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Milei quer impedir Banco Central de financiar gastos do governo argentino

O presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou um pacote de reformas que pretende limitar permanentemente os gastos públicos, aumentar a independência do Ban

Bruna MachadoPor Bruna Machado18 min de leitura
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O presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou um pacote de reformas que pretende limitar permanentemente os gastos públicos, aumentar a independência do Banco Central e impedir que a autoridade monetária financie o governo por meio da emissão de dinheiro.

A parte mais controversa do plano é a criação de uma espécie de “shutdown”, termo usado para definir a paralisação de atividades não essenciais do Estado. O mecanismo seria acionado automaticamente se o país acumulasse déficits por vários meses e o Congresso não conseguisse reequilibrar as contas dentro do prazo estabelecido.

Durante essa paralisação, novos gastos seriam congelados, contratos deixariam de ser concedidos e determinadas atividades públicas seriam suspensas. O presidente, o vice-presidente, ministros, secretários, deputados e senadores também ficariam sem receber salário enquanto a medida estivesse em vigor.

Apesar do impacto do anúncio, nada disso está valendo. As mudanças dependem da apresentação formal dos projetos e da aprovação do Congresso argentino. Milei não informou uma data definitiva para o envio das propostas ao Legislativo.

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O que Milei anunciou?

Milei
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Em pronunciamento nacional realizado em 30 de julho de 2026, Milei apresentou quatro frentes de mudanças econômicas e institucionais:

  • reforma da Carta Orgânica do Banco Central da República Argentina;
  • criação de uma regra fiscal com “shutdown” em caso de déficit prolongado;
  • liberalização do mercado de capitais;
  • reforma estrutural do mercado de seguros.

A Carta Orgânica funciona como uma espécie de estatuto do Banco Central. Ela define quais são os objetivos da instituição, o que seus dirigentes podem fazer, como são nomeados ou afastados e quais operações financeiras estão autorizadas.

Milei pretende reescrever parte dessas regras para impedir que governos futuros utilizem o Banco Central para financiar despesas públicas. Na visão do presidente, a emissão de moeda para cobrir o déficit foi uma das principais causas da inflação crônica enfrentada pela Argentina.

O projeto do chamado “grillete fiscal”, expressão que pode ser traduzida como “freio” ou “algema fiscal”, complementaria essa reforma. A intenção seria obrigar o Congresso e o Executivo a reagir rapidamente sempre que as despesas superassem as receitas por um período prolongado.

Como seria a reforma do Banco Central argentino?

O governo apresentou cinco eixos centrais para modificar o funcionamento do Banco Central da República Argentina, conhecido pela sigla BCRA.

A proposta procura transformar algumas medidas adotadas desde o início do governo Milei em restrições permanentes. O objetivo declarado é evitar que futuras administrações retomem o financiamento monetário do déficit.

Preservar o valor da moeda seria a missão principal

A primeira mudança seria redefinir o objetivo fundamental do Banco Central.

A Carta Orgânica atualmente atribui à instituição diferentes finalidades, como estabilidade monetária, estabilidade financeira, emprego e desenvolvimento econômico com equidade social.

Milei considera que a existência de vários objetivos permite interferências políticas na condução da política monetária. Por isso, pretende estabelecer como missão fundamental do BCRA a preservação do valor da moeda.

Em linguagem simples, o Banco Central teria como prioridade impedir que o peso argentino perdesse poder de compra rapidamente.

Isso não significa que outras questões econômicas deixariam de existir. A mudança serviria para definir qual objetivo deve prevalecer quando houver conflito entre estimular a economia e controlar a inflação.

Financiamento do governo seria proibido

Outro ponto central é a proibição expressa de o Banco Central financiar o Estado.

A restrição alcançaria:

  • o Tesouro Nacional;
  • governos provinciais;
  • municípios;
  • compra de títulos públicos no mercado primário;
  • outros mecanismos indiretos de transferência de recursos.

