Os principais índices de ações dos Estados Unidos fecharam em forte alta nesta segunda-feira (12) após o anúncio de uma trégua tarifária entre EUA e China que reduz significativamente as tarifas impostas durante a guerra comercial iniciada pelo ex-presidente Donald Trump.
Acordo entre China e EUA anima mercados e impulsiona bolsas de Nova York
Bolsas dos EUA e da Ásia sobem forte após EUA e China anunciarem trégua tarifária de 90 dias, reduzindo tarifas sobre produtos de importação.
O índice S&P 500 atingiu 5.844,17 pontos, o maior patamar desde o início de março. A valorização expressiva refletiu a expectativa de um alívio inflacionário e de uma retomada no comércio global após a trégua tarifária.
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Principais índices de Nova York em alta

Desempenho dos índices americanos
- Dow Jones: +2,81%
- S&P 500: +3,26%
- Nasdaq: +4,35%
Esse movimento reflete o alívio dos investidores após meses de incertezas envolvendo as relações comerciais entre as duas maiores economias do mundo e a concretização da trégua tarifária.
Entenda a trégua tarifária entre EUA e China
Trégua de 90 dias reduz tarifas de forma significativa
O acordo entre Estados Unidos e China prevê uma trégua tarifária de 90 dias, durante a qual as chamadas “tarifas recíprocas” serão drasticamente reduzidas:
- As taxas dos EUA sobre produtos chineses cairão de 145% para 30%.
- As tarifas da China sobre produtos americanos cairão de 125% para 10%.
Essa mudança tem efeito imediato e representa uma reversão substancial da escalada tarifária promovida por Trump em abril, no episódio batizado por ele como o “Dia da Libertação”, agora temporariamente neutralizado pela trégua tarifária.
Impactos da guerra tarifária iniciada por Trump
Histórico das tarifas e escalada até a trégua
Em abril, os Estados Unidos impuseram tarifas a mais de 180 países, com a China sendo um dos alvos principais. Veja a cronologia que culminou na trégua tarifária:
- Início de abril: EUA impõem tarifa de 34% à China, além dos 20% já existentes.
- 4 de abril: China responde com tarifa extra de 34% sobre produtos americanos.
- 8 de abril: Prazo imposto por Trump para que a China recuasse; não houve acordo.
- 9 de abril: EUA elevam tarifa para 145%; China reage com 125% de tarifa sobre produtos americanos.
- 10 de abril: Casa Branca detalha que os 145% incluem tarifas acumuladas.
- 11 de abril: China confirma aumento tarifário equivalente.
A escalada foi interrompida, ao menos temporariamente, pela trégua tarifária estabelecida no início desta semana.
Por que a trégua tarifária anima os investidores?

Riscos de inflação e recessão global são afastados
Economistas explicam que o aumento das tarifas encarece produtos importados, o que pressiona a inflação e reduz o consumo. Isso compromete o crescimento econômico e pode levar a uma recessão global.
A trégua tarifária, portanto, é vista como uma vitória temporária contra esses riscos. Thomas Hayes, presidente da Great Hill Capital LLC, declarou à Reuters:
“O mercado precisa se recalibrar para a situação anterior ao ‘Dia da Libertação’, e isso parece uma economia em crescimento muito construtiva.”
Contudo, o otimismo não é unânime. Mark Williams, economista-chefe para a Ásia da Capital Economics, ponderou:
“Esta é uma redução substancial da tensão. No entanto, os EUA ainda impõem tarifas muito mais altas à China. Não há garantia de que a trégua tarifária de 90 dias dará lugar a um cessar-fogo duradouro.”
Bolsas asiáticas disparam com a trégua tarifária
Desempenho dos principais índices na Ásia
O mercado asiático reagiu de forma positiva ao anúncio da trégua tarifária. O yuan valorizou e atingiu seu maior patamar em seis meses, a 7,2001 por dólar.
Veja o desempenho das principais bolsas asiáticas:
- CSI 1000 (China): +1,40%
- Hang Seng (Hong Kong): +3,12%
Zhiwei Zhang, economista-chefe da Pinpoint Asset Management, destacou:
“Eu achava que as tarifas seriam reduzidas para algo em torno de 50%. Essa trégua tarifária é uma notícia muito positiva para ambas as economias e para o comércio global.”
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As bolsas do Japão e da Coreia do Sul já haviam encerrado os pregões antes do anúncio.
Europa também registra alta com efeito da trégua tarifária
As principais bolsas europeias acompanharam a tendência de alta, com investidores repercutindo o impacto positivo da trégua tarifária no comércio internacional.
Desempenho das bolsas europeias
- DAX (Alemanha): +0,22%
- CAC 40 (França): +1,37%
- FTSE 100 (Reino Unido): +0,59%
- Itália 40: +1,48%
- IBEX 35 (Espanha): +0,56%
- AEX (Holanda): +1,80%
- SMI (Suíça): +1,37%
Analistas avaliam que a trégua reduz riscos para as cadeias de produção europeias, já que muitas empresas do continente dependem de peças e componentes tanto dos EUA quanto da China.
Perspectivas após a trégua tarifária

Trégua é sinal positivo, mas incertezas continuam
O mercado aposta que os 90 dias de trégua tarifária possam abrir espaço para um acordo mais duradouro entre as duas potências. No entanto, ainda há desconfiança sobre a possibilidade de um entendimento definitivo.
A guerra tarifária já deixou sequelas nas cadeias globais de produção e nos custos logísticos. A retomada da normalidade dependerá de negociações políticas complexas e da disposição das partes em ceder.
Especialistas também observam que, mesmo com a redução das tarifas, elas ainda permanecem em níveis elevados — especialmente no caso americano.
Além disso, o clima eleitoral nos EUA e a postura nacionalista de Trump podem dificultar concessões maiores. Já a China, embora tenha demonstrado abertura, mantém uma posição firme na defesa de sua soberania comercial.
Conclusão: trégua tarifária traz otimismo, mas exige cautela
A forte alta nas bolsas de valores indica um alívio imediato nos mercados. Contudo, a trégua tarifária de 90 dias entre EUA e China não representa o fim da guerra comercial.
A depender dos desdobramentos políticos e das próximas rodadas de negociação, o cenário pode evoluir para um pacto duradouro — ou, ao contrário, escalar para novas tensões.
Até lá, os mercados continuarão reagindo a cada nova sinalização vinda de Washington e Pequim.
