O Pix, meio de pagamento digital amplamente utilizado no Brasil, passa a ter novas proteções com a publicação da Medida Provisória (MP) do Pix, assinada pelo presidente Lula na quinta-feira, 16. A MP torna ilegal a prática de cobrar valores diferentes para pagamentos feitos em Pix e dinheiro em espécie, com aplicação para estabelecimentos físicos e virtuais.
Descontos somente em pagamento no dinheiro pode dar problemas com a Justiça
A nova Medida Provisória do Pix proíbe comerciantes de cobrar mais caro por pagamentos via Pix. Entenda as regras e implicações.
A medida tem como objetivo evitar abusos e garantir que o Pix continue sendo uma opção prática, acessível e sem custos adicionais para os consumidores.
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O que diz a Medida Provisória do Pix?
A nova MP determina que comerciantes não podem estabelecer valores mais altos para pagamentos via Pix em comparação com pagamentos em dinheiro.
Restrições estabelecidas
- Pix é equivalente a dinheiro: Pagamentos em Pix devem ser tratados como pagamentos em espécie.
- Proibição de preços diferenciados: Não é permitido oferecer descontos apenas para pagamentos em dinheiro em espécie, enquanto o Pix é cobrado a preço normal ou com acréscimos.
De acordo com o advogado Anderson Leite, especialista em Direito do Consumidor, a prática de cobrar mais caro pelo Pix já era considerada abusiva antes da MP, mas agora a regra está mais explícita.
“O comerciante não pode justificar preços mais altos para o Pix alegando descontos para pagamentos em dinheiro. O Pix é, por definição, uma forma de pagamento à vista,” explica Leite.
Contexto e necessidade da MP
Combate às práticas abusivas
A medida foi motivada por denúncias de que alguns comerciantes estariam cobrando valores mais altos para pagamentos via Pix, especialmente após rumores de que o governo aumentaria a fiscalização das transações financeiras digitais.
Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, houve relatos de golpes associados à cobrança diferenciada pelo Pix, o que motivou o governo a reforçar a regulamentação.
“O objetivo da MP é garantir que o Pix continue sendo uma opção prática e acessível, sem penalizar o consumidor que prefere usá-lo,” afirmou Haddad.
A cobrança de taxas é permitida em outros casos?
Embora a MP proíba diferenças entre Pix e dinheiro, taxas sobre pagamentos com cartão de crédito ou débito continuam permitidas, desde que sigam as regras da Lei nº 13.455/2017.
O que diz a Lei nº 13.455/2017?
- Cobrança diferenciada: Comerciantes podem cobrar preços diferentes com base no custo do meio de pagamento (como a taxa da maquininha).
- Informação clara ao consumidor: A cobrança deve ser previamente informada, por meio de cartazes ou avisos claros no local de venda ou na plataforma online.
De acordo com o advogado Lorenzo de Carpena F. Corrêa de Barros, a lei garante aos comerciantes o direito de repassar os custos das transações com cartão para os consumidores, desde que respeitem as condições de transparência.
O que o consumidor deve saber?

Direitos do consumidor
Com a publicação da MP, o consumidor passa a ter maior proteção contra práticas abusivas relacionadas ao Pix.
- Denúncias: Caso um estabelecimento cobre valores diferenciados para dinheiro e Pix sem justificativa, é possível denunciar ao Procon.
- Clareza nos preços: Qualquer diferença de preço entre modalidades de pagamento deve ser informada claramente antes da compra.
Como proceder em caso de irregularidades
Se o consumidor identificar irregularidades, pode seguir os passos:
- Verificar a falta de aviso prévio: Confira se o estabelecimento informa claramente sobre a cobrança diferenciada para outras modalidades, como cartões.
- Reunir provas: Tire fotos do local ou do recibo que demonstrem a prática abusiva.
- Registrar uma denúncia: Procure o Procon local e apresente as evidências.
Por que o Pix é tratado como dinheiro?
Desde sua criação, o Pix foi projetado para ser uma alternativa aos meios tradicionais de pagamento à vista, como dinheiro e transferências bancárias. Ele permite que os consumidores realizem transações instantâneas e gratuitas, sem a necessidade de intermediários ou custos operacionais significativos.
A equiparação do Pix ao dinheiro em espécie reforça sua funcionalidade como uma forma de pagamento direto e acessível, garantindo:
- Praticidade: Transações rápidas e disponíveis 24/7.
- Baixo custo: Isenção de taxas para consumidores.
- Inclusão financeira: Facilita o acesso ao sistema financeiro, especialmente para pequenos comerciantes e autônomos.
Impactos para os comerciantes
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Embora a MP traga mais proteção para os consumidores, ela também exige que os comerciantes se adaptem:
Proibição de diferenciação entre Pix e dinheiro
- Comerciantes que utilizam a estratégia de oferecer descontos para pagamentos em dinheiro precisarão revisar suas práticas para incluir o Pix nessa política.
- A fiscalização por órgãos como o Procon poderá penalizar aqueles que descumprirem a regra.
Manutenção das taxas de cartões
A MP não altera o direito dos comerciantes de repassar os custos das taxas de cartões de crédito e débito para os consumidores, desde que respeitadas as condições de clareza e informação.
Como a MP fortalece o uso do Pix

O Pix já se consolidou como um dos meios de pagamento mais utilizados no Brasil. Com a MP, o governo reforça sua posição como uma alternativa confiável e justa para consumidores e comerciantes, ampliando sua aceitação.
Benefícios do Pix para o consumidor
- Custo zero: Sem taxas ou cobranças adicionais.
- Acessibilidade: Disponível para todos os usuários com conta bancária ou digital.
- Segurança: Reduz o risco associado ao uso de dinheiro em espécie.
Benefícios do Pix para comerciantes
- Redução de custos: Transações Pix têm custos operacionais mais baixos do que as taxas cobradas pelas maquininhas de cartão.
- Facilidade de integração: Pode ser utilizado em lojas físicas e virtuais.
- Pagamentos imediatos: O dinheiro fica disponível instantaneamente, melhorando o fluxo de caixa.
Considerações finais
A publicação da Medida Provisória do Pix representa um passo importante na proteção dos consumidores contra práticas abusivas. Ao proibir diferenças de preços entre Pix e dinheiro, a MP reforça a transparência e mantém o Pix como uma alternativa prática e acessível.
Para os comerciantes, a regra exige maior atenção às práticas de precificação e à comunicação com os clientes, enquanto o consumidor ganha mais segurança e clareza em suas transações financeiras.
Com o Pix consolidado como um dos principais meios de pagamento no Brasil, a nova MP contribui para garantir sua funcionalidade e acessibilidade, mantendo a confiança de milhões de brasileiros no sistema.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
