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Descontos somente em pagamento no dinheiro pode dar problemas com a Justiça

A nova Medida Provisória do Pix proíbe comerciantes de cobrar mais caro por pagamentos via Pix. Entenda as regras e implicações.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
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O Pix, meio de pagamento digital amplamente utilizado no Brasil, passa a ter novas proteções com a publicação da Medida Provisória (MP) do Pix, assinada pelo presidente Lula na quinta-feira, 16. A MP torna ilegal a prática de cobrar valores diferentes para pagamentos feitos em Pix e dinheiro em espécie, com aplicação para estabelecimentos físicos e virtuais.

A medida tem como objetivo evitar abusos e garantir que o Pix continue sendo uma opção prática, acessível e sem custos adicionais para os consumidores.

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

O que diz a Medida Provisória do Pix?

A nova MP determina que comerciantes não podem estabelecer valores mais altos para pagamentos via Pix em comparação com pagamentos em dinheiro.

Restrições estabelecidas

  • Pix é equivalente a dinheiro: Pagamentos em Pix devem ser tratados como pagamentos em espécie.
  • Proibição de preços diferenciados: Não é permitido oferecer descontos apenas para pagamentos em dinheiro em espécie, enquanto o Pix é cobrado a preço normal ou com acréscimos.

De acordo com o advogado Anderson Leite, especialista em Direito do Consumidor, a prática de cobrar mais caro pelo Pix já era considerada abusiva antes da MP, mas agora a regra está mais explícita.

“O comerciante não pode justificar preços mais altos para o Pix alegando descontos para pagamentos em dinheiro. O Pix é, por definição, uma forma de pagamento à vista,” explica Leite.

Contexto e necessidade da MP

Combate às práticas abusivas

A medida foi motivada por denúncias de que alguns comerciantes estariam cobrando valores mais altos para pagamentos via Pix, especialmente após rumores de que o governo aumentaria a fiscalização das transações financeiras digitais.

Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, houve relatos de golpes associados à cobrança diferenciada pelo Pix, o que motivou o governo a reforçar a regulamentação.

“O objetivo da MP é garantir que o Pix continue sendo uma opção prática e acessível, sem penalizar o consumidor que prefere usá-lo,” afirmou Haddad.

A cobrança de taxas é permitida em outros casos?

Embora a MP proíba diferenças entre Pix e dinheiro, taxas sobre pagamentos com cartão de crédito ou débito continuam permitidas, desde que sigam as regras da Lei nº 13.455/2017.

O que diz a Lei nº 13.455/2017?

  • Cobrança diferenciada: Comerciantes podem cobrar preços diferentes com base no custo do meio de pagamento (como a taxa da maquininha).
  • Informação clara ao consumidor: A cobrança deve ser previamente informada, por meio de cartazes ou avisos claros no local de venda ou na plataforma online.

De acordo com o advogado Lorenzo de Carpena F. Corrêa de Barros, a lei garante aos comerciantes o direito de repassar os custos das transações com cartão para os consumidores, desde que respeitem as condições de transparência.

O que o consumidor deve saber?

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Direitos do consumidor

Com a publicação da MP, o consumidor passa a ter maior proteção contra práticas abusivas relacionadas ao Pix.

  • Denúncias: Caso um estabelecimento cobre valores diferenciados para dinheiro e Pix sem justificativa, é possível denunciar ao Procon.
  • Clareza nos preços: Qualquer diferença de preço entre modalidades de pagamento deve ser informada claramente antes da compra.

Como proceder em caso de irregularidades

Se o consumidor identificar irregularidades, pode seguir os passos:

  1. Verificar a falta de aviso prévio: Confira se o estabelecimento informa claramente sobre a cobrança diferenciada para outras modalidades, como cartões.
  2. Reunir provas: Tire fotos do local ou do recibo que demonstrem a prática abusiva.
  3. Registrar uma denúncia: Procure o Procon local e apresente as evidências.

Por que o Pix é tratado como dinheiro?

Desde sua criação, o Pix foi projetado para ser uma alternativa aos meios tradicionais de pagamento à vista, como dinheiro e transferências bancárias. Ele permite que os consumidores realizem transações instantâneas e gratuitas, sem a necessidade de intermediários ou custos operacionais significativos.

A equiparação do Pix ao dinheiro em espécie reforça sua funcionalidade como uma forma de pagamento direto e acessível, garantindo:

  • Praticidade: Transações rápidas e disponíveis 24/7.
  • Baixo custo: Isenção de taxas para consumidores.
  • Inclusão financeira: Facilita o acesso ao sistema financeiro, especialmente para pequenos comerciantes e autônomos.

Impactos para os comerciantes

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Embora a MP traga mais proteção para os consumidores, ela também exige que os comerciantes se adaptem:

Proibição de diferenciação entre Pix e dinheiro

  • Comerciantes que utilizam a estratégia de oferecer descontos para pagamentos em dinheiro precisarão revisar suas práticas para incluir o Pix nessa política.
  • A fiscalização por órgãos como o Procon poderá penalizar aqueles que descumprirem a regra.

Manutenção das taxas de cartões

A MP não altera o direito dos comerciantes de repassar os custos das taxas de cartões de crédito e débito para os consumidores, desde que respeitadas as condições de clareza e informação.

Como a MP fortalece o uso do Pix

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

O Pix já se consolidou como um dos meios de pagamento mais utilizados no Brasil. Com a MP, o governo reforça sua posição como uma alternativa confiável e justa para consumidores e comerciantes, ampliando sua aceitação.

Benefícios do Pix para o consumidor

  • Custo zero: Sem taxas ou cobranças adicionais.
  • Acessibilidade: Disponível para todos os usuários com conta bancária ou digital.
  • Segurança: Reduz o risco associado ao uso de dinheiro em espécie.

Benefícios do Pix para comerciantes

  • Redução de custos: Transações Pix têm custos operacionais mais baixos do que as taxas cobradas pelas maquininhas de cartão.
  • Facilidade de integração: Pode ser utilizado em lojas físicas e virtuais.
  • Pagamentos imediatos: O dinheiro fica disponível instantaneamente, melhorando o fluxo de caixa.

Considerações finais

A publicação da Medida Provisória do Pix representa um passo importante na proteção dos consumidores contra práticas abusivas. Ao proibir diferenças de preços entre Pix e dinheiro, a MP reforça a transparência e mantém o Pix como uma alternativa prática e acessível.

Para os comerciantes, a regra exige maior atenção às práticas de precificação e à comunicação com os clientes, enquanto o consumidor ganha mais segurança e clareza em suas transações financeiras.

Com o Pix consolidado como um dos principais meios de pagamento no Brasil, a nova MP contribui para garantir sua funcionalidade e acessibilidade, mantendo a confiança de milhões de brasileiros no sistema.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital 

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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