Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Ações da Meta saltam mais de 11% com repercussão positiva do agente de IA Muse

Avatar de Kayky Santos Kayky Santos · · 13 min de leitura
Meta

A nova aposta da Meta em inteligência artificial provocou uma reação imediata em Wall Street. As ações da dona de Facebook, Instagram e WhatsApp avançaram 11,4% na segunda-feira (21), para cerca de US$ 741,25, depois que o Muse, novo agente pessoal de IA da companhia, ganhou espaço rapidamente entre os aplicativos mais baixados dos Estados Unidos.

O movimento não aconteceu apenas pela novidade tecnológica. Dados iniciais de adoção indicaram uma procura maior pelo Muse do que a observada no lançamento do aplicativo independente Meta AI, reforçando entre investidores a expectativa de que os bilhões de dólares gastos pela companhia em inteligência artificial possam começar a se transformar em produtos usados em grande escala.

O Muse chegou ao mercado em 8 de setembro de 2026 com uma proposta mais ambiciosa do que simplesmente responder perguntas: ele pode navegar na internet, interagir com outros aplicativos e executar tarefas em nome do usuário.

Leia mais:

Caso Master: 76% dos entrevistados apontam desgaste de imagem do STF, diz pesquisa

Na segunda-feira, o Muse ocupava a primeira posição entre os aplicativos gratuitos tanto na App Store da Apple quanto no Google Play nos Estados Unidos.

O desempenho inicial chamou atenção principalmente pela velocidade.

Nos seis dias seguintes ao lançamento, o aplicativo registrou mais de 902 mil downloads, segundo dados da Sensor Tower citados pela Bloomberg. No mesmo período após sua estreia, o aplicativo Meta AI havia alcançado cerca de 773 mil instalações.

A diferença representa aproximadamente 129 mil downloads adicionais na comparação entre os dois lançamentos.

Há ainda um detalhe relevante: esses números consideram o aplicativo independente. O Muse também pode ser utilizado pelo WhatsApp, o que significa que seu alcance real pode ser maior do que aquele indicado apenas pelas lojas de aplicativos.

Ainda assim, downloads iniciais não garantem que os usuários permanecerão utilizando a ferramenta no longo prazo. Retenção, frequência de uso e capacidade de monetização serão indicadores importantes para determinar se o sucesso de lançamento se transformará em um negócio relevante para a Meta.

Afinal, o que é o Muse?

O Muse faz parte de uma nova geração de sistemas chamados de agentes de inteligência artificial.

A diferença para um chatbot tradicional está principalmente na capacidade de agir.

Enquanto uma ferramenta convencional geralmente recebe uma pergunta e entrega uma resposta, um agente pode receber um objetivo, planejar diferentes etapas e executar ações para tentar chegar ao resultado solicitado.

A própria Meta define o Muse como um agente pessoal capaz de navegar pela web, utilizar informações de aplicativos conectados e realizar tarefas de várias etapas.

Na prática, o usuário pode pedir ajuda para tarefas como:

  • pesquisar e realizar reservas;
  • preencher formulários;
  • acompanhar preços;
  • organizar compromissos;
  • criar documentos;
  • gerar imagens;
  • realizar pesquisas na internet;
  • interagir com serviços conectados;
  • organizar tarefas recorrentes.

A Meta afirma ainda que o sistema pode continuar executando determinadas atividades mesmo depois que o aplicativo é fechado.

Essa característica ajuda a explicar por que as grandes empresas de tecnologia estão apostando tanto em agentes de IA.

A próxima disputa do setor pode deixar de ser apenas sobre quem oferece as melhores respostas e passar a envolver quem consegue realizar mais tarefas para o usuário.

Muse pode navegar sozinho pela internet

Uma das tecnologias utilizadas no produto é chamada pela Meta de Muse Secure VM.

Trata-se de uma máquina virtual dedicada que possui seu próprio navegador. Ela permite que o agente acesse páginas da internet para executar determinadas tarefas solicitadas pelo usuário.

É assim que o Muse pode, por exemplo, preencher formulários, procurar serviços ou auxiliar em uma reserva.

Esse funcionamento aproxima a inteligência artificial de um assistente digital capaz de operar interfaces que antes exigiam uma pessoa clicando manualmente em sites e aplicativos.

É justamente esse tipo de recurso que tornou os agentes uma das principais áreas de desenvolvimento da indústria de IA.

WhatsApp pode ser uma das maiores vantagens da Meta

A Meta possui algo que muitas empresas especializadas exclusivamente em inteligência artificial não têm: uma gigantesca rede de aplicativos utilizados diariamente.

O Muse pode ser acessado diretamente pelo WhatsApp, além de possuir aplicativos próprios.

A estratégia reduz uma barreira importante.

Em vez de convencer milhões de pessoas a adotar uma plataforma completamente nova, a companhia pode introduzir recursos de inteligência artificial dentro de ambientes já conhecidos pelos usuários.

A Meta também informa que o Muse pode trabalhar com aplicativos e serviços conectados, incluindo e-mail, calendário e Instagram.

Isso abre espaço para situações em que o usuário simplesmente escreve uma solicitação enquanto o agente consulta diferentes fontes para executá-la.

É uma mudança importante em relação ao Meta AI original, concentrado principalmente em conversas, criação de conteúdo e respostas dentro dos aplicativos da empresa.

Integração com dados pessoais aumenta o poder do agente

A personalização é outra peça importante da estratégia.

O Muse foi criado para trabalhar com informações autorizadas pelo próprio usuário e conectar diferentes serviços digitais.

Quanto mais contexto um agente possui, maior tende a ser sua capacidade de executar tarefas específicas.

Imagine, por exemplo, um usuário que autorize o acesso ao calendário e ao e-mail.

Em vez de perguntar apenas “qual horário seria melhor para uma reunião?”, o agente poderia analisar compromissos existentes e auxiliar na organização do encontro.

É justamente esse acesso mais profundo que também transforma privacidade e segurança em questões centrais para o sucesso dos agentes.

Meta diz que ações importantes precisam de autorização

Permitir que uma inteligência artificial compre produtos ou envie mensagens exige salvaguardas diferentes das utilizadas por um simples chatbot.

Segundo a Meta, o Muse foi desenvolvido para solicitar autorização antes de determinadas ações consideradas sensíveis.

Isso inclui situações como enviar mensagens, realizar compras ou compartilhar informações com aplicativos conectados.

O usuário também pode visualizar um histórico das ações realizadas pelo agente.

A empresa afirma ainda que dados de login são armazenados em um sistema separado de credenciais ao qual o próprio agente não possui acesso direto.

Essas proteções serão especialmente importantes conforme sistemas de IA ganham autonomia para operar sites e contas reais.

Por que as ações da Meta subiram tanto?

O avanço de 11,4% das ações na segunda-feira refletiu mais do que simplesmente o número de downloads de um aplicativo.

O mercado tenta responder a uma pergunta que acompanha a indústria de inteligência artificial há anos: quando os enormes investimentos em infraestrutura começarão a produzir retornos financeiros relevantes?

A Meta está entre as gigantes de tecnologia que destinam dezenas de bilhões de dólares a data centers, chips e desenvolvimento de modelos.

O sucesso inicial do Muse ofereceu aos investidores uma evidência de que essa infraestrutura pode ser usada para criar produtos de IA diretamente voltados ao consumidor.

Analistas da Evercore ISI classificaram a recepção inicial como um sinal concreto de inovação bem-sucedida e apontaram possibilidades futuras de monetização por publicidade, assinaturas e participação em transações realizadas com ajuda do agente.

Trata-se, porém, de uma avaliação de analistas, e não de uma garantia de que essas receitas efetivamente serão alcançadas.

Meta já acumulava forte valorização em setembro

O salto de segunda-feira tornou setembro um mês particularmente forte para os papéis da companhia.

Após o fechamento de 21 de setembro, as ações acumulavam uma valorização próxima de 30% no mês, segundo dados divulgados pelo InfoMoney com base na Bloomberg.

A reação chama atenção porque, até o fechamento da sexta-feira anterior, a valorização acumulada em 2026 era de apenas aproximadamente 0,9%.

Ou seja, boa parte do movimento recente ocorreu em poucas sessões, impulsionada pelo renovado entusiasmo dos investidores com inteligência artificial.

Isso também mostra o grau de sensibilidade atual das grandes empresas de tecnologia às notícias relacionadas ao setor.

Alta da Meta também ajudou empresas de chips

O entusiasmo não ficou restrito à companhia de Mark Zuckerberg.

Na mesma sessão, empresas ligadas à infraestrutura de inteligência artificial também avançaram com força.

A Reuters registrou uma recuperação ampla das ações relacionadas a IA e semicondutores, que contribuiu para levar o Nasdaq a um fechamento recorde na segunda-feira.

A AMD chegou a ganhar cerca de 10% durante a sessão, enquanto Intel e Arm também apresentaram fortes valorizações, segundo informações compiladas pela Bloomberg e reproduzidas pelo InfoMoney.

Existe uma relação direta entre essas empresas.

Quanto maior o uso de aplicações avançadas de inteligência artificial, maior tende a ser a necessidade de infraestrutura computacional capaz de processar bilhões de solicitações.

Muse é diferente do Meta AI?

Sim.

Embora os dois produtos pertençam à Meta e compartilhem tecnologias de inteligência artificial da companhia, eles possuem propostas diferentes.

O Meta AI funciona principalmente como um assistente integrado a serviços como WhatsApp, Instagram, Messenger e Facebook. Ele pode responder perguntas, criar imagens, auxiliar em pesquisas e executar outras funções de IA generativa.

O Muse tenta ir além.

Sua principal característica é a capacidade de receber uma tarefa e realizar ações para concluí-la.

A Meta oferece um exemplo simples: enquanto um chatbot pode explicar como fazer uma reserva, um agente pode navegar no site necessário e executar diferentes etapas do processo.

A fronteira entre as duas ferramentas tende, porém, a ficar cada vez menor conforme os recursos do Muse são incorporados ao ecossistema da companhia.

O Muse usa uma nova inteligência artificial da Meta

Por trás dos novos produtos está a família Muse Spark, desenvolvida pela Meta Superintelligence Labs.

A empresa descreve o Muse Spark como um modelo desenvolvido especialmente para tarefas de longa duração e fluxos de trabalho que exigem diferentes etapas.

Além de texto, a tecnologia possui recursos multimodais para interpretar imagens, documentos, áudio e vídeo.

Isso permite que um agente não apenas leia uma instrução escrita, mas também utilize diferentes tipos de informação enquanto trabalha em uma tarefa.

A versão Muse Spark 1.3 foi apresentada no início de setembro, poucos dias antes da estreia do agente pessoal Muse.

Segurança será um dos maiores testes

Quanto mais poderoso é um agente, maior é o impacto potencial de um erro.

Uma resposta incorreta em um chatbot já pode causar problemas. Em um agente autorizado a executar ações, o risco pode envolver compras, mensagens, reservas ou alterações em contas.

Por isso, a Meta afirma ter realizado avaliações específicas de segurança antes da implantação do Muse Spark.

Os testes envolveram riscos cibernéticos, químicos e biológicos, comportamento do modelo e cenários relacionados à perda de controle. Segundo a própria empresa, o modelo ficou dentro dos limites de segurança definidos em sua estrutura interna de avaliação.

Essas informações são avaliações divulgadas pela própria Meta e não eliminam a necessidade de acompanhamento independente conforme milhões de pessoas passam a utilizar a tecnologia.

Muse é gratuito?

A Meta informa que existe uma modalidade gratuita do Muse com limite de utilização.

Depois de atingir esse limite, o usuário pode esperar a renovação da franquia ou contratar um plano pago.

Reportagem publicada pelo InfoMoney, citando a Bloomberg, aponta opções de assinatura de US$ 20 e US$ 100 mensais, que oferecem limites maiores de utilização.

Os valores e condições podem variar conforme mercado, plataforma e mudanças feitas pela companhia.

Muse está disponível no Brasil?

A Meta mantém páginas oficiais para download do Muse em iPhone e Android e também oferece uma versão para computadores Mac. A empresa informa ainda integração com WhatsApp.

No entanto, a companhia vem fazendo lançamentos e liberações de ferramentas de inteligência artificial de maneira gradual.

Por isso, a disponibilidade de cada recurso pode variar conforme país, conta e plataforma.

Antes de tentar utilizar determinada função, o usuário deve verificar se ela já aparece oficialmente no aplicativo ou nos canais da Meta disponíveis em sua região.

O que explica tanto interesse pelos agentes de IA?

Durante os primeiros anos da atual onda de inteligência artificial generativa, a maior parte do uso girava em torno de uma estrutura simples: o usuário fazia uma pergunta e a máquina respondia.

Os agentes mudam essa lógica.

Agora, a ordem pode ser algo como: “encontre três hotéis dentro do meu orçamento, compare as avaliações com meu calendário e organize a melhor opção”.

O sistema divide esse pedido em diferentes etapas e utiliza ferramentas para tentar executá-las.

A Meta explica que agentes desse tipo podem continuar trabalhando em tarefas por mais tempo e adaptar o planejamento conforme encontram novas informações.

Essa capacidade é considerada uma das próximas grandes fronteiras da inteligência artificial comercial.

O sucesso inicial do Muse ainda precisa passar pelo teste do tempo

Os primeiros números são expressivos.

O Muse ultrapassou 900 mil downloads em menos de uma semana, chegou ao topo das principais lojas americanas e ajudou a desencadear uma valorização de dois dígitos nas ações da Meta.

Mas o desafio seguinte é diferente.

A companhia precisará mostrar que usuários continuarão utilizando o agente depois da curiosidade inicial e que esse uso poderá ser transformado em receitas suficientes para justificar os enormes investimentos feitos em inteligência artificial.

Também será necessário provar que agentes capazes de acessar dados pessoais e executar ações podem funcionar de maneira confiável e segura em grande escala.

Por enquanto, a estreia do Muse oferece algo que Wall Street vinha esperando da Meta: um sinal concreto de que sua estratégia de inteligência artificial pode resultar em produtos capazes de atrair rapidamente o consumidor comum.

Perguntas frequentes

O que é o Muse da Meta?

Muse é um agente pessoal de inteligência artificial desenvolvido pela Meta. Diferentemente de um chatbot tradicional, ele pode navegar pela internet, utilizar aplicativos conectados e executar tarefas em várias etapas em nome do usuário.

Quando o Muse foi lançado?

A Meta apresentou o Muse ao público em 8 de setembro de 2026.

Quantas pessoas baixaram o Muse?

Segundo dados da Sensor Tower citados pela Bloomberg, o aplicativo ultrapassou 902 mil downloads nos seis primeiros dias depois do lançamento.

Por que as ações da Meta subiram mais de 11%?

Os papéis ganharam 11,4% em 21 de setembro em meio ao forte desempenho inicial do Muse e ao renovado otimismo de investidores sobre os investimentos da empresa em inteligência artificial.

O Muse funciona no WhatsApp?

Sim. A Meta informa que é possível conversar com o Muse pelo WhatsApp, além dos aplicativos próprios da ferramenta.

O Muse é gratuito?

Existe uma modalidade gratuita com limite de uso. Quando essa franquia é atingida, a Meta oferece a possibilidade de esperar a renovação ou contratar uma assinatura.

Qual é a diferença entre Muse e Meta AI?

O Meta AI funciona principalmente como um assistente de IA. O Muse foi desenvolvido como um agente capaz de executar ações, navegar pela web e realizar tarefas de várias etapas utilizando ferramentas e aplicativos conectados.

O Muse pode fazer compras sozinho?

O agente possui recursos para auxiliar e executar compras, mas a Meta afirma que determinadas ações críticas, incluindo compras, exigem aprovação do usuário.

Compartilhar