Milhares de pessoas que aguardavam uma perícia médica ou avaliação social tiveram uma nova oportunidade de avançar com seus pedidos no INSS. Nos dias 15 e 16 de agosto, agências de diferentes estados abriram durante o fim de semana em um mutirão nacional com 10,3 mil vagas.
A ação do Instituto Nacional do Seguro Social e do Ministério da Previdência Social priorizou atendimentos indispensáveis para a análise do Benefício de Prestação Continuada, o BPC, e dos benefícios por incapacidade.
O mutirão não representou a criação de novos benefícios nem a aprovação automática dos pedidos. O objetivo foi antecipar etapas presenciais que mantinham milhares de requerimentos parados.
Quem participou da força-tarefa precisa agora acompanhar o Meu INSS. A realização da perícia ou avaliação social pode concluir uma etapa importante, mas o pedido ainda poderá depender da análise de documentos, renda, contribuições e informações cadastrais.
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Como funcionou o mutirão do INSS?

O atendimento extraordinário ocorreu no sábado e no domingo, dias 15 e 16 de agosto de 2026. Agências da Previdência Social de diferentes regiões abriram para realizar perícias médicas e avaliações sociais.
Foram disponibilizadas oficialmente 10,3 mil vagas. Para participar, era necessário agendar previamente pelo site ou aplicativo Meu INSS ou pela Central 135.
Não se tratava de atendimento livre por ordem de chegada. Cada pessoa deveria comparecer à unidade, no dia e horário confirmados, levando documento de identificação e os comprovantes relacionados ao benefício solicitado.
A abertura aos fins de semana permite aproveitar a estrutura das agências fora do expediente regular. Dessa forma, o INSS consegue atender pedidos acumulados sem interromper a rotina de segunda a sexta-feira.
Quais benefícios foram priorizados?
O mutirão concentrou-se principalmente em dois grupos: pedidos de BPC que dependiam de avaliação social ou perícia médica e requerimentos de benefícios por incapacidade.
Embora sejam analisados pelo INSS, esses benefícios possuem regras diferentes.
BPC para idosos e pessoas com deficiência
O BPC garante o pagamento mensal de um salário mínimo. Em 2026, o valor corresponde a R$ 1.621.
Podem receber:
- pessoas com 65 anos ou mais em situação de vulnerabilidade;
- pessoas com deficiência de qualquer idade que cumpram os critérios sociais e econômicos.
O BPC não é aposentadoria. Para solicitá-lo, não é necessário ter contribuído para o INSS. Em contrapartida, o benefício não paga 13º salário e não deixa pensão por morte aos dependentes.
A família precisa estar inscrita no Cadastro Único, com informações atualizadas. O INSS também analisa a renda familiar e outros elementos que demonstrem a situação de vulnerabilidade.
Como referência inicial, a legislação utiliza renda mensal de até um quarto do salário mínimo por pessoa da família. Em 2026, isso corresponde a R$ 405,25 por integrante.
Esse limite não deve ser interpretado de forma completamente automática. Gastos essenciais, condições sociais e decisões judiciais podem influenciar a análise em determinadas situações.
Benefício por incapacidade temporária
O benefício por incapacidade temporária, conhecido anteriormente como auxílio-doença, atende o segurado que fica impossibilitado de exercer seu trabalho ou atividade habitual por mais de 15 dias consecutivos.
Em regra, é necessário:
- ter qualidade de segurado;
- cumprir a carência exigida, quando aplicável;
- comprovar a incapacidade temporária;
- apresentar documentos médicos adequados.
Ter uma doença não garante o benefício. A avaliação considera se aquela condição impede a pessoa de desempenhar seu trabalho.
Um problema na coluna pode ter efeitos diferentes sobre um trabalhador administrativo e um profissional que carrega peso diariamente. A profissão e as limitações funcionais precisam aparecer nos relatórios médicos.
Por que o BPC exige avaliação social e médica?
No pedido de BPC da pessoa com deficiência, o INSS avalia mais do que a existência de um diagnóstico.
A perícia verifica os impedimentos de longo prazo relacionados à deficiência. Já a avaliação social analisa como esses impedimentos interagem com as barreiras encontradas no cotidiano, na família e na comunidade.
