A inadimplência atingiu um dos níveis mais altos da história recente. Dados da Serasa Experian indicam que, ao final de 2025, 81,2 milhões de brasileiros estavam negativados, o que representa 49,6% da população adulta.
O número não é apenas estatística: ele revela que praticamente 1 em cada 2 adultos no país enfrenta restrição de crédito.
No ambiente empresarial, a situação também é crítica. Cerca de 8,9 milhões de CNPJs estavam inadimplentes, com um volume superior a R$ 210 bilhões em dívidas.
Segundo o Banco Central do Brasil, o cenário de juros elevados e crédito mais restrito ao longo de 2024 e 2025 pressionou famílias e empresas, especialmente aquelas com pouca reserva financeira.
Os dados fazem parte do Indicador de Inadimplência do Consumidor, divulgado mensalmente pela Serasa Experian.
Atualizado em fevereiro de 2026
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Perfil das dívidas mais comuns
A distribuição das dívidas mostra onde está o maior problema:
- Bancos e cartões de crédito: 30%
- Contas básicas (água, luz, internet): 17,9%
- Varejo: 13,7%
- Telefonia: 11,1%
- Serviços diversos: 10%
- Financeiras: 9%
Ou seja, a maior parte das negativações está ligada ao crédito rotativo e empréstimos, que possuem juros elevados.
Principais motivos de negativação no Brasil
A negativação não acontece por um único fator. Na prática, é resultado de uma combinação de renda instável, crédito caro e falta de planejamento.
Desemprego e queda de renda
O desemprego responde por cerca de 26% dos casos, segundo levantamentos da Serasa. A perda repentina da renda compromete rapidamente o pagamento de despesas fixas como aluguel, energia e financiamento.
Mesmo quando há recolocação, muitas vezes o salário é menor — o que gera desequilíbrio no orçamento.
Uso excessivo do cartão de crédito
O cartão aparece como vilão frequente. Com juros do rotativo que podem ultrapassar 400% ao ano, segundo dados do Banco Central, uma fatura não paga pode virar uma bola de neve em poucos meses.
Segundo o Banco Central, a taxa média do rotativo do cartão permanece entre as mais altas do mercado de crédito.
Emprestar o nome para terceiros
Cerca de 4 em cada 10 brasileiros já emprestaram o CPF para terceiros realizarem compras ou empréstimos. Quando o pagamento não acontece, quem arca com a negativação é o titular do nome.
Falta de educação financeira
Muitos consumidores não sabem:
- Calcular juros compostos
- Montar reserva de emergência
- Priorizar dívidas mais caras
- Avaliar custo efetivo total (CET)
Sem esse conhecimento, qualquer imprevisto vira inadimplência.
Problemas de saúde e emergências
Despesas médicas inesperadas continuam sendo um dos principais gatilhos para endividamento.
Em quanto tempo o nome fica negativado?
O prazo varia conforme o setor:
- Bancos e cartões: 30 a 45 dias de atraso
- Telefonia: geralmente após 90 dias
- Varejo: depende da política interna
Antes da negativação, a empresa deve notificar o consumidor, conforme prevê o Código de Defesa do Consumidor.
1. Consulte seu CPF gratuitamente nos canais oficiais
A consulta pode ser feita nos canais oficiais da Serasa Experian, SPC Brasil e Boa Vista SCPC.
É importante verificar todos, pois as bases não são integradas.
2. Liste todas as dívidas
Organize por:
- Valor total
- Taxa de juros
- Data de vencimento
- Credor
3. Priorize dívidas com juros mais altos
Cartão de crédito e cheque especial devem ser negociados primeiro.
4. Negocie descontos
Feirões como o Serasa Limpa Nome costumam oferecer descontos de até 90%. Muitas empresas preferem receber parte do valor do que não receber nada.
Dicas para negociação:
- Pergunte sobre desconto para pagamento à vista
- Peça parcelamento que caiba no orçamento
- Solicite retirada imediata do nome após pagamento
5. Pague e acompanhe a retirada
Após a quitação, a exclusão do registro deve ocorrer em até 5 dias úteis.
Negativação indevida: o que fazer?
Se você não reconhece a dívida, pode haver:
- Fraude
- Erro do credor
- Dívida já paga
Nesses casos, é possível pedir retirada imediata do registro e até indenização por danos morais.
A reclamação pode ser feita:
- Diretamente com a empresa
- No Procon
- No Juizado Especial Cível
A dívida caduca em 5 anos?
Sim, a inscrição nos órgãos de proteção ao crédito deve ser retirada após 5 anos da data do vencimento, mesmo que a dívida continue existindo.
Após 5 anos:
- A dívida prescreve para fins de cobrança judicial (se não houve ação)
- A negativação deve ser retirada
- A dívida continua existindo como obrigação moral
Como evitar nova negativação
Crie uma reserva de emergência
Especialistas recomendam de 3 a 6 meses de despesas guardados.
Mesmo começar com R$ 50 por mês já cria proteção.
Use o cartão como meio de pagamento, não como renda
Se não tem dinheiro para pagar a fatura integral, o cartão não deve ser usado.
Ative o cadastro positivo
Ele registra pagamentos em dia e pode melhorar seu score.
Monitore seu score
Acompanhar regularmente permite identificar quedas inesperadas — inclusive por possíveis fraudes.
Impactos da negativação na vida do consumidor
Estar com o nome sujo pode gerar:
- Dificuldade para conseguir empréstimo
- Juros mais altos
- Restrição para financiar imóvel ou veículo
- Problemas para alugar imóvel
- Limitação na abertura de contas
Algumas empresas também consultam histórico de crédito em processos seletivos.
Recuperação após limpar o nome
Depois de quitar as dívidas:
- O score começa a subir gradualmente
- O acesso ao crédito retorna, inicialmente com limites menores
- Pagamentos em dia fortalecem o histórico
Dados da Serasa mostram que 57,8% das dívidas são quitadas em até 60 dias, o que indica que reorganização financeira é possível.
A negativação no Brasil é um fenômeno amplo, mas reversível. Com planejamento, negociação estratégica e educação financeira, é possível limpar o nome e reconstruir a credibilidade no mercado.
O mais importante não é apenas quitar a dívida. É mudar o comportamento financeiro para evitar reincidência.
Organização, informação e disciplina são as ferramentas mais poderosas contra a inadimplência.
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Referências
Serasa Experian. Indicadores de Inadimplência do Consumidor – Relatórios 2025–2026. Disponível no portal institucional da Serasa Experian, seção “Indicadores Econômicos”.
CNDL; SPC Brasil. Pesquisa de Inadimplência e Recuperação de Crédito – 2025. Relatórios técnicos publicados pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e SPC Brasil.
Banco Central do Brasil. Estatísticas de Crédito e Taxas de Juros. Séries Temporais do Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS) – dados consolidados até 2026.
Código de Defesa do Consumidor. Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990. Dispõe sobre a proteção do consumidor e regula práticas de negativação e cobrança.
Serasa Experian. “Conheça as 7 principais causas de inadimplência no Brasil hoje”. Conteúdo institucional disponível na área de educação financeira da empresa.
Nota metodológica:
Este relatório foi elaborado com base em dados oficiais divulgados por birôs de crédito, entidades representativas do comércio e órgãos reguladores federais. As informações foram consolidadas e analisadas sob critérios jornalísticos, considerando publicações disponíveis até fevereiro de 2026.
