Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Mombak e Santander captam R$ 100 milhões para reflorestamento da Amazônia

Startup Mombak obtém R$ 100 milhões do BNDES e Santander para compra e reflorestamento de terras na Amazônia.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
Imagem da Floresta Amazônica e de um rio

A startup brasileira Mombak conquistou um novo marco em sua atuação no mercado de remoção de carbono com a obtenção de um financiamento de R$ 100 milhões, aproximadamente US$ 17,8 milhões, viabilizado por meio de um acordo tripartite com o BNDES e o Santander Brasil. O anúncio foi feito nesta segunda-feira, 7 de abril de 2025, e posiciona a empresa como a primeira beneficiária do Novo Fundo Climático do Brasil, uma iniciativa governamental de R$ 10 bilhões lançada em 2023.

A operação representa um passo significativo para o setor de reflorestamento de terras degradadas, especialmente na região da Amazônia, e reforça o papel do Brasil como protagonista em iniciativas de mitigação das mudanças climáticas. A Mombak se compromete a transformar áreas desmatadas em florestas nativas, contribuindo com a biodiversidade e gerando créditos de carbono certificados — ativos cada vez mais valorizados no mercado global.

Leia mais:

Santander realiza leilão de 541 imóveis com lances iniciais a partir de R$ 30 mil

Imagem: Freepik e Canva

Financiamento com impacto ambiental e econômico

R$ 100 milhões para reflorestar e remover carbono

O financiamento de R$ 100 milhões será utilizado para compra de terras degradadas, plantio de árvores nativas e manutenção de áreas já em recuperação. A meta é plantar 8 milhões de árvores até junho de 2025, o que representa um dos maiores projetos privados de reflorestamento ativo na Amazônia.

A Mombak já administra uma área de 45.000 acres, equivalente a cerca de 18 mil hectares, e o aporte possibilitará a ampliação dos trabalhos de recuperação ambiental e a consolidação de sua atuação como fornecedora de créditos de carbono com alta integridade ambiental.

Papel do Santander e do BNDES

O acordo foi viabilizado com o Santander atuando como agente financeiro intermediário, facilitando a transferência de recursos do BNDES para a startup. Essa estrutura foi necessária, segundo o banco de fomento, para permitir que startups de base sustentável como a Mombak tenham acesso mais fácil ao crédito.

O BNDES já havia aprovado uma linha de crédito de R$ 160 milhões para a empresa em agosto de 2024, mas a operacionalização da liberação dependia de uma estruturação com agente financeiro de mercado, papel assumido pelo Santander nesta nova fase do projeto.

O Novo Fundo Climático do Brasil

Iniciativa estratégica para o combate às mudanças climáticas

Criado em 2023 pelo Governo Federal, o Novo Fundo Climático conta com R$ 10 bilhões em recursos para financiar projetos que contribuam para a descarbonização da economia brasileira. Ele é gerido pelo BNDES e tem como foco:

  • Redução de emissões de gases de efeito estufa;
  • Reflorestamento e recuperação ambiental;
  • Investimentos em energia limpa e mobilidade sustentável;
  • Apoio a tecnologias verdes e projetos de economia circular.

A escolha da Mombak como a primeira beneficiária do fundo marca a abertura de uma nova frente de investimentos em startups climáticas, fortalecendo o papel do Brasil no mercado internacional de carbono.

A proposta da Mombak

Transformar terras degradadas em florestas tropicais

Fundada com o objetivo de promover soluções de remoção de carbono em escala, a Mombak atua comprando áreas degradadas na Amazônia para promover o reflorestamento com espécies nativas, restaurando a biodiversidade e transformando essas terras em sumidouros permanentes de carbono.

A empresa trabalha com modelos baseados em ciência e tecnologia, utilizando dados climáticos, mapeamento via satélite e monitoramento contínuo para garantir que os créditos gerados sejam altamente rastreáveis, auditáveis e confiáveis.

Créditos de carbono certificados

Ao transformar essas áreas em floresta, a Mombak gera créditos de carbono de remoção, que podem ser adquiridos por empresas comprometidas com metas de sustentabilidade. Esses créditos representam toneladas de CO₂ retiradas da atmosfera e são certificados por entidades internacionais.

O portfólio de clientes da startup é robusto: Microsoft, Google e McLaren estão entre as empresas que já adquiriram contratos de compra de carbono da Mombak, somando aproximadamente US$ 150 milhões em compromissos.

O potencial da Amazônia no mercado de carbono

Imagem da Amazônia mostrando a fauna e o lago.
Imagem: Gustavo Frazao / Shutterstock

Ativo ambiental estratégico

A Amazônia é uma das regiões com maior potencial de geração de créditos de carbono no mundo, tanto por suas extensas áreas degradadas quanto por sua importância climática global. Projetos como o da Mombak se encaixam em uma nova visão de desenvolvimento para a floresta, que valoriza sua preservação e regeneração como alternativa econômica sustentável.

Com uma demanda crescente por créditos de carbono de alta integridade, o Brasil tem se posicionado como líder no fornecimento desses ativos. O sucesso da Mombak pode estimular a entrada de novos investidores, bancos e startups nesse mercado.

Biodiversidade e impacto social

Além do aspecto climático, o reflorestamento de áreas degradadas contribui para:

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google
  • Restauração da biodiversidade local;
  • Geração de empregos e renda para comunidades amazônicas;
  • Educação ambiental e transferência de tecnologia;
  • Proteção dos recursos hídricos e do solo.

Os próximos passos da Mombak

Expansão da área reflorestada

Com o novo financiamento, a expectativa da Mombak é ampliar consideravelmente o número de hectares recuperados, focando em áreas próximas a Unidades de Conservação, Terras Indígenas e corredores ecológicos.

A meta para 2025 é chegar a mais de 100 mil hectares sob gestão ambiental ativa, combinando reflorestamento, monitoramento por satélite e parcerias com instituições científicas.

Consolidação como referência internacional

Com o sucesso do projeto e os contratos já firmados com grandes empresas globais, a Mombak caminha para se tornar uma referência internacional em soluções de carbono baseadas na natureza, integrando biodiversidade, tecnologia e impacto social.

O modelo de negócio pode servir de exemplo para outras startups, tanto no Brasil quanto em países com desafios semelhantes, como Indonésia, Congo e Peru.

O mercado de carbono em expansão

A busca por soluções confiáveis

À medida que empresas em todo o mundo se comprometem com metas de neutralidade de carbono, cresce a demanda por créditos confiáveis, de origem comprovada e impacto mensurável. Nesse cenário, o reflorestamento com espécies nativas em regiões tropicais tem se destacado como uma solução natural de alta eficácia.

Tendência de investimentos verdes

Melhores praias de Manaus
Imagem: Wikipedia / James Martins

O financiamento da Mombak representa também um avanço no acesso a capital para startups ambientais, um setor que até recentemente enfrentava dificuldades para captar grandes volumes de recursos. O envolvimento de bancos tradicionais e do BNDES sinaliza uma mudança na percepção de risco e na priorização de projetos sustentáveis.

Imagem: Panga Media / shutterstock.com

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

Topicos relacionados