A mineração de Bitcoin, uma atividade que demanda intensa energia elétrica, tem levado empresas a buscar fontes de energia acessíveis e abundantes. No estado de Nova York, mineradores estão reativando usinas antigas, especialmente movidas a gás natural, para alimentar suas operações.
Mineradores de Bitcoin ressuscitam usinas antigas em Nova York e enfrentam resistência local
Empresas de mineração de Bitcoin estão reativando usinas antigas em Nova York, provocando preocupações ambientais e resistência das comunidades locais.
Essa prática tem gerado controvérsias, levantando questões ambientais e provocando a oposição de comunidades locais e autoridades regulatórias.
Leia mais:
Bitcoin entre o céu e o abismo: analistas divergem entre US$ 110 mil e queda para US$ 90 mil
O ressurgimento das usinas antigas
A Greenidge Generation, localizada próxima ao Lago Seneca, é uma antiga usina a carvão convertida para gás natural em 2017. Em 2020, a empresa iniciou operações de mineração de Bitcoin, utilizando a energia gerada pela usina para alimentar seus servidores.
A decisão de reativar a usina para mineração provocou preocupações ambientais, especialmente devido ao aumento das emissões de gases de efeito estufa e ao uso intensivo de água para resfriamento dos equipamentos.
North Tonawanda e a Digi Power X
Outro exemplo é a usina de ciclo combinado em North Tonawanda, adquirida pela empresa canadense Digi Power X. A instalação foi convertida para operações de mineração de Bitcoin, gerando reclamações dos moradores locais devido ao ruído constante dos ventiladores de resfriamento e ao elevado consumo de água para resfriamento dos servidores.
A situação levou a ações legais e a uma moratória de dois anos para avaliar os impactos ambientais da operação.
Impactos ambientais e sociais
A reativação dessas usinas para mineração de Bitcoin tem resultado em um aumento significativo das emissões de gases de efeito estufa.
No caso da Greenidge Generation, as emissões anuais de carbono aumentaram de cerca de 160 mil toneladas para mais de 500 mil toneladas métricas após o início das operações de mineração.
Esse aumento contraria as metas climáticas estabelecidas pela Lei de Liderança Climática e Proteção Comunitária de Nova York, que visa reduzir as emissões em pelo menos 85% até 2050.
Uso intensivo de recursos hídricos
As operações de mineração também demandam grandes volumes de água para resfriamento dos equipamentos. A Greenidge Generation, por exemplo, retira diariamente milhões de litros de água do Lago Seneca, devolvendo-a aquecida, o que tem causado preocupações sobre o impacto na fauna e flora aquáticas.
Moradores locais relataram aumento na temperatura da água do lago, afetando o ecossistema e as atividades recreativas na região.
Ruído e qualidade de vida
Em North Tonawanda, os residentes têm reclamado do ruído constante proveniente dos ventiladores de resfriamento da instalação de mineração da Digi Power X.
O barulho contínuo tem afetado a qualidade de vida dos moradores, levando a ações legais e a uma moratória para avaliar os impactos da operação.
Respostas regulatórias e legais
O Departamento de Conservação Ambiental de Nova York (DEC) negou a renovação da licença de operação da Greenidge Generation, alegando que as emissões da usina violam as metas climáticas do estado.
No entanto, a empresa continua operando enquanto recorre da decisão, o que tem gerado críticas de grupos ambientalistas e da comunidade local.
Moratória sobre mineração de criptomoedas
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Em 2022, o estado de Nova York implementou uma moratória de dois anos sobre novas operações de mineração de criptomoedas que utilizam combustíveis fósseis.
A medida visa avaliar os impactos ambientais dessas atividades e desenvolver regulamentações adequadas para equilibrar o desenvolvimento econômico com a proteção ambiental.
Perspectivas futuras

A crescente pressão ambiental e social pode levar as empresas de mineração a buscar fontes de energia mais sustentáveis, como energia solar ou eólica.
A Greenidge Generation, por exemplo, anunciou planos para construir uma fazenda de energia solar utilizando os lucros da mineração de Bitcoin, visando reduzir sua pegada de carbono e atender às exigências regulatórias.
Desafios regulatórios e comunitários
As empresas de mineração enfrentam desafios significativos para operar em conformidade com as regulamentações ambientais e atender às preocupações das comunidades locais.
O equilíbrio entre desenvolvimento tecnológico e sustentabilidade ambiental será crucial para o futuro da mineração de criptomoedas em Nova York e em outras regiões.
Considerações finais
A reativação de usinas antigas para mineração de Bitcoin em Nova York destaca os desafios enfrentados na busca por fontes de energia acessíveis para atividades de alta demanda energética.
Enquanto as empresas buscam maximizar seus lucros, as preocupações ambientais e sociais continuam a crescer, exigindo uma abordagem equilibrada que considere tanto o desenvolvimento econômico quanto a proteção do meio ambiente e o bem-estar das comunidades locais.
