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Quem ganha e quem perde no acordo do Mercosul e da União Europeia?

Avatar de Helena Serpa Helena Serpa · · · 4 min de leitura
Bandeiras do Brasil e do Mercosul lado a lado

O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE), negociado ao longo de mais de duas décadas, promete gerar impactos significativos para os países signatários. Embora o Brasil se destaque como o maior beneficiário em termos de PIB, exportações e atração de investimentos, o pacto também apresenta desafios consideráveis para setores específicos da economia.

A seguir, analisamos os principais pontos positivos e negativos desse tratado histórico.

O que é o acordo Mercosul-União Europeia?

Bandeira hasteada do Mercosul com o nome do bloco em espanhol
Imagem: rafapress/shutterstock.com

O acordo preliminar entre o Mercosul e a UE foi fechado em 2019 e envolve uma das maiores zonas de livre comércio do mundo. Ele abrange temas como a eliminação gradual de tarifas de importação, regulações comerciais, cooperação econômica e desenvolvimento sustentável. O tratado busca fortalecer o comércio entre os blocos, que juntos representam cerca de 25% do PIB global.

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Entre os principais objetivos estão:

  • Redução de tarifas para produtos agrícolas e industriais;
  • Ampliação do acesso a mercados;
  • Promoção de investimentos;
  • Estímulo à sustentabilidade ambiental e aos direitos trabalhistas.

Benefícios esperados para o Brasil

Impactos no PIB e nas exportações

De acordo com um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Brasil deve ser o maior beneficiário do acordo em termos de crescimento econômico. As projeções indicam um aumento de até 0,46% no PIB ao ano até 2040, com um crescimento equivalente nas exportações e importações, que podem atingir 3% ao ano. Produtos como carnes suína e de frango, frutas e vegetais estão entre os maiores vencedores.

Atração de investimentos

Outro ponto positivo é o aumento previsto de 1,49% nos investimentos estrangeiros no Brasil. A integração comercial com a UE proporciona maior confiança para investidores internacionais, favorecendo setores como infraestrutura e agronegócio.

Desafios e setores prejudicados

Setores vulneráveis

Apesar dos benefícios gerais, algumas indústrias brasileiras podem enfrentar dificuldades. A competição com produtos europeus, muitas vezes mais tecnologicamente avançados, pode impactar negativamente setores como:

  • Equipamentos elétricos (-1,6% na produção);
  • Máquinas e equipamentos (-1,0%);
  • Produtos farmacêuticos (-0,6%);
  • Têxteis (-0,5%);
  • Produtos metalúrgicos (-0,4%).

Questões ambientais

A UE tem exigido garantias relacionadas à proteção ambiental como condição para a implementação do acordo. Isso coloca o Brasil em uma posição delicada, considerando a pressão internacional para conter o desmatamento na Amazônia. Cumprir essas exigências pode representar desafios adicionais para o governo e o setor produtivo.

Perspectivas para os demais membros do Mercosul

Os outros países do Mercosul também devem se beneficiar do acordo, embora em menor escala. As exportações do bloco, excluindo o Brasil, podem crescer até 0,97% ao ano, enquanto os investimentos devem aumentar 0,41%. No entanto, economias menores como Paraguai e Uruguai enfrentam desafios similares em relação à concorrência europeia.

Impactos para a União Europeia

Para a UE, o acordo traz vantagens mais modestas, dado o tamanho de sua economia. Projeções indicam um impacto de 0,06% ao ano no PIB do bloco, com um aumento de 0,12% nas exportações. A principal vantagem para os europeus é o acesso privilegiado ao mercado sul-americano, especialmente para produtos industriais e tecnologias de ponta.

Críticas ao acordo

Homem com roupa de proteção e uma prancheta nas mãos em uma fábrica.Lula medidas indústria
Imagem: Gorodenkoff / Shutterstock.com

Proteção a indústrias locais

Entidades e associações industriais têm manifestado preocupações sobre o impacto do acordo em setores que não estão preparados para competir com produtos europeus. A falta de modernização e de políticas de incentivo pode dificultar a adaptação da indústria nacional.

Exigências europeias

As cláusulas ambientais e trabalhistas impostas pela UE também são alvos de críticas. Há preocupações de que essas medidas possam ser usadas como barreiras comerciais disfarçadas, prejudicando exportações brasileiras e de outros membros do Mercosul.

Considerações finais

O acordo entre Mercosul e União Europeia representa uma oportunidade única para aumentar a integração econômica e fortalecer laços comerciais. No entanto, seu sucesso dependerá da capacidade dos países envolvidos de equilibrar interesses econômicos, sociais e ambientais. Para o Brasil, o desafio é garantir que os ganhos superem as perdas, investindo em inovação e sustentabilidade para competir em um mercado global cada vez mais exigente.

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