Nenhum país abriu tantos mercados para produtos do agronegócio brasileiro nos últimos anos quanto o México. Desde 2023, a nação norte-americana passou a importar 22 novos produtos do Brasil, movimentando cifras bilionárias e consolidando-se como o principal destino das exportações brasileiras em novos mercados, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Produtos agrícolas do Brasil ganham espaço no México apesar do tarifão de Trump
México se tornou o maior destino do agronegócio brasileiro em novos mercados, comprando 22 produtos desde 2023 e gerando US$ 870 milhões em exportações.
O movimento faz parte de um processo de diversificação comercial do Brasil, em meio a incertezas no comércio internacional e às pressões de tarifas aplicadas pelos Estados Unidos.
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Exportações brasileiras ao México ganham força

De acordo com os números oficiais, o México comprou cerca de US$ 870 milhões em produtos do agronegócio brasileiro, o equivalente a 50,4% do total de exportações destinadas a novos mercados desde 2023, que somaram US$ 1,7 bilhão no período.
Comparativo com outros mercados
O México lidera com folga entre os países que mais ampliaram a compra de produtos agropecuários brasileiros recentemente:
- México: US$ 870 milhões (50,4%)
- Egito: US$ 175 milhões (10,2%)
- Vietnã: US$ 157 milhões (9,1%)
- Turquia: US$ 89 milhões (5,2%)
- Argélia: US$ 81,3 milhões (4,7%)
Esse desempenho demonstra como o mercado mexicano se tornou estratégico para o agronegócio nacional.
Proteínas animais impulsionam exportações
Entre os setores de maior destaque estão as proteínas animais.
Carne bovina e suína em ascensão
Em 2023, o Brasil exportou para o México:
- Carne bovina: US$ 214 milhões
- Carne suína: US$ 102,6 milhões
Ambos os mercados foram abertos recentemente e já apresentam resultados expressivos.
Outros produtos exportados
Além disso, frutas, grãos e derivados também passaram a integrar a lista de novos produtos exportados, ampliando a diversificação comercial.
Contexto internacional e o impacto do tarifaço dos EUA

A aproximação entre Brasil e México ocorre em meio ao tarifaço do governo Donald Trump, que tem afetado as relações comerciais do México com os Estados Unidos, seu principal parceiro.
Novas oportunidades para o Brasil
Essa conjuntura abriu espaço para que o Brasil ocupasse parte da demanda mexicana, ao mesmo tempo em que fortaleceu a agenda bilateral de aproximação econômica.
Negociações bilaterais Brasil-México
O governo federal estuda enviar uma comitiva ao México em agosto, liderada pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, para discutir acordos comerciais.
Conversas entre Lula e Sheinbaum
No mês passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com a presidente mexicana Claudia Sheinbaum. Na ligação, Lula destacou a importância de aprofundar os laços econômicos e sugeriu o início de negociações para ampliar o acordo comercial vigente.
Limitações do acordo atual
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Hoje, Brasil e México contam apenas com o Acordo de Complementação Econômica (ACE), considerado limitado. Há anos existem tentativas de expandi-lo, mas até agora sem avanços concretos.
Barreiras tarifárias no México
Apesar do avanço das exportações, produtos agropecuários brasileiros enfrentam tarifas de até 60% para entrar no mercado mexicano.
O papel do Pacic
O cenário começou a mudar a partir de 2022, quando o governo mexicano lançou o programa “Paquete Contra la Inflación y la Carestía” (Pacic), que isentou uma série de alimentos importados, abrindo espaço para maior competitividade do Brasil.
Perspectivas para o agronegócio

Especialistas avaliam que a aproximação entre Brasil e México pode consolidar uma nova rota comercial estratégica para o agronegócio brasileiro, reduzindo a dependência de mercados tradicionais como China e Estados Unidos.
Desafios
- Necessidade de reduzir tarifas e barreiras sanitárias.
- Manutenção da competitividade frente a outros fornecedores globais.
- Ampliar a diversificação de produtos além das proteínas animais.
Oportunidades
- Consolidação do México como parceiro comercial de longo prazo.
- Possibilidade de acordos bilaterais que ampliem o escopo do ACE.
- Fortalecimento da posição do Brasil como fornecedor confiável de alimentos.
Conclusão
O México desponta como o principal motor da expansão do agronegócio brasileiro em novos mercados nos últimos anos. O desafio agora é transformar esse crescimento em parcerias comerciais duradouras e estruturadas, garantindo mais espaço para os produtos brasileiros em solo mexicano e fortalecendo a posição do Brasil no comércio internacional.
