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Moraes restabelece decreto do IOF, mas veta cobrança sobre ‘risco sacado’

Alexandre de Moraes restabelece decreto de Lula sobre aumento do IOF, mas veta cobrança sobre operações de risco sacado.

Helena SerpaPor Helena Serpa3 min de leitura
Lula

Após o Congresso Nacional ter suspendido um decreto presidencial que aumentava o IOF, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, decidiu restabelecer parte dessa medida. O aumento das alíquotas permanece válido para diversas operações financeiras, exceto para a cobrança sobre o risco sacado, que é crucial para pequenas empresas. Essa decisão desencadeou intensos debates no Parlamento sobre o equilíbrio entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

O que é o decreto do IOF restabelecido

IOF moraes
Imagem: rafastockbr / Shutterstock.com

O decreto editado pelo presidente da República foi publicado com o objetivo de aumentar a arrecadação federal. Com ele, o governo esperava reforçar os cofres públicos em R$ 12 bilhões ao longo de 2025. Apesar da edição pelo Executivo, o Congresso decidiu sustar o decreto, alegando que ele extrapolava a função regulamentar do presidente ao impor novas obrigações tributárias sem o devido aval legislativo.

Leia mais: Tarifas americanas e IOF pressionam o dólar, que abre em leve alta

A decisão de Alexandre de Moraes devolve eficácia à maior parte do conteúdo do decreto, atendendo a pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) e do Ministério da Fazenda.

Trechos do decreto que voltam a valer

Aumento do IOF em diversas operações financeiras

Tipo de operaçãoAlíquota anteriorNova alíquota
Compras internacionais com cartão3,38%3,5%
Compra de moeda em espécie e envio de valores ao exterior1,1%3,5%
Empréstimos a empresas0,0041% (diária)0,0082% (diária)
Fundos de investimento em direitos creditóriosIsento ou não definido0,38%
Seguros do tipo VGBL0%5%

Risco sacado fora da tributação

Pequenas e médias empresas costumam utilizar o risco sacado como forma de antecipar receitas e assegurar a liquidez, especialmente quando enfrentam dificuldades para acessar linhas tradicionais de crédito. Para o ministro, a tributação sobre essa prática não possuía respaldo legal, o que contraria o princípio da legalidade. O Ministério da Fazenda, por sua vez, projeta que a cobrança poderia gerar uma receita em torno de R$ 1,2 bilhão.

Avaliação do Executivo

Apesar da exclusão da tributação do risco sacado, a equipe econômica avalia que o impacto na arrecadação ainda será significativo. Há expectativa de que as demais alíquotas garantam recursos importantes para programas sociais e investimentos.

Impactos econômicos e institucionais

imagem mostrando calculadora e dinheiro
Imagem: Leonidas Santana / Shutterstock.com

Especialistas apontam que o aumento do IOF pode provocar encarecimento das operações financeiras para empresas e consumidores, especialmente no consumo internacional e nas remessas de recursos. Em contrapartida, o governo ganha margem para manter metas fiscais e cumprir compromissos orçamentários.

FAQ – Perguntas frequentes

O que muda com a decisão de Moraes?

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A maior parte do decreto de Lula sobre o IOF volta a valer, com aumentos em várias alíquotas. A única exceção é a tributação sobre operações de risco sacado, que foi excluída.

Por que o risco sacado ficou de fora?

Porque, segundo Moraes, o decreto criou uma nova base de tributação não prevista em lei, o que fere o princípio da legalidade tributária.

O Congresso pode reverter essa decisão?

A decisão do STF tem caráter vinculante e imediato. A reversão só seria possível por nova decisão judicial ou modificação legislativa com repercussão constitucional.

Considerações finais

O episódio evidencia a necessidade de diálogo institucional e clareza jurídica nas iniciativas que envolvem mudanças tributárias. No contexto atual, em que o equilíbrio fiscal é pauta constante, decisões como essa têm efeitos que vão além da arrecadação — elas moldam a governança, testam a harmonia entre os poderes e impactam diretamente cidadãos e empresas em seu dia a dia financeiro.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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