Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Situação fiscal preocupa investidores; dólar sobe e Bolsa cai forte

Dólar sobe a R$ 5,66 e Bolsa cai 0,44% após relatório fiscal do governo. Incertezas sobre despesas e receitas impactam mercados.

Bianca BorgesPor Bianca Borges5 min de leitura
Ethereum

O mercado financeiro brasileiro teve um dia de forte volatilidade nesta quinta-feira (22/05), após a divulgação do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias pelo governo federal.

O dólar comercial fechou em alta de 0,32%, cotado a R$ 5,66, enquanto o Ibovespa recuou 0,44%, encerrando o dia com 137.272 pontos.

Imagem:

CPI do INSS: Senado deve iniciar processo em 17 de junho, diz Alcolumbre

Pagamento do INSS de maio inicia em 26; veja todas as datas do calendário

Impacto imediato após anúncio fiscal

dólar
Imagem: Freepik

A reação dos investidores foi imediata. A partir das 15h30, horário da divulgação oficial do relatório, a moeda americana começou a subir e o índice da Bolsa brasileira iniciou trajetória de queda.

O documento trouxe uma revisão significativa das despesas públicas e anunciou contingenciamento de R$ 31,3 bilhões, valor superior ao esperado pelo mercado.

Segundo a economista Rafaela Vitória, do Banco Inter, a primeira leitura do mercado foi positiva. “A decisão de contingenciar acima do previsto trouxe algum alívio inicial, mas o detalhamento do relatório acendeu alertas”, explicou.

Aprofundamento do cenário fiscal

Revisão de gastos preocupa analistas

O relatório apontou um aumento de R$ 25,8 bilhões nas despesas, principalmente nos gastos com Previdência Social e Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Esse reajuste elevou a expectativa de crescimento das despesas obrigatórias acima de 4% — superando a inflação projetada e levantando questionamentos sobre a sustentabilidade fiscal.

“O governo fez um esforço de transparência ao reduzir a subavaliação das despesas, mas o controle dos gastos permanece um desafio central”, pontuou Rafaela.

Receita sob revisão: mais impostos à vista?

Do lado da arrecadação, houve também uma revisão realista das receitas, outro ponto bem avaliado por analistas.

No entanto, a introdução de novos tributos, como a elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), reacendeu o debate sobre a estratégia governamental de aumentar receitas para compensar gastos.

“A dependência de mais impostos mostra que o ajuste estrutural ainda está distante. Sem reformas, seguimos com um modelo fiscal insustentável”, criticou um gestor ouvido sob anonimato.

Repercussão nos mercados

Ibovespa sente o baque da incerteza

O Ibovespa, principal índice da B3, não resistiu ao peso das incertezas. Após começar o dia em leve alta, o índice virou para o negativo com a percepção de que o cenário fiscal futuro é preocupante.

O mercado interpretou que, embora o contingenciamento ajude a cumprir a meta fiscal de 2025, as projeções para 2026 continuam frágeis.

“O relatório fiscal parece conter mais medidas de curto prazo do que soluções definitivas. Isso não agrada ao investidor estrangeiro nem ao local”, afirmou André Valério, economista do Inter.

Dólar ganha força com desconfiança

O câmbio também oscilou fortemente. Pela manhã, houve alívio após o anúncio de leilão de NTN-F, o que trouxe entrada de capital estrangeiro. No entanto, a partir do meio da tarde, com o detalhamento do relatório fiscal, o dólar ganhou força, reflexo da desconfiança crescente com a política econômica.

“Com o anúncio de aumento do IOF e a sinalização de perdas de arrecadação por causa da greve na Receita Federal, o mercado ficou ainda mais cauteloso”, explicou Valério.

Influência externa e contexto internacional

Trump aprova pacote de corte de impostos nos EUA

No cenário externo, a aprovação de um ambicioso pacote econômico nos Estados Unidos também pesou. A proposta, chamada de “Beautiful Bill” pelo ex-presidente Donald Trump, prevê cortes de impostos e gastos, mas deve aumentar a dívida americana em US$ 3,8 trilhões na próxima década, segundo o CBO.

Apesar do impacto positivo momentâneo para empresas e consumidores americanos, o pacote foi visto com cautela pelos investidores, que temem uma pressão inflacionária maior nos EUA e, consequentemente, juros mais altos por mais tempo.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Sinais do Fed sobre juros

Outro fator relevante foi o discurso do diretor do Federal Reserve, Christopher Waller.

Ele indicou que, caso as tarifas comerciais se estabilizem, há espaço para corte de juros no segundo semestre. Essa fala trouxe algum alívio, mas a condição imposta – estabilidade nas tarifas implementadas por Trump – adiciona uma dose de incerteza.

“Se Trump endurecer tarifas, a inflação sobe e o Fed ficará travado”, alertou Waller.

Olhando adiante: o que esperar do mercado?

Flagstar
Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

Déficit fiscal continua no radar

Com a estimativa de déficit primário de R$ 97 bilhões para 2025, especialistas alertam que o Brasil ainda está distante de um equilíbrio fiscal sustentável. A nova meta fiscal prevê um piso de déficit de R$ 31 bilhões, que pode ser atingido com contingenciamentos, mas isso não resolve o problema estrutural.

“O governo precisa apresentar reformas efetivas. Caso contrário, vamos continuar nesse ciclo de improviso”, disse um economista-chefe de uma gestora paulista.

Volatilidade deve continuar

Para os próximos dias, o cenário de volatilidade deve persistir, com investidores atentos a novas declarações do governo, evolução da arrecadação, e eventuais medidas adicionais de ajuste.

Além disso, os desdobramentos no Congresso dos EUA sobre o pacote econômico de Trump e os próximos passos do Federal Reserve serão determinantes para o comportamento do dólar e da Bolsa brasileira.

Conclusão

A jornada turbulenta dos mercados nesta quinta-feira reforça a sensibilidade dos investidores ao cenário fiscal brasileiro. A percepção de risco aumentou, especialmente diante de gastos crescentes e incertezas sobre a arrecadação.

Enquanto isso, o contexto internacional adiciona mais uma camada de complexidade, com políticas econômicas expansionistas nos EUA e incertezas quanto aos juros globais.

O desafio do governo brasileiro será mostrar compromisso real com a responsabilidade fiscal e, ao mesmo tempo, preservar a confiança do mercado sem recorrer excessivamente ao aumento de impostos. Até lá, o dólar continuará sob pressão e a Bolsa deve seguir volátil.

Bianca Borges

Autor

Bianca Borges

Bianca Borges é estudante de Publicidade e desenvolvedora em formação, com paixão por cultura pop, tecnologia e universos geek. Fã de Star Wars, DC Comics, RPG e The Walking Dead, ela traz sua visão criativa e analítica para o time do Seu Crédito Digital, colaborando na produção de conteúdos relevantes sobre consumo, serviços públicos e finanças do dia a dia. Com estilo descontraído e foco em clareza, Bianca ajuda leitores a entender temas complexos com leveza e precisão.

Topicos relacionados