O assistente social pode considerar aspectos como:
- necessidade de ajuda de terceiros;
- condições da residência;
- acesso a tratamento;
- gastos com saúde;
- dificuldade de locomoção;
- participação na escola ou no trabalho;
- situação econômica da família.
A pessoa pode passar pela perícia e ainda aguardar a avaliação social, ou realizar as duas etapas em momentos diferentes. Somente depois de reunir as informações necessárias o INSS poderá decidir pela concessão ou negativa.
A realização das duas avaliações no mutirão ajuda a reduzir o tempo de espera, mas não elimina a análise administrativa.
Como consultar o resultado do mutirão?
O andamento pode ser consultado pelo site ou aplicativo Meu INSS:
- Acesse o Meu INSS;
- entre com CPF e senha da conta Gov.br;
- selecione “Consultar pedidos”;
- localize o requerimento;
- toque em “Detalhar”;
- verifique a situação e as novas comunicações.
Nos benefícios por incapacidade, o resultado da perícia também pode aparecer no serviço específico disponível no Meu INSS. Se a informação não estiver liberada, o segurado deve consultar novamente mais tarde ou telefonar para a Central 135.
No caso do BPC, a conclusão pode demorar mais porque o resultado depende da reunião das avaliações médica, social e administrativa.
Como saber se o benefício foi concedido?
Quando o pedido é aprovado, o sistema disponibiliza a Carta de Concessão. O documento informa o número do benefício, o valor inicial, a data de início e outros dados.
O banco e a data do primeiro pagamento podem ser consultados posteriormente pelo Extrato de Pagamento.
Segundo as orientações do INSS, o primeiro depósito pode levar cerca de 15 dias após a concessão. A data exata dependerá da conclusão do processamento e do calendário do instituto.
O que significa pedido em exigência?
A exigência é uma solicitação de documentos ou esclarecimentos. Ela não significa que o benefício já foi negado.
O INSS pode abrir uma exigência quando encontra, por exemplo:
- documento ilegível;
- informação divergente;
- laudo incompleto;
- vínculo ausente no CNIS;
- Cadastro Único desatualizado;
- falta de comprovante familiar;
- necessidade de declaração adicional.
A pendência aparece no Meu INSS. O segurado deve selecionar o pedido e utilizar a opção “Cumprir Exigência” para enviar os documentos.
O prazo normalmente informado é de 30 dias. Se a pessoa não responder, o pedido poderá ser analisado apenas com os dados existentes ou encerrado quando a informação ausente for indispensável.
Por isso, não basta realizar a perícia e aguardar. É necessário acompanhar o processo até a decisão final.
Quais documentos devem ser apresentados?
Os documentos variam conforme o benefício, mas alguns cuidados evitam atrasos.
Para perícia médica, é recomendável apresentar:
- documento oficial com foto;
- CPF;
- atestados atualizados;
- laudos médicos;
- exames;
- receitas;
- relatórios de tratamento;
- documentos sobre internações ou cirurgias.
O atestado deve estar legível e conter identificação do paciente, data de emissão, diagnóstico ou descrição da doença, período estimado de afastamento, assinatura e identificação do profissional.
O CID, código usado para identificar doenças, pode ajudar, mas o documento precisa explicar principalmente quais limitações impedem o trabalho.
No BPC, também podem ser importantes documentos do Cadastro Único, comprovantes de renda, informações sobre os moradores da casa, receitas e comprovantes de despesas de saúde.
Quem faltou ao mutirão ainda pode reagendar?
Quem não compareceu à perícia médica pode solicitar remarcação uma única vez pelo Meu INSS ou pela Central 135.
De acordo com as regras informadas pelo instituto, o pedido deve ser feito em até sete dias após a data marcada.
Ignorar o agendamento pode levar ao indeferimento ou ao encerramento do requerimento. Portanto, quem faltou nos dias 15 ou 16 de agosto deve verificar imediatamente a situação no sistema.
Na avaliação social, o procedimento pode variar conforme o serviço e a situação registrada. O caminho mais seguro é consultar “Detalhar pedido” e entrar em contato com o 135 para receber orientação específica.
Quem não participou poderá conseguir nova vaga?
O mutirão de 15 e 16 de agosto terminou. As vagas daquele fim de semana não continuam disponíveis automaticamente.
O INSS e o Ministério da Previdência vêm realizando outras forças-tarefas ao longo de 2026, especialmente em locais com filas maiores. Novas datas dependem da disponibilidade de peritos, assistentes sociais e agências.
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Quem já possui pedido em andamento deve acompanhar o Meu INSS para verificar se o atendimento foi antecipado ou se surgiu uma nova data.
Não é necessário cancelar o agendamento existente para tentar participar de outro mutirão. Fazer isso sem orientação pode levar o segurado a perder a vaga que já possui.
Atestmed pode evitar a perícia presencial?
Em alguns pedidos de benefício por incapacidade temporária, o INSS permite a análise documental pelo Atestmed.
O segurado envia o atestado e os demais documentos pelo Meu INSS. A Perícia Médica Federal analisa os arquivos sem atendimento presencial, desde que o caso cumpra as regras aplicáveis.
Em 2026, atestados com afastamento de até 90 dias podem ser avaliados por essa modalidade, conforme as condições definidas pelo governo.
O Atestmed não é usado para todos os casos. O INSS pode convocar o segurado para perícia presencial quando os documentos forem insuficientes, houver necessidade de esclarecimentos ou a situação não se enquadrar na análise documental.
Também é importante não fazer pedidos duplicados. Quem já possui requerimento deve conferir a situação antes de abrir outro processo.
O mutirão garante o pagamento do benefício?
Não. O mutirão acelera o atendimento, mas a concessão depende do cumprimento das regras.
No auxílio por incapacidade temporária, a perícia pode concluir que não existe impedimento suficiente para o trabalho. No BPC, o pedido pode ser negado pela avaliação da deficiência, renda, Cadastro Único ou composição familiar.
Se houver negativa, o segurado poderá apresentar Recurso Ordinário em até 30 dias contados da ciência da decisão.
O recurso deve explicar por que a análise está incorreta e incluir documentos capazes de demonstrar o direito. Repetir as mesmas informações sem enfrentar o motivo da negativa reduz a possibilidade de mudança.
Perguntas frequentes sobre o mutirão do INSS

Quantas vagas foram oferecidas?
O mutirão nacional dos dias 15 e 16 de agosto ofereceu 10,3 mil vagas para perícias médicas e avaliações sociais.
O atendimento era sem agendamento?
Não. Era necessário agendar previamente pelo Meu INSS ou pela Central 135.
Qual é o valor do BPC em 2026?
O BPC paga um salário mínimo mensal, correspondente a R$ 1.621 em 2026.
Participar do mutirão garante o benefício?
Não. O atendimento acelera uma etapa, mas a aprovação depende do cumprimento de todos os requisitos.
Como consultar o resultado?
A consulta pode ser feita em “Consultar pedidos”, no Meu INSS, ou pelo telefone 135.
O que fazer se o pedido estiver em exigência?
O segurado deve abrir o requerimento no Meu INSS, selecionar “Cumprir Exigência” e enviar os documentos dentro do prazo indicado.
Faltei à perícia. Posso remarcar?
A perícia pode ser remarcada uma única vez. O pedido deve ser feito em até sete dias pelo Meu INSS ou pela Central 135.
Quem não participou terá outro mutirão?
Novas ações podem ser anunciadas, mas não existe inclusão automática. O cidadão deve manter o agendamento e acompanhar os canais oficiais.
Atendimento foi acelerado, mas segurado deve acompanhar o processo
As 10,3 mil vagas abertas no fim de semana ajudaram a antecipar perícias médicas e avaliações sociais que mantinham pedidos parados. Para quem aguardava o BPC ou um benefício por incapacidade, a ação representou um avanço concreto.
A participação, entretanto, não encerra necessariamente o processo. Ainda podem existir documentos pendentes, análise de renda, avaliação administrativa ou exigências a cumprir.
O próximo passo é acessar “Consultar pedidos” no Meu INSS. Quem faltou à perícia precisa pedir a remarcação dentro de sete dias, enquanto quem recebeu uma exigência deve enviar os documentos no prazo informado.



