Muito provavelmente você já tenha ouvido o mito de que mulheres gastam mais, que mais descontroladas com o cartão de crédito, que descontam as emoções no consumo. Por outro lado, muitas pessoas têm a ideia de que homens entendem mais sobre investimentos, poupança, compra de bens duráveis. Você sabe de onde vem essa história?

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Tudo começa na infância. Uma pesquisa mostrou que os pais ensinam mais sobre investimentos e obrigações financeiras para meninos do que para meninas. Uma consequência disso é que 93% das mulheres brasileiras acreditam que os maridos entendem mais de investimentos do que elas, de acordo com o UBS.

Esse é um cenário que está mudando, ainda que lentamente. Até pouco tempo atrás, os homens eram quem trabalhava fora e sustentava a casa, enquanto as mulheres faziam as compras do lar e ficavam responsáveis pela organização e criação dos filhos.

Essa fama de gastadeiras se dá muito pela responsabilidade da mulher de fazer as compras da casa. Hoje em dia, as mulheres são responsáveis por 80% das decisões de compra das famílias. A nível mundial, estima-se que boa parte do crescimento econômico se deu pela compra de eletrodomésticos, escolhidos por elas.

A comunicação é importante para a mudança

Ainda hoje se propaga a ideia de que investimentos são para os homens e as compras são para as mulheres. As propagandas voltadas para elas falam de bens de consumo muito mais do que para eles. Segundo o banco digital inglês Starling Bank, 65% dos artigos direcionados a mulheres categorizam elas como gastadoras, enquanto 70% dos artigos para homens falavam sobre ganhar mais dinheiro.

A responsável pelo estudo, Anne Boden, comentou o resultado: “Dizem para as mulheres economizarem no cafezinho para economizar para comprar um novo par de sapatos. Para os homens, dinheiro é sinônimo de ternos, investimentos e objetivos de longo prazo. Supercarros e iates e pessoas satisfeitas consigo mesmas”.

“É um ciclo vicioso”, disse Anne. “A mídia fala sobre dinheiro e mulheres de uma certa forma e as pessoas começam a falar desta forma também. É isso que fica em nossas mentes”.

Aos poucos, as mulheres estão aprendendo sobre gestão financeira e investimentos. Em 1975, Luiza Pilosio foi a primeira mulher a investir na Bolsa. Hoje em dia, as mulheres representam apenas 22% do total de investidores nas ações brasileiras. Em 2019 já eram mais de 340 mil mulheres investidoras na B3, número 22 vezes maior que de 2002. Esse crescimento também é impulsionado pelas influenciadoras digitais da área de finanças, como Nathalia Arcuri, jornalista e youtuber, e Camila Farani, participante do programa de investimentos Shark Tank.

Ainda que as mulheres sejam mais cautelosas e muitas vezes tenham menos dinheiro para investir, elas estão ganhando confiança com aulas de finanças só para elas e o exemplo de famosas que já fazem seus investimentos. Atualmente, muitas mulheres já trabalham como traders, vivendo do lucro da compra e venda de ações.

Homens têm mais dívida no cartão de crédito

Segundo dados do Serasa de 2019, as dívidas com o cartão de crédito representam 31,5% das contas atrasadas para os homens, enquanto que para as mulheres representam 27%. As consumidoras, porém, têm mais atrasos no varejo e nas contas de água e luz.

A explicação para isso é que as mulheres ainda têm uma renda menor que a dos homens. Por isso, acabam tendo menos acesso ao crédito e limites mais baixos, o que explica o baixo consumo e as poucas dívidas. Há muitas mulheres que usam o cartão de crédito do marido, por exemplo.

Segundo a Oxfam Brasil, em 2017, as mulheres brasileiras receberam 70% dos rendimentos dos homens. Na classe mais rica, a disparidade é maior: naquele ano, as mulheres receberem o equivalente a 60% dos salários dos homens. A região do Brasil com maior desigualdade de salário por gênero é o Norte.

No entanto, essa questão não existe apenas no Brasil. O próprio cartão de crédito da Apple foi acusado de fazer diferenciação de gênero ao fornecer o limite nos cartões. O programador dinamarquês David Heinemeier Hansson postou o seguinte tweet, com milhares de compartilhamentos:  “Minha mulher e eu fazemos declaração conjunta de Imposto de Renda, vivemos no mesmo imóvel e estamos casados há muito tempo. Mesmo assim, os algoritmos da Apple acham que eu mereço um limite de crédito 20 vezes maior que o dela”.

A resposta que ele obteve é que essa era uma tarefa dos algoritmos. O que pode ter ocorrido é que as mulheres foram classificadas por representarem um risco financeiro maior, o que seria uma atitude preconceituosa da empresa.

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