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Tem dificuldade com matemática? Ciência revela técnica que pode ajudar

Tem dificuldade com matemática? Descubra como a neuroestimulação pode melhorar seu desempenho agora mesmo.

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro5 min de leitura
Matemática

A dificuldade com matemática é uma realidade para milhões de pessoas em todo o mundo. Para alguns, números, fórmulas e cálculos representam um obstáculo quase intransponível.

Mas uma nova pesquisa publicada na revista científica PLOS Biology sugere que uma técnica pouco invasiva — a neuroestimulação — pode ser a chave para melhorar significativamente o desempenho de quem luta com a matemática.

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O que é a neuroestimulação?

Segundo Cérebro
Imagem: Canva

Entendendo a técnica

A neuroestimulação transcraniana por ruído aleatório (tRNS, na sigla em inglês) é um método indolor que utiliza uma corrente elétrica fraca aplicada ao couro cabeludo por meio de eletrodos.

Essa estimulação ativa regiões específicas do cérebro, influenciando a atividade dos neurônios e potencializando a comunicação entre áreas envolvidas em funções cognitivas.

Como funciona a tRNS?

Segundo os pesquisadores, a técnica atua sobre o neurotransmissor GABA, responsável por inibir a atividade excessiva no cérebro.

Ao equilibrar essa atividade, a tRNS melhora a eficiência das conexões neurais em regiões cruciais para o aprendizado, como o córtex pré-frontal dorsolateral e o córtex parietal posterior.

Estudo que pode mudar a educação

Participantes e metodologia

O experimento, liderado pelo neurocientista Roi Kadosh, da Universidade de Surrey, contou com a participação de 72 estudantes da Universidade de Oxford.

Os voluntários foram submetidos a exames de imagem cerebral para avaliar a conectividade entre regiões cerebrais relacionadas à função executiva e à memória.

Em seguida, os participantes realizaram uma série de tarefas matemáticas, que exigiam tanto o raciocínio lógico quanto a memória de soluções já aprendidas. Durante parte dos testes, metade dos estudantes recebeu o estímulo cerebral.

Resultados surpreendentes

Os resultados foram claros: os alunos com menor conectividade cerebral natural apresentaram uma melhora de 25% a 29% em seus desempenhos na matemática após a estimulação. O mais surpreendente?

Os estudantes com desempenho médio ou alto não apresentaram qualquer ganho com o procedimento, sugerindo que os maiores beneficiados são justamente aqueles que mais precisam de apoio.

“Algumas pessoas têm dificuldades. Se pudermos ajudar seu cérebro a atingir o potencial máximo, criaremos muitas oportunidades para elas”, afirmou Kadosh.

Por que essa descoberta é importante?

Combate à desigualdade educacional

A pesquisa aponta para um futuro no qual barreiras cognitivas possam ser minimizadas com o uso de tecnologias simples e acessíveis.

Isso tem um enorme potencial para reduzir desigualdades educacionais e permitir que mais pessoas alcancem níveis mais altos de aprendizado, como na matemática, independentemente de predisposições biológicas.

Educação personalizada com base na neurociência

A descoberta reforça a necessidade de uma educação personalizada, em que alunos com diferentes tipos de cérebros recebam estímulos específicos. O uso de neurotecnologia pode ser um complemento valioso às metodologias tradicionais, proporcionando intervenções eficazes e direcionadas.

Limitações e preocupações éticas

Tecnologia pode ser elitista?

Apesar do otimismo, o próprio Kadosh alerta para um dilema ético: o acesso desigual à tecnologia. Se técnicas como a tRNS se tornarem exclusivas de grupos com maior poder aquisitivo, elas podem aumentar ainda mais a lacuna de oportunidades educacionais, ao invés de reduzi-la.

“O risco é que essas tecnologias se tornem acessíveis apenas para quem tem recursos financeiros”, disse o neurocientista.

Ainda é cedo para aplicar fora do laboratório

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Outro ponto de atenção é que, embora os resultados sejam promissores, a técnica ainda está em fase experimental. Testes clínicos em larga escala, acompanhamentos de longo prazo e a análise de possíveis efeitos colaterais são necessários antes de considerar a aplicação em escolas ou clínicas educacionais.

Futuro do aprendizado com auxílio da neurotecnologia

Perspectivas para aplicação prática

Se confirmada sua eficácia e segurança, a tRNS poderá ser utilizada em:

  • Escolas públicas e privadas como complemento ao ensino tradicional;
  • Clínicas de reabilitação cognitiva;
  • Centros de reforço escolar e tutorias;
  • Programas de capacitação para adultos.

Outras áreas de impacto além da matemática

Embora o estudo tenha focado na matemática, a tRNS pode ter implicações mais amplas. Outras áreas cognitivas, como linguagem, atenção e memória de longo prazo, também podem se beneficiar com estímulos direcionados, abrindo caminho para uma revolução no ensino e na saúde mental.

Reações da comunidade científica

Matemática
Imagem: Freepik

A publicação do estudo gerou debate na comunidade acadêmica. Muitos especialistas destacaram o potencial revolucionário da neuroestimulação na matemática, mas também pediram cautela quanto à aplicação precoce da técnica fora do ambiente controlado de laboratórios.

A cientista cognitiva Dr. Amanda Ng, da Universidade de Melbourne, declarou:

“Estamos observando um avanço impressionante na compreensão da neuroplasticidade. Mas precisamos de regulamentações e diretrizes claras antes que isso chegue ao uso clínico ou educacional em larga escala.”

Conclusão

A neuroestimulação cerebral representa um passo promissor para ajudar pessoas com dificuldades em matemática a superarem suas limitações. O estudo conduzido por Roi Kadosh traz esperança para um futuro em que a biologia não será um fator limitante para o aprendizado.

No entanto, os desafios éticos e logísticos precisam ser enfrentados com seriedade. Garantir acessibilidade, segurança e equidade será essencial para transformar uma descoberta científica em um recurso verdadeiramente democrático e transformador.

Imagem: creativeart / Freepik

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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