O mercado primário é o ambiente no qual um título é vendido pela primeira vez. Quando o Banco Central compra diretamente um título recém-emitido pelo governo, está fornecendo recursos ao Estado.

Essa operação pode aumentar a quantidade de dinheiro em circulação. Se a produção de bens e serviços não crescer na mesma proporção, existe o risco de pressão sobre os preços e sobre a cotação da moeda.

O que é financiamento monetário?

O financiamento monetário acontece quando o Banco Central cria ou transfere dinheiro para ajudar o governo a pagar suas despesas.

Imagine que o Estado arrecade o equivalente a R$ 100, mas gaste R$ 120. Os R$ 20 restantes precisam vir de algum lugar.

Em condições normais, o governo pode cortar despesas, aumentar receitas ou tomar dinheiro emprestado no mercado. Outra possibilidade é recorrer ao Banco Central, que fornece recursos por meio da emissão monetária ou da compra de títulos públicos.

Milei quer eliminar essa última possibilidade. Para ele, permitir que o Estado cubra suas contas com emissão de moeda funciona como um “imposto inflacionário”, pois reduz o poder de compra do dinheiro mantido pela população.

Economistas concordam que a expansão monetária persistente para financiar déficits pode alimentar a inflação. Entretanto, também consideram fatores como oferta de produtos, câmbio, tarifas, expectativas e choques externos ao analisar o comportamento dos preços.

Presidente do Banco Central teria maior proteção

A proposta também pretende dificultar a remoção do presidente e dos diretores do BCRA.

Segundo Milei, o objetivo é proteger as autoridades monetárias de pressões políticas. A retirada de dirigentes passaria a exigir o apoio de dois terços da Câmara dos Deputados e de dois terços do Senado.

A nomeação continuaria seguindo o mecanismo atual. A mudança estaria principalmente nas regras para o afastamento.

Na prática, um governo insatisfeito com a política de juros ou com a recusa do Banco Central em financiar despesas teria mais dificuldade para substituir seus dirigentes.

Independência não significa ausência de fiscalização

Um Banco Central independente continua sujeito à legislação, à prestação de contas e à fiscalização das instituições responsáveis.

A independência está relacionada principalmente à capacidade de tomar decisões monetárias sem obedecer às necessidades eleitorais imediatas do governo.

Por exemplo, um presidente pode desejar juros artificialmente baixos perto de uma eleição para estimular o consumo. Um Banco Central independente poderia manter ou elevar as taxas se considerasse que a inflação representa um risco maior.

O Fundo Monetário Internacional afirmou que uma reforma na Carta Orgânica poderia fortalecer as salvaguardas institucionais, aumentar a transparência e reduzir a chamada “dominância fiscal”. Esse fenômeno ocorre quando as necessidades financeiras do governo acabam comandando as decisões do Banco Central.

Distribuição dos lucros do BCRA seria limitada

Milei também quer restringir a transferência de resultados contábeis do Banco Central para o Tesouro.

Um Banco Central possui reservas internacionais, títulos e outros ativos. Quando esses bens se valorizam, a instituição pode registrar ganhos contábeis.

O problema é que valorização patrimonial não significa necessariamente entrada de dinheiro disponível. Transferir esses resultados para o governo pode criar uma fonte indireta de financiamento.

Pela proposta, os ganhos decorrentes da valorização de determinados ativos seriam direcionados a uma reserva técnica não distribuível. Os resultados obtidos com a administração da carteira do Banco Central somente poderiam ser transferidos ao Tesouro para o pagamento de dívidas.

O plano também prevê eliminar as chamadas letras intransferíveis. Esses papéis foram usados pelo governo argentino em operações nas quais o Tesouro recebia reservas e entregava títulos ao Banco Central.

O que seria o “shutdown” argentino?

O “shutdown” apresentado por Milei seria uma paralisação automática das atividades não essenciais do Estado quando o país permanecesse em déficit por vários meses.

