O aumento das notas falsas no Brasil tem chamado atenção das autoridades. Nos últimos anos, falsificadores parecem ter mudado de estratégia: abandonaram as cédulas intermediárias, como as de R$ 20 e R$ 50, e passaram a se concentrar nas de R$ 100 e R$ 200, de maior valor.
Notas falsas aumentam pico no Brasil e dinheiro físico pode ser extinto
Notas falsas de R$ 100 e R$ 200 crescem no Brasil. Saiba por que o dinheiro físico pode estar com os dias contados. Veja como se proteger!
De acordo com o Banco Central (BC), 80% de todo o dinheiro falsificado apreendido no sistema bancário é composto por essas duas notas — as que trazem a garoupa e o lobo-guará. Essa mudança reflete não apenas o avanço da criminalidade, mas também as transformações no uso do dinheiro físico no país.
Continue a leitura e entenda o que está por trás desse fenômeno e como se proteger das falsificações.
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Notas de R$ 200 já representam um terço das falsificações

Entre os dados mais alarmantes está o crescimento expressivo da nota de R$ 200 entre as falsificadas. Segundo o BC, sua participação mais que dobrou em cinco anos, passando de 15% em 2021 para 33% das falsificações em 2025.
Atualmente, essa cédula ocupa o segundo lugar no ranking, atrás apenas da de R$ 100, que responde por 47% dos casos. Em contrapartida, a nota de R$ 50, que em 2018 era responsável por 38% das falsificações, caiu para apenas 11% em 2025.
Essa inversão de tendência revela que os criminosos estão ajustando sua atuação à nova dinâmica econômica do país, especialmente após a popularização dos meios digitais de pagamento.
A lógica do crime: entre o risco e o ganho
Pode parecer lógico imaginar que falsificadores sempre preferem notas de valor mais alto, mas a prática mostra o contrário. Notas grandes chamam mais atenção no comércio, onde são verificadas com luz, toque e elementos holográficos.
Por esse motivo, durante anos, os falsários optavam por notas menores, especialmente de R$ 20 e R$ 50, que circulam com mais frequência e passam despercebidas. Em 2018, mais da metade das falsificações — 53,5% — envolvia essas denominações.
No entanto, a relação dos brasileiros com o dinheiro mudou radicalmente com a pandemia e o avanço dos pagamentos digitais.
Pix e pandemia aceleraram o declínio do dinheiro físico
O ano de 2020 marcou uma virada no uso do dinheiro no Brasil. A pandemia reduziu o contato físico e impulsionou o uso de pagamentos eletrônicos, especialmente o Pix, que se tornou o principal meio de transferência instantânea do país.
Com o menor uso de cédulas em circulação, as falsificações se tornaram menos perceptíveis no varejo, e os criminosos passaram a buscar notas de maior valor, que proporcionam retorno mais rápido e exigem menos volume físico para o mesmo ganho ilícito.
Coincidentemente, foi também em 2020 que o Banco Central lançou a nota de R$ 200, ampliando o leque de oportunidades para o crime. Desde então, a participação dessa cédula entre as falsificações tem crescido ano a ano.
Por que as notas grandes viraram alvo dos falsários
O aumento das falsificações de notas de R$ 100 e R$ 200 é reflexo de uma nova lógica criminosa:
- Menos circulação física = menor chance de detecção;
- Maior valor unitário = maior retorno por falsificação;
- Transações digitais em alta = menos experiência das pessoas em lidar com dinheiro verdadeiro.
Em outras palavras, o dinheiro físico ainda é usado em transações específicas, como feiras, pequenos comércios e áreas rurais — locais onde a verificação pode ser mais superficial.
Dinheiro físico em queda: um futuro sem papel?
O fenômeno das notas falsas no Brasil também reacende o debate sobre o futuro do dinheiro físico. O avanço do Pix, dos cartões digitais e das carteiras eletrônicas indica uma tendência clara: o papel-moeda está perdendo relevância no cotidiano brasileiro.
Segundo dados do Banco Central, o volume de transações em dinheiro caiu mais de 40% desde 2020, enquanto o Pix já supera mais de 170 milhões de usuários ativos.
Com menos dinheiro circulando, falsificações tendem a se concentrar em notas de alto valor, o que reforça o argumento de que o dinheiro físico pode se tornar cada vez mais raro — ou até extinto em algumas décadas.
Como identificar notas falsas e se proteger
Mesmo com o avanço dos meios digitais, a cautela com o dinheiro físico continua essencial. O Banco Central recomenda que toda cédula recebida seja verificada com atenção.
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Os principais elementos de segurança incluem:
- Marca d’água visível contra a luz;
- Impressão em relevo perceptível ao toque;
- Número que muda de cor conforme o ângulo;
- Quebra-cabeça entre frente e verso;
- Fio de segurança embutido no papel.
Além disso, o BC mantém o aplicativo “Dinheiro Brasileiro”, disponível gratuitamente, que ensina a identificar os elementos de segurança de cada cédula.
Combate à falsificação: tecnologia e vigilância bancária
O Banco Central e as instituições financeiras intensificaram o combate à falsificação por meio de novos sistemas de rastreamento e verificação digital.
As notas da segunda família do real, lançadas a partir de 2010, possuem recursos avançados de segurança que dificultam cópias de alta qualidade, incluindo tintas especiais, microimpressões e hologramas com profundidade.
Mesmo assim, especialistas alertam que o crime se adapta rapidamente, aproveitando brechas na fiscalização e períodos de alta circulação, como feriados e grandes eventos.
O que o futuro reserva para o dinheiro físico

Diante desse cenário, o Brasil segue o caminho de países que já estudam moedas digitais oficiais, conhecidas como CBDCs (Central Bank Digital Currencies). O Drex, versão digital do real desenvolvida pelo BC, é o primeiro passo nessa direção.
A substituição completa do papel-moeda, no entanto, ainda levará tempo. Enquanto isso, a conscientização e a verificação manual continuam as melhores armas contra as notas falsas.
O dinheiro físico pode até estar perdendo espaço, mas a vigilância precisa permanecer em alta — seja no