Cerca de 5 montadoras brasileiras pararam a sua produção esse mês e colocaram seus funcionários de férias coletivas. Isso porque os estoques estão aumentando, mas as vendas não acontecem. Dessa forma, esse foi o caminho encontrado pela Volkswagen, GM, Stellantis, Mercedes-Benz e Hyundai.
Montadoras: mesmo sem demanda, preço do carro zero não deve baixar
As montadoras anunciaram que, mesmo que a demanda por carro zero esteja baixa, os preços devem seguir estáveis. Entenda o caso.
Além disso, a justificativa das empresas é que precisam adequar a produção à demanda do mercado. Ou seja, menos demanda, menos produção. Vale ressaltar que essa redução aconteceu por conta do aumento dos juros, o que deixou os financiamentos de veículos mais caros no bolso do consumidor.
Contudo, nesse caso, a lei da oferta e da demanda não deve se aplicar. Isso pois as montadoras não podem abrir mão da margem de lucro de seus veículos por conta da suspensão das atividades durante a pandemia. Assim, os preços devem se manter.
Crise por conta dos juros altos
Embora as consequências da pandemia da COVID-19 tenham sido sentidas no setor – como o encarecimento do custo de produção – esse não é o fator principal da crise das montadoras. Nesse sentido, a estrela da vez é o percentual alto dos juros junto da redução do poder de compra do brasileiro.
Ou seja, o aumento da Selic e a redução do poder de compra da população reduziu a concessão de crédito. Dessa forma, ficou mais difícil para as pessoas financiarem um carro zero. Como consequência, de dezembro para janeiro houve uma queda de 34% nos emplacamentos de veículos novos no país.
Já de janeiro para fevereiro, as montadoras viram os emplacamentos de veículos novos caírem mais 9%. Assim, com estoques altos e vendas baixas, restou apenas suspender a produção e colocar os funcionários de férias coletivas.
Setor sem previsão de retomada de crescimento
Antônio Jorge Martins, professor de mercado automotivo da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP), explicou ao g1 que não há previsão de redução dos preços dos automóveis.
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“A única possibilidade de redução de preços é uma redução nos custos. Tanto de peças, componentes, semicondutores, logística e até a desvalorização cambial”.
Dessa forma, as montadoras também não enxergam um crescimento no setor. De acordo com o professor, “estamos falando de um poder de compra atingido pela inflação, pela falta de ajuste dos salários e um custo mais significativo dos financiamentos. Não se tira um carro novo da concessionária por menos que 25% a 30% ao ano”, informou.
Imagem: KELENY / Shutterstock