O projeto ainda precisará definir exatamente quantos meses de resultado negativo acionariam o alerta e quantas semanas o Congresso teria para corrigir as contas.

O funcionamento anunciado seria dividido em etapas:

  1. o governo registraria déficits fiscais durante vários meses consecutivos;
  2. o Congresso receberia um prazo para recuperar o equilíbrio;
  3. deputados e senadores poderiam aprovar cortes, novas receitas ou outras medidas;
  4. se o equilíbrio não fosse restaurado, o “shutdown” entraria em vigor automaticamente;
  5. as restrições permaneceriam até a normalização das contas.

Déficit fiscal ocorre quando o governo gasta mais do que arrecada. Já o equilíbrio fiscal é alcançado quando receitas e despesas ficam no mesmo nível. Quando a arrecadação supera os gastos, existe superávit.

Quais atividades seriam paralisadas?

Milei afirmou que o “shutdown” atingiria apenas atividades consideradas não essenciais.

Durante o mecanismo, seriam previstas medidas como:

  • paralisação de serviços não essenciais;
  • congelamento de novos gastos;
  • suspensão da concessão de contratos;
  • interrupção de novas contratações de pessoal;
  • bloqueio de transferências discricionárias às províncias;
  • suspensão dos salários do alto escalão político.

As transferências discricionárias são recursos enviados pelo governo federal às províncias sem uma obrigação automática previamente estabelecida. Elas podem financiar obras, programas ou despesas específicas.

O projeto ainda deverá definir detalhadamente quais órgãos poderiam parar, como os serviços seriam retomados e quais trabalhadores seriam afetados.

Quais serviços continuariam funcionando?

Segundo o pronunciamento de Milei, a proposta protegerá expressamente os serviços e pagamentos essenciais.

Entre as áreas que seriam preservadas estão:

  • aposentadorias;
  • pensões;
  • benefícios familiares;
  • benefícios sociais universais;
  • seguro-desemprego;
  • saúde;
  • segurança pública;
  • defesa nacional;
  • sistema penitenciário.

Portanto, a proposta não prevê a suspensão de aposentadorias ou o fechamento completo do governo argentino.

A lista definitiva dependerá do texto enviado ao Congresso. Também será necessário determinar como cada órgão classificará seus serviços e quais servidores deverão permanecer em atividade.

Políticos ficariam sem salário durante a paralisação

Uma diferença apresentada pelo governo argentino é a suspensão temporária dos salários das principais autoridades políticas.

Durante o “shutdown”, não receberiam remuneração:

  • presidente;
  • vice-presidente;
  • deputados;
  • senadores;
  • ministros;
  • secretários;
  • subsecretários.

Milei argumenta que a medida faria com que a classe política assumisse parte do custo provocado pelo desequilíbrio das contas.

A proposta pode enfrentar questionamentos jurídicos e constitucionais. Será necessário avaliar se uma lei pode suspender automaticamente remunerações fixadas para determinados mandatos e quais garantias se aplicam a cada cargo.

O “shutdown” argentino é igual ao dos Estados Unidos?

Não exatamente.

Nos Estados Unidos, o “shutdown” normalmente ocorre quando o Congresso não aprova as leis necessárias para financiar o governo federal dentro do prazo. Sem autorização orçamentária, órgãos precisam interromper parte das atividades.

A proposta argentina teria outro gatilho: a existência de déficits fiscais consecutivos e a falta de uma solução aprovada pelo Congresso.

A diferença pode ser resumida desta forma:

  • Estados Unidos: a paralisação decorre principalmente da falta de autorização para o gasto;
  • proposta argentina: a paralisação seria provocada pela continuidade do déficit.

Além disso, a Argentina tem uma regra segundo a qual o orçamento anterior pode continuar sendo utilizado quando o Congresso não aprova uma nova proposta. O governo Milei considera que essa continuidade reduz a pressão política para chegar a um acordo.

O novo mecanismo pretende criar uma consequência automática quando as contas permanecerem desequilibradas.

Por que Milei quer criar essa regra?

Milei assumiu a Presidência em dezembro de 2023 prometendo eliminar o déficit, reduzir o tamanho do Estado e controlar a inflação.

A Argentina conviveu durante décadas com uma combinação de desequilíbrio fiscal, desvalorização da moeda, endividamento e alta persistente dos preços. Em 2023, antes da posse de Milei, a inflação anual chegou a 211,4%.

Desde então, o governo promoveu cortes de despesas, reduziu estruturas estatais, suspendeu obras públicas e limitou transferências. O ajuste ajudou a melhorar o resultado fiscal e a desacelerar o ritmo de aumento dos preços, mas também provocou efeitos sociais e resistência de sindicatos.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina, o INDEC, a inflação foi de 1,9% em junho de 2026. O avanço acumulado nos primeiros seis meses do ano chegou a 16,8%, enquanto a taxa em 12 meses ficou em 33,5%.

Os números mostram uma queda expressiva em comparação com os piores momentos da crise. Isso não significa, contudo, que a inflação tenha deixado de ser um problema. O aumento dos preços argentinos ainda é elevado em comparação com o de grande parte dos países.

No campo fiscal, o governo informou que o setor público nacional acumulou superávit financeiro equivalente a 0,1% do Produto Interno Bruto no primeiro semestre de 2026. O superávit financeiro considera também o pagamento dos juros da dívida.

Milei quer usar a reforma para dificultar uma reversão dessa política depois de 2027, quando a Argentina realizará nova eleição presidencial.

A reforma realmente impediria futuros governos de emitir dinheiro?

A mudança criaria obstáculos, mas não seria necessariamente irreversível.

A Carta Orgânica do Banco Central argentino é definida por legislação comum. Isso significa que um governo futuro, se tiver apoio suficiente no Congresso, poderá aprovar outra lei e alterar novamente as regras.

Exigir dois terços das duas Casas para remover dirigentes aumentaria a estabilidade do comando do BCRA. No entanto, especialistas observam que a proteção seria mais forte se estivesse estabelecida na Constituição, cuja alteração exige um procedimento mais complexo.

Também existe uma diferença entre proibir o financiamento direto e impedir todas as formas indiretas de influência fiscal sobre a política monetária. A eficácia dependerá da redação do projeto, da fiscalização e da capacidade das instituições de aplicar as restrições.

Quais são os argumentos favoráveis à proposta?

Defensores consideram que a reforma pode aumentar a confiança no peso argentino e reduzir o risco de retorno à emissão monetária para financiar gastos.

Os principais argumentos favoráveis são:

  • maior independência para o Banco Central;
  • definição de uma prioridade monetária clara;
  • redução da interferência eleitoral;
  • menor risco de financiamento do déficit por emissão;
  • previsibilidade para investidores;
  • pressão permanente pelo equilíbrio fiscal;
  • fortalecimento da credibilidade da moeda.

A estabilidade das regras pode ajudar empresas e famílias a planejar investimentos, empréstimos e contratos de longo prazo.

Também pode facilitar o retorno da Argentina ao mercado internacional de crédito, desde que o país mantenha capacidade de pagamento e reservas suficientes.

Quais são os principais riscos?

Críticos alertam que regras automáticas podem reduzir a capacidade do governo de reagir a recessões, crises sanitárias, desastres naturais ou outros acontecimentos inesperados.

Em uma crise econômica, a arrecadação costuma cair ao mesmo tempo que aumenta a necessidade de gastos sociais. Se uma regra obrigar cortes imediatos, ela poderá aprofundar a retração.

Outros riscos incluem:

  • interrupção de serviços públicos importantes;
  • atrasos em processos administrativos;
  • pressão sobre servidores;
  • perda de renda em cidades dependentes do Estado;
  • aumento dos conflitos entre governo e Congresso;
  • cortes concentrados em áreas com menor poder político;
  • dificuldade para classificar o que é essencial;
  • judicialização da suspensão de salários.

Também existe o risco de os serviços formalmente protegidos serem afetados de maneira indireta. Um hospital pode continuar aberto, por exemplo, mas enfrentar problemas se áreas administrativas, fornecedores ou sistemas de pagamento forem paralisados.

Por isso, os detalhes do texto serão decisivos.

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Sindicato afirma que paralisação já ocorre na prática

A Associação dos Trabalhadores do Estado, um dos principais sindicatos do funcionalismo argentino, reagiu ao anúncio.

O secretário-geral da entidade, Rodolfo Aguiar, afirmou que uma espécie de fechamento já estaria acontecendo em razão dos cortes, do esvaziamento de órgãos e das demissões promovidas pelo governo.

A declaração representa a visão sindical sobre os impactos do ajuste. O governo, por outro lado, sustenta que a redução de despesas foi necessária para evitar uma crise maior e recuperar a estabilidade econômica.

O confronto deverá crescer quando os projetos começarem a tramitar. Além dos servidores, governadores também podem resistir à possibilidade de suspensão das transferências discricionárias às províncias.

O que muda no mercado de capitais?

Milei anunciou ainda um projeto de liberalização profunda do mercado de capitais.

A intenção é reduzir exigências estatais e facilitar a transformação da poupança privada em financiamento para empresas e projetos produtivos.

Entre as medidas anunciadas estão:

  • autorização mais ampla para títulos corporativos em moedas estrangeiras;
  • emissão de instrumentos vinculados a unidades de valor;
  • flexibilização de regras para financiamento coletivo;
  • redução de barreiras regulatórias;
  • ampliação das alternativas privadas de investimento.

Financiamento coletivo, também conhecido como crowdfunding, permite que várias pessoas contribuam com pequenas ou médias quantias para financiar uma empresa ou projeto.

O governo argumenta que regras mais simples podem atrair para o sistema financeiro os recursos que argentinos mantêm em dinheiro vivo, cofres, contas no exterior ou outros meios de proteção.

O desafio será combinar flexibilidade com mecanismos de proteção contra fraudes, ofertas enganosas e riscos excessivos.

Como seria a reforma do mercado de seguros?

A quarta frente anunciada trata dos seguros.

O governo pretende permitir que as seguradoras desenvolvam e ofereçam produtos sem autorização prévia do regulador. A fiscalização ficaria concentrada na solvência das empresas e na proteção dos clientes contra fraudes.

Solvência é a capacidade financeira de uma seguradora para pagar indenizações e cumprir suas obrigações.

Milei argumenta que a liberdade para criar produtos poderá aumentar a concorrência, reduzir preços e ampliar as opções disponíveis.

Por outro lado, especialistas deverão avaliar se a redução da análise prévia pode expor consumidores a contratos mais complexos ou coberturas inadequadas. Em mercados financeiros, a simplificação regulatória precisa ser acompanhada de transparência e fiscalização efetiva.

Qual é a participação do FMI nessa discussão?

A reforma do Banco Central recebe apoio do Fundo Monetário Internacional.

O FMI considera que uma autoridade monetária mais independente pode ajudar a manter a inflação em queda, aumentar a transparência e impedir que as necessidades do governo dominem a política monetária.

A diretora-gerente do Fundo, Kristalina Georgieva, reuniu-se com Milei e com o ministro da Economia, Luis Caputo. Segundo o governo argentino, a dirigente recebeu positivamente os detalhes da reforma.

O apoio do FMI tem peso porque a Argentina mantém uma relação financeira extensa com o organismo e precisa demonstrar estabilidade para recuperar acesso mais amplo ao crédito internacional.

Isso não significa que o Fundo tenha aprovado todos os detalhes do “shutdown”. As manifestações públicas do organismo se concentraram principalmente na independência do Banco Central e no combate ao financiamento monetário do déficit.

Como as medidas podem afetar o Brasil?

A Argentina é um dos principais parceiros comerciais do Brasil. Mudanças profundas na economia do país vizinho podem afetar exportadores, indústrias e investidores brasileiros.

Se as reformas aumentarem a estabilidade e recuperarem a economia argentina, empresas locais poderão voltar a comprar mais produtos brasileiros, especialmente veículos, máquinas, autopeças e produtos industriais.

Em sentido contrário, um ajuste muito rígido pode reduzir o consumo e a atividade econômica, diminuindo as importações vindas do Brasil.

Também podem surgir efeitos sobre:

  • comércio no Mercosul;
  • empresas brasileiras instaladas na Argentina;
  • turismo entre os dois países;
  • cotação do peso;
  • fluxo de investimentos;
  • negociações comerciais regionais;
  • indústria automobilística brasileira.

Para o turista brasileiro, uma eventual valorização do peso pode encarecer viagens. Para exportadores, uma moeda argentina mais estável facilita a definição de preços e os contratos.

O que acontece agora?

Os anúncios ainda precisam ser transformados em textos legislativos e enviados ao Congresso.

Depois disso, deputados e senadores poderão:

  • aprovar os projetos;
  • rejeitar as propostas;
  • modificar trechos;
  • estabelecer exceções;
  • alterar os prazos;
  • dividir o pacote em diferentes leis.

Milei não possui poder para mudar sozinho a Carta Orgânica do BCRA nem para instituir definitivamente o “shutdown” nos termos anunciados. As medidas precisam superar a negociação política e possíveis questionamentos judiciais.

Portanto, a informação mais importante para o leitor neste momento é simples: a Argentina não entrou em “shutdown”, e o Banco Central ainda não foi reformado pelas regras apresentadas.

O país iniciou uma nova disputa sobre até onde deve ir a disciplina fiscal e quanto poder o governo precisa conservar para responder a crises. A resposta final dependerá do Congresso e do conteúdo dos projetos.

Perguntas frequentes sobre as propostas de Milei

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O governo da Argentina entrou em “shutdown”?

Não. Milei anunciou um projeto para criar esse mecanismo, mas a proposta ainda depende da apresentação formal e da aprovação do Congresso argentino.

Aposentadorias seriam suspensas durante o “shutdown”?

Segundo o anúncio, não. Aposentadorias, pensões, benefícios sociais, saúde, segurança, defesa e outros serviços essenciais ficariam protegidos.

Por que Milei quer reformar o Banco Central?

O presidente quer impedir que o BCRA financie o governo por meio da emissão de moeda, aumentar a independência da instituição e estabelecer a preservação do valor do peso como sua missão fundamental.

O que aconteceria se faltasse dinheiro no orçamento?

Pela proposta, déficits consecutivos acionariam um prazo para o Congresso reequilibrar as contas. Se isso não ocorresse, atividades não essenciais seriam paralisadas automaticamente.

Funcionários públicos deixariam de receber?

O anúncio prevê suspensão dos salários do presidente, do vice-presidente, de ministros, secretários, deputados e senadores. O tratamento dos demais servidores dependerá do texto completo da proposta.

O Banco Central argentino será fechado?

Não. Milei defendeu o fechamento do Banco Central durante sua campanha de 2023, mas a proposta anunciada em julho de 2026 busca reformar e limitar a instituição, e não extingui-la.

O FMI apoia as propostas?

O FMI manifestou apoio à intenção de reformar a Carta Orgânica do Banco Central e fortalecer sua independência. Isso não equivale necessariamente a um apoio a todos os detalhes do “shutdown”.

As novas regras já têm data para começar?

Não. Primeiro, os projetos precisam ser enviados ao Congresso, aprovados pelas duas Casas e sancionados. A data de vigência dependerá do texto final.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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