O governo federal iniciou nesta segunda-feira (27) o programa Move Brasil Entregadores e Motoapp, uma iniciativa criada para ampliar o acesso ao crédito para profissionais que trabalham com entregas por aplicativos, mototáxi e transporte individual. A proposta é facilitar a compra de motocicletas e bicicletas utilizadas no trabalho diário, oferecendo condições de financiamento mais vantajosas do que as encontradas normalmente no mercado.
Governo cria linha de crédito para compra de motos; veja quem terá direito
Veja como funciona o Move Brasil Entregadores e Motoapp, quem pode participar, taxas de juros, veículos permitidos e como solicitar.
A operação financeira é realizada pela Caixa Econômica Federal, enquanto o programa conta com apoio do Fundo de Investimento em Infraestrutura Social (FIIS) para subsidiar parte dos juros e com garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO), reduzindo os riscos da operação.
Segundo o governo, a expectativa é beneficiar cerca de 100 mil trabalhadores, incentivando a renovação da frota utilizada no transporte urbano e fortalecendo a atividade econômica ligada aos aplicativos de mobilidade e entrega.
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Como funciona o programa
O Move Brasil foi estruturado para atender profissionais que utilizam veículos de duas rodas como ferramenta de trabalho. Em vez de oferecer um auxílio direto, o programa cria uma linha especial de financiamento com juros inferiores aos normalmente cobrados pelas instituições financeiras.
Na prática, o trabalhador realiza seu cadastro pela plataforma oficial do programa. Após a análise dos requisitos, poderá procurar uma concessionária ou a instituição financeira para concluir o financiamento, sujeito à análise de crédito.
O objetivo é permitir que entregadores e mototaxistas tenham acesso a veículos mais novos, seguros e econômicos, reduzindo custos de manutenção e aumentando a produtividade.
Quem pode participar
O programa atende dois grupos principais de trabalhadores.
Profissionais de aplicativos
Quem trabalha com plataformas digitais deve cumprir alguns requisitos mínimos:
É necessário possuir cadastro ativo na plataforma há pelo menos seis meses.
Além disso, o profissional deve comprovar a realização de, no mínimo, 100 entregas ou corridas nesse período.
Essa exigência busca garantir que o financiamento seja destinado a trabalhadores que realmente utilizam o veículo como instrumento de geração de renda.
Trabalhadores com carteira assinada
Também podem participar profissionais contratados pelo regime CLT que atuem como:
- Motofretistas;
- Mototaxistas;
- Ciclistas profissionais.
Nesse caso, é necessário possuir pelo menos seis meses de vínculo empregatício na mesma empresa.
Quais veículos podem ser financiados
O programa estabelece critérios técnicos para definir quais modelos podem ser adquiridos.
São aceitos:
- motocicletas flex de até 160 cilindradas;
- ciclomotores;
- motonetas;
- motocicletas elétricas com potência de até 7.500 watts;
- bicicletas elétricas de até 1.000 watts.
Outro requisito importante é que o veículo seja zero quilômetro. Motos usadas não fazem parte da linha de financiamento.
Também é necessário que o modelo seja fabricado no Brasil ou possua projeto de produção nacional em andamento.
Já motocicletas movidas exclusivamente a gasolina ou modelos híbridos não entram nas regras do programa.
Motos a combustão elegíveis
Entre os modelos inicialmente incluídos estão motocicletas bastante conhecidas do mercado brasileiro.
Os preços divulgados são:
- Honda Biz 125 EX — R$ 16.840;
- Honda CG 160 Cargo — R$ 18.390;
- Yamaha Factor — R$ 18.490;
- Yamaha Factor DX — R$ 18.990;
- Honda CG 160 Titan — R$ 20.590;
- Honda CG 160 Fan — R$ 20.590;
- Yamaha Fazer FZ15 — R$ 21.190;
- Honda CG 160 50 anos — R$ 21.270;
- Honda NXR160 Bros CBS — R$ 22.400;
- Yamaha Crosser 150 S ABS — R$ 22.790;
- Yamaha Crosser 150 Z ABS — R$ 22.990;
- Honda NXR160 Bros ABS — R$ 23.390.
Esses modelos atendem ao limite máximo de 160 cilindradas estabelecido pelo programa.
Motos elétricas disponíveis
O incentivo também contempla motocicletas elétricas, acompanhando a expansão da mobilidade sustentável no país.
Os modelos divulgados incluem:
- Shineray SE1 — R$ 12.490;
- Shineray SE2 — R$ 12.490;
- Watts W125 — R$ 15.992;
- Shineray SHE-S — R$ 16.490;
- Yamaha Neo’s — R$ 25.990.
Além das motos, bicicletas elétricas dentro do limite de potência também podem ser financiadas.
O financiamento cobre todo o valor da moto?
Um dos principais atrativos do programa é que o financiamento pode chegar a 100% do valor do veículo, eliminando a necessidade de entrada.
Isso representa uma vantagem para trabalhadores que dependem da motocicleta para gerar renda, mas não possuem recursos para o pagamento inicial.
Naturalmente, a aprovação continua sujeita à análise de crédito realizada pela instituição financeira responsável pela operação.
Quais são as taxas de juros
O governo estabeleceu taxas diferenciadas conforme o perfil do contratante.
As condições divulgadas são:
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- 12,5% ao ano para homens;
- 11,5% ao ano para mulheres.
Os percentuais ficam significativamente abaixo das taxas médias praticadas no financiamento tradicional de motocicletas.
Como comparação, dados da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (ANEF) apontavam taxa média próxima de 26,6% ao ano, evidenciando a redução proporcionada pelo programa.
Prazo para pagamento
O prazo padrão para pessoas físicas é de até 48 meses, com possibilidade de dois meses de carência antes do início das parcelas.
Durante esse período inicial, o beneficiário consegue organizar sua atividade profissional antes de assumir integralmente o financiamento.
No caso das empresas que desejam investir em infraestrutura para motos elétricas, também existe linha específica com prazo semelhante.
Incentivo à infraestrutura de recarga
O Move Brasil não se limita à compra de motocicletas.
Empresas interessadas em ampliar o uso de veículos elétricos podem solicitar financiamento para implantação de estruturas como:
- estações de recarga;
- sistemas de troca de baterias;
- equipamentos necessários para funcionamento da operação.
Também é permitido incluir parte do capital de giro associado ao investimento, dentro dos limites estabelecidos pelo programa.
Essa medida busca criar um ambiente favorável para a expansão da mobilidade elétrica voltada aos serviços de entrega.
Como fazer o cadastro
O primeiro passo é acessar o portal oficial do programa utilizando uma conta Gov.br.
Como as informações pessoais já estão integradas à plataforma, normalmente não há necessidade de enviar documentos adicionais durante essa etapa.
Após o preenchimento do cadastro, o governo informa que a resposta deve ser enviada em até cinco dias úteis.
Como contratar o financiamento

Depois da aprovação no cadastro, o trabalhador pode procurar uma concessionária participante ou diretamente a Caixa para dar continuidade ao processo.
Nessa fase ocorre a análise de crédito tradicional realizada pela instituição financeira.
Embora o programa não proíba a participação de pessoas com restrições no nome, cada banco mantém autonomia para aprovar ou negar o financiamento conforme sua política de crédito.
Imagem: Reprodução
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