A divisão Reality Labs, responsável pelos projetos de realidade virtual, realidade aumentada e dispositivos inteligentes da Meta, voltou a registrar prejuízo bilionário, mesmo com o crescimento das receitas no segmento.
Meta perde US$ 4,6 bilhões com unidade responsável por óculos inteligentes
Meta Reality Labs registra perdas bilionárias, mas empresa amplia investimentos em IA e vê crescimento de receita no trimestre.
O resultado financeiro divulgado pela empresa mostra que a unidade teve perda de US$ 4,6 bilhões no segundo trimestre de 2026, valor equivalente a cerca de R$ 23 bilhões considerando a cotação do período. O número representa uma ampliação das perdas em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, quando o prejuízo havia sido de aproximadamente US$ 4,5 bilhões.
A divisão reúne produtos como os óculos inteligentes desenvolvidos em parceria com a Ray-Ban, equipamentos de realidade virtual da linha Quest e tecnologias voltadas ao chamado metaverso, conceito que durante anos foi apresentado pela Meta como uma das grandes fronteiras da tecnologia.
Apesar das perdas elevadas, a empresa mantém a estratégia de investir pesadamente nesses mercados, especialmente na integração entre inteligência artificial, dispositivos vestíveis e novas formas de interação digital.
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Reality Labs aumenta receita, mas continua distante de equilibrar as contas
Embora o prejuízo tenha crescido, a Reality Labs conseguiu elevar sua receita no período analisado.
A unidade registrou faturamento de US$ 431 milhões, acima dos US$ 370 milhões obtidos no mesmo trimestre de 2025. O avanço representa crescimento nas vendas de dispositivos e serviços relacionados ao ecossistema de realidade aumentada e virtual.
No entanto, o aumento da receita ainda não foi suficiente para compensar os altos custos envolvidos no desenvolvimento dos produtos.
A área exige investimentos constantes em pesquisa, engenharia, fabricação de hardware e desenvolvimento de software. Diferentemente das plataformas tradicionais da Meta, como Facebook, Instagram e WhatsApp, que possuem modelos de negócio baseados principalmente em publicidade digital, a Reality Labs depende da venda de equipamentos físicos e da criação de um mercado consumidor ainda em expansão.
A empresa considera esse investimento como uma aposta de longo prazo, semelhante ao movimento realizado por outras gigantes de tecnologia ao desenvolver novas categorias de produtos antes da consolidação comercial.
Meta mantém resultado geral positivo com crescimento da publicidade digital
Apesar das dificuldades da Reality Labs, o desempenho geral da Meta apresentou números robustos no segundo trimestre de 2026.
A companhia registrou receita total de US$ 60,8 bilhões, alta de 28% em comparação com o mesmo período do ano anterior. O crescimento foi impulsionado principalmente pelo negócio de publicidade digital, que continua sendo a principal fonte de faturamento da empresa.
As plataformas Facebook, Instagram e WhatsApp seguem concentrando grande parte da geração de receita da companhia, especialmente por meio de anúncios direcionados por sistemas de inteligência artificial.
Mesmo com o avanço da receita, alguns indicadores financeiros apresentaram retração.
O lucro líquido ficou em US$ 15,8 bilhões, uma queda em relação ao mesmo trimestre anterior. O lucro operacional também recuou, alcançando US$ 18,7 bilhões.
O lucro por ação foi de US$ 6,18, resultado abaixo das expectativas projetadas por analistas de mercado.
Investimentos em inteligência artificial se tornam prioridade da Meta
Um dos principais pontos do balanço foi o aumento dos investimentos em inteligência artificial.
A Meta destinou mais de US$ 31 bilhões para desenvolvimento tecnológico relacionado à área, incluindo infraestrutura computacional, modelos de IA, ferramentas para anunciantes e melhorias nos produtos digitais da companhia.
O investimento representa uma forte expansão em relação ao ano anterior e demonstra que a inteligência artificial passou a ocupar posição central na estratégia da empresa.
A tecnologia já vem sendo aplicada em diferentes áreas, como recomendações de conteúdo, criação de anúncios, assistentes virtuais e ferramentas para usuários das redes sociais.
No Instagram, a Meta informou que melhorias baseadas em inteligência artificial ajudaram a aumentar o tempo de permanência dos usuários na plataforma.
Segundo a empresa, os ajustes nos sistemas de recomendação do feed e dos vídeos curtos do Reels elevaram indicadores relacionados ao consumo e compartilhamento de conteúdo.
Inteligência artificial muda disputa entre grandes empresas de tecnologia
O avanço dos investimentos da Meta em IA ocorre em meio a uma competição global envolvendo algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo.
Companhias como Microsoft, Google e OpenAI ampliaram investimentos em modelos generativos, infraestrutura de dados e aplicações comerciais.
Nesse cenário, a Meta busca fortalecer sua posição oferecendo ferramentas próprias de inteligência artificial integradas às suas plataformas com bilhões de usuários.
A empresa também aposta em modelos de código aberto, como a família de modelos Llama, tentando ampliar sua participação no desenvolvimento da tecnologia.
A estratégia é transformar a IA em uma ferramenta capaz de aumentar o engajamento dos usuários e melhorar a eficiência da publicidade digital, principal fonte de receita da companhia.
Óculos inteligentes são uma das principais apostas para o futuro
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Dentro da Reality Labs, os óculos inteligentes representam uma das iniciativas mais importantes da Meta.
Diferentemente dos primeiros produtos de realidade virtual, que exigiam equipamentos maiores e ambientes específicos para uso, os óculos inteligentes buscam uma experiência mais próxima dos acessórios utilizados diariamente.
A integração com inteligência artificial permite recursos como interação por voz, reconhecimento de elementos do ambiente, captura de imagens e auxílio em tarefas cotidianas.
A empresa aposta que dispositivos vestíveis podem se tornar uma nova plataforma tecnológica, assim como smartphones substituíram antigos formatos de comunicação e computação pessoal.
Entretanto, o mercado ainda enfrenta desafios, como preço elevado, necessidade de criar novos hábitos de consumo e dúvidas dos usuários relacionadas à privacidade.
Custos aumentam e Meta reduz quadro de funcionários
O balanço financeiro também revelou aumento dos custos operacionais da companhia.
As despesas totais chegaram a US$ 42 bilhões no trimestre, incluindo gastos relacionados a reestruturações e pagamentos de desligamentos.
A Meta encerrou o período com aproximadamente 75 mil funcionários, número ligeiramente menor em comparação ao ano anterior.
A redução faz parte de uma estratégia de controle de despesas adotada pela empresa após um período de expansão acelerada durante a pandemia.
Ao mesmo tempo, a companhia direciona recursos para áreas consideradas estratégicas, principalmente inteligência artificial e infraestrutura tecnológica.
Dívida de longo prazo cresce com expansão dos investimentos

Outro dado relevante apresentado pela Meta foi o crescimento da dívida de longo prazo.
O valor registrado chegou a aproximadamente US$ 83 bilhões ao final do trimestre, representando aumento significativo em relação ao período anterior.
O crescimento está relacionado ao ritmo elevado de investimentos da companhia em centros de dados, equipamentos de computação avançada e desenvolvimento de novas tecnologias.
A inteligência artificial exige uma infraestrutura robusta, com grande capacidade de processamento e armazenamento, o que aumenta os gastos das empresas que disputam liderança nesse mercado.
imagem criada com auxílio de IA via ChatGPT.
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