Os mercados internacionais iniciam esta quarta-feira, 23 de setembro de 2026, próximos da estabilidade, em uma sessão marcada principalmente pelo comportamento do petróleo e pelas negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã. Os investidores também acompanham a reunião entre Donald Trump e Xi Jinping, prevista para esta semana, além dos novos indicadores de atividade econômica nos Estados Unidos.
O cenário externo influencia diretamente os ativos brasileiros. Na terça-feira, o Ibovespa encerrou aos 187.423 pontos, enquanto os juros futuros recuaram em meio à expectativa de continuidade do ciclo de cortes da Selic e ao alívio parcial das tensões geopolíticas.
Leia mais:
Dólar forte altera fluxo para mercados globais
Bolsas dos Estados Unidos aguardam novos indicadores
Os contratos futuros de Nova York apresentam pequenas oscilações positivas nesta manhã. O Dow Jones futuro avançava 0,11%, enquanto o S&P 500 futuro subia 0,11% e o Nasdaq futuro tinha alta de 0,04%.
O movimento reflete um mercado sem direção definida antes da divulgação dos índices preliminares de atividade econômica de setembro. A S&P Global publica os PMIs de manufatura e serviços dos Estados Unidos, indicadores acompanhados de perto porque ajudam a medir o ritmo da economia antes da divulgação de dados oficiais mais abrangentes.
Além dos indicadores, a atenção está voltada para a reunião entre Trump e Xi Jinping. O encontro deve envolver temas como comércio, tarifas, inteligência artificial e questões geopolíticas, em um momento em que as relações entre as duas maiores economias do mundo continuam relevantes para os mercados.
Petróleo e juros continuam no radar
O comportamento do petróleo é especialmente importante para as expectativas de inflação e juros. Uma queda persistente da commodity pode reduzir parte da pressão sobre custos de energia, enquanto novas altas podem dificultar o processo de desinflação em diferentes economias.
Nos Estados Unidos, o mercado também acompanha os efeitos da política monetária do Federal Reserve sobre os títulos do Tesouro e os ativos de risco. Na sessão anterior, a Treasury de dez anos encerrou próxima de 4,95%, enquanto a de dois anos ficou em 4,74%.
Europa mantém ganhos, mas desempenho é desigual
As bolsas europeias operam majoritariamente em alta nesta quarta-feira, após o avanço superior a 1% registrado pelo Stoxx 600 na sessão anterior.
Na abertura, o Stoxx 600 subia 0,19%, enquanto o FTSE 100, de Londres, avançava 0,37%. O CAC 40, de Paris, tinha alta de 0,36%, e o FTSE MIB, de Milão, ganhava 0,43%. O DAX alemão, por outro lado, recuava 0,06%.
O movimento positivo foi liderado principalmente por ações de tecnologia e bancos. Empresas de serviços públicos, tradicionalmente acompanhadas em períodos de maior aversão ao risco, apresentaram desempenho mais fraco.
A diferença entre os índices mostra que o ambiente externo ainda não representa uma tendência uniforme. Os investidores continuam avaliando inflação, juros, crescimento econômico e riscos geopolíticos simultaneamente.
Ásia fecha sem direção única
Os mercados da Ásia-Pacífico encerraram a sessão de forma mista. A cautela esteve relacionada principalmente à visita de Xi Jinping aos Estados Unidos e às expectativas para a reunião com Trump.
O Shanghai Composite caiu 0,39%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, recuou 1,01%. Na Índia, o Nifty 50 avançou 0,42%, e o ASX 200, da Austrália, subiu 0,09%. O mercado japonês permaneceu fechado em razão de feriado.
A relação comercial entre Estados Unidos e China continua sendo um dos fatores capazes de alterar as perspectivas para empresas exportadoras, commodities e cadeias globais de produção.
Petróleo recua com expectativa de avanço diplomático

O petróleo é um dos principais destaques da sessão. O mercado reage aos sinais de diálogo entre Washington e Teerã e à possibilidade de redução das tensões no Oriente Médio.
Trump afirmou que representantes dos Estados Unidos e do Irã se reuniram durante cerca de três horas em Nova York e classificou o encontro de forma positiva. As informações ajudaram a diminuir parte do prêmio de risco incorporado às cotações da commodity.
Na referência utilizada pela abertura do mercado, o WTI era negociado a US$ 90,06, enquanto o Brent estava em US$ 99,46. O comportamento dos preços, contudo, permanece sensível a qualquer mudança nas negociações ou interrupções de oferta no Oriente Médio.
Para o Brasil, petróleo mais barato pode ter efeitos distintos. Empresas produtoras podem sentir impacto sobre suas receitas, enquanto custos de combustíveis e algumas pressões inflacionárias podem ser beneficiados por uma eventual acomodação da commodity.
Minério de ferro tem leve alta na China
O minério de ferro negociado na bolsa de Dalian subiu 0,07%, para 712 yuans por tonelada, em meio a fatores específicos relacionados à oferta brasileira e à demanda chinesa.
Segundo análise divulgada pela XP, os preços do minério também encontraram suporte na recomposição de estoques na China, embora margens reduzidas das siderúrgicas e incertezas sobre a demanda final ainda limitem o ambiente para a commodity.
O comportamento do minério permanece relevante para o mercado brasileiro devido ao peso da mineração nas exportações e à influência de empresas como a Vale sobre o Ibovespa.
Bitcoin permanece próximo de US$ 86 mil

No mercado de criptomoedas, o Bitcoin apresentava leve baixa. A cotação estava em aproximadamente US$ 86.197, uma queda de 0,20% em 24 horas na referência utilizada pela abertura do mercado.
O desempenho das criptomoedas continua sendo acompanhado junto aos demais ativos de risco, especialmente diante das mudanças nas expectativas de juros americanos e da percepção dos investidores sobre o ambiente global.
Imagem: Reprodução
