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Metanol no combustível: perigo de corrosão e problemas no motor

Metanol no combustível pode causar corrosão e falhas no motor. Saiba os riscos, como identificar adulteração e evitar danos no veículo.

Bianca BorgesPor Bianca Borges6 min de leitura
Gasolina

Uma megaoperação deflagrada em 28 de agosto revelou um esquema criminoso bilionário envolvendo adulteração de combustíveis com metanol, substância altamente tóxica, corrosiva e inflamável.

Segundo investigações, postos controlados pela facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) comercializavam gasolina e etanol com até 90% de metanol na composição, colocando em risco veículos e consumidores em todo o país.

Especialistas consultados pelo g1 alertam que o metanol no combustível pode causar desde a queima precoce da bomba de combustível até a corrosão severa de peças essenciais do motor, com danos que podem aparecer já no primeiro tanque abastecido.

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O que é metanol e por que está presente no combustível?

Combustíveis
Imagem: Skitterphoto / Pixabay

O metanol é um composto químico usado principalmente como solvente e matéria-prima na indústria química. Produzido a partir do gás natural, é essencial na fabricação de adesivos, solventes, formol, resinas, pisos, revestimentos e biodiesel.

No Brasil, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) determina que o metanol pode estar presente em no máximo 0,5% da composição da gasolina ou do etanol comercializados legalmente.

Entretanto, a operação criminosa apontou que combustíveis adulterados chegavam a conter até 90% dessa substância, configurando um grave risco à segurança veicular e à saúde pública.

Perigos do metanol no combustível

Corrosão de peças essenciais do motor

O metanol é altamente corrosivo, especialmente para componentes metálicos. Segundo o técnico e professor de mecânica automotiva Tenório Júnior, as peças mais afetadas são:

  • Bicos injetores
  • Flauta de combustível
  • Câmara de combustão
  • Guia de válvulas
  • Bombas de baixa e alta pressão

Bruno Bandeira, mecânico proprietário da Oficina Mecânica Na Garagem, explica que o metanol pode queimar a bomba de combustível rapidamente. Em muitos casos, o veículo não consegue rodar nem durante um tanque cheio com combustível adulterado.

Danos imediatos e a longo prazo

Além da corrosão gradual, o metanol pode causar problemas imediatos, como falha na partida do motor. Segundo Bandeira, o combustível contaminado pode criar uma goma que trava a haste de válvula do cabeçote, impedindo que o carro funcione corretamente.

A bomba de alta pressão sofre desgaste acelerado devido à compressão acima do esperado, fazendo com que seus componentes internos se desgastem rapidamente, podendo até “desaparecer”, como descreve o mecânico.

Riscos à saúde e segurança

Além dos danos aos veículos, o metanol é altamente tóxico e inflamável. Sua manipulação, armazenamento e transporte sem os devidos cuidados podem causar intoxicações graves e incêndios, o que aumenta a gravidade do esquema de adulteração detectado.

Como identificar combustível adulterado com metanol?

Sintomas comuns nos veículos

Especialistas apontam sinais claros de que o combustível pode estar adulterado:

  • Acendimento da luz de alerta no painel, causado pela saturação dos sensores
  • Perda significativa de potência e resposta “borrachuda” do acelerador
  • Aumento do consumo de combustível, com queda de até 30% na autonomia do tanque
  • Dificuldade para dar partida pela manhã
  • Ruídos estranhos no motor, especialmente em saídas e subidas
  • Odor incomum, como cheiro de solvente ou querosene, saindo pelo escapamento

Denis Marum, mecânico com formação em engenharia, destaca que logo após o abastecimento adulterado o motorista percebe a redução da performance do veículo.

Testes simples para o consumidor

O especialista da ANP, José Luiz de Souza, explica um método caseiro para detectar adulteração antes do abastecimento:

  1. Coletar 50 ml do combustível suspeito.
  2. Misturar com 50 ml de água e uma pequena quantidade de sal.
  3. Após repouso de 10 minutos, observar a separação dos líquidos.

Como a gasolina pode conter até 30% de etanol, a separação deve acontecer ao atingir aproximadamente 65 ml. Se o volume for inferior, indica que há menos álcool do que o permitido, sugerindo adulteração.

Limitações do teste para detectar metanol

Tenório Júnior alerta que o metanol não se separa da água, ao contrário do etanol, o que torna sua detecção mais difícil. O metanol é solúvel na água, podendo camuflar-se na mistura, dificultando a identificação do combustível adulterado por métodos simples.

Teste de densidade nos postos

A ANP determina que todos os postos devem possuir kits para testes rápidos de qualidade, incluindo densímetros para medir a densidade do combustível. Segundo a resolução nº 9 de 2007 da ANP, a densidade máxima permitida para a gasolina é de 0,75425 t/m³.

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O coordenador do Sindipostos do Piauí, Luciano Santos, reforça que o consumidor pode solicitar a realização desse teste no posto caso tenha dúvidas sobre a qualidade do combustível.

Consequências para o motor e o bolso do consumidor

Além dos danos técnicos, abastecer com combustível adulterado representa um impacto financeiro direto. O aumento do consumo, aliado ao risco de falhas mecânicas graves, gera gastos elevados com manutenção e reparos, além do risco de paralisação do veículo.

Segundo mecânicos consultados, a prática de adulteração tem se tornado mais frequente, com predomínio do metanol em relação ao etanol adulterado. Muitos veículos não conseguem mais sequer usar a gasolina para limpeza de peças, pois a qualidade está comprometida.

Ações de fiscalização e combate à adulteração

A megaoperação realizada em agosto de 2025 representou um avanço importante no combate a fraudes no setor de combustíveis, envolvendo forças policiais e órgãos reguladores para desarticular esquemas criminosos e proteger o consumidor.

A ANP mantém rígido controle sobre a composição e qualidade dos combustíveis comercializados, exigindo que postos e distribuidoras sigam normas rigorosas, inclusive com kits de testes obrigatórios para detecção de adulteração.

Como se proteger e agir em caso de suspeita

mão de homem segurando bomba de combustível enquanto abastece o carro com gasolina
Imagem: jittawit21 / Shutterstock.com

Dicas para consumidores

  • Prefira abastecer em postos confiáveis e estabelecimentos reconhecidos.
  • Observe o comportamento do veículo após abastecer, prestando atenção a perda de potência, ruídos e luzes de alerta.
  • Solicite o teste de qualidade no posto, especialmente se perceber algo diferente no combustível.
  • Caso o veículo apresente problemas graves logo após abastecer, procure uma oficina especializada para diagnóstico.
  • Denuncie suspeitas de adulteração aos órgãos competentes, como ANP e Procon.

Responsabilidade dos postos e distribuidores

Os revendedores devem cumprir a legislação e garantir que o combustível vendido esteja dentro dos padrões de qualidade estabelecidos pela ANP. A omissão ou conivência com adulterações pode levar a sanções administrativas e criminais.

Conclusão

A presença de metanol em concentrações elevadas no combustível representa um risco grave para a saúde dos veículos e de seus proprietários. Além de danificar componentes vitais do motor, o metanol dificulta o desempenho, aumenta custos e pode até impedir que o carro funcione.

Com a crescente descoberta de esquemas criminosos de adulteração, é fundamental que consumidores fiquem atentos aos sinais de combustível adulterado e saibam como identificar e agir diante do problema.

A fiscalização contínua da ANP e a cooperação entre órgãos de segurança são essenciais para garantir a qualidade dos combustíveis no Brasil e a segurança dos motoristas em todo o país.

Bianca Borges

Autor

Bianca Borges

Bianca Borges é estudante de Publicidade e desenvolvedora em formação, com paixão por cultura pop, tecnologia e universos geek. Fã de Star Wars, DC Comics, RPG e The Walking Dead, ela traz sua visão criativa e analítica para o time do Seu Crédito Digital, colaborando na produção de conteúdos relevantes sobre consumo, serviços públicos e finanças do dia a dia. Com estilo descontraído e foco em clareza, Bianca ajuda leitores a entender temas complexos com leveza e precisão.

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