas públicas relevantes no evento Warren Day. O mercado observa atentamente suas falas em busca de sinalizações sobre o rumo fiscal e monetário do país.
Commodities oscilam: petróleo em alta e minério em queda
Petróleo avança com esperança de distensão
O petróleo registra leve alta com os desdobramentos diplomáticos entre EUA e Ucrânia. Mesmo sem avanços concretos, a possibilidade de abertura de diálogo entre os líderes gera otimismo com relação à normalização do fornecimento da commodity, o que afeta diretamente os preços internacionais.
Minério de ferro recua na China
Na outra ponta, o minério de ferro caiu 0,64% na China, refletindo uma combinação de queda na demanda industrial e novas medidas de contenção ao setor imobiliário chinês.
A oscilação das commodities segue sendo fator relevante para o Brasil, país fortemente dependente da exportação de insumos básicos.
Inflação e expectativas de mercado
Boletim Focus aponta ligeiras revisões
No boletim Focus divulgado nesta manhã, a mediana da inflação esperada para os próximos 12 meses subiu de 4,35% para 4,36%. Para o IPCA de 2025, a estimativa caiu de 5,05% para 4,95%, ainda acima do teto da meta (4,50%).
Já a previsão para o IPCA de 2026 recuou marginalmente, de 4,41% para 4,40%.
IGP-10 mostra inflação no atacado pressionada por commodities
O IGP-10 divulgado pela Fundação Getulio Vargas apresentou avanço de 0,16% em agosto, após queda de 1,65% em julho. O índice acumula alta de 2,84% em 12 meses. Os principais responsáveis pelo resultado foram:
- Minério de ferro: +9,37%
- Soja em grão: +2,47%
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Ambos os itens impactam diretamente os preços ao produtor, podendo gerar efeitos secundários na inflação ao consumidor nas próximas leituras.
IPC-S mostra desaceleração no varejo
O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), medido pela FGV, mostrou moderação na segunda quadrissemana de agosto: passou de alta de 0,38% para 0,09%, indicando que o repasse de preços no varejo está perdendo força, ao menos temporariamente.
Dólar e juros nos EUA: Federal Reserve ainda no radar
Cortes de juros seguem no horizonte
Nos Estados Unidos, a expectativa do mercado continua voltada para o Federal Reserve, que pode realizar um corte na taxa básica de juros já em setembro. Isso ocorre em meio a sinais de desaceleração econômica americana e inflação em níveis mais controlados.
Essa perspectiva contribuiu para a queda do dólar na semana passada, encerrando a sexta-feira (15) cotado a R$ 5,3980, com variação negativa de 0,35%.
No acumulado de agosto, a moeda registra queda de 3,62% frente ao real, e de 12,66% no ano, fazendo do real a moeda emergente com melhor desempenho em 2025 até o momento.
Novas diretrizes para energia renovável
O governo americano também publicou novas diretrizes que ampliam a elegibilidade de projetos de energia solar e eólica para créditos fiscais federais, o que anima o mercado de energia limpa e contribui para a percepção de estabilidade no médio prazo.
O que esperar do mercado nos próximos dias?

Monitoramento geopolítico contínuo
A reunião entre Trump e Zelenski, embora simbólica, pode ter desdobramentos relevantes, especialmente se envolverem negociações com a Rússia. A escalada ou distensão do conflito impactará diretamente o comportamento do dólar e dos ativos de risco.
Expectativa por novos dados econômicos
Ainda esta semana, serão divulgados dados importantes:
- Índice de confiança da indústria (CNI)
- Vendas do varejo ampliado (IBGE)
- Ata da última reunião do Copom
Esses números serão fundamentais para definir o humor do mercado até o final de agosto.
Conclusão: cautela é a palavra de ordem
O avanço do dólar e a queda do IBC-BR revelam um mercado atento e reativo aos múltiplos sinais de incerteza. A confluência entre tensão internacional, desaceleração econômica e incertezas fiscais cria um ambiente onde a cautela se torna indispensável para investidores, empresas e consumidores.
Com um cenário externo ainda volátil e a economia brasileira demonstrando fragilidade, o momento exige observação cuidadosa dos indicadores e decisões fundamentadas em análises atualizadas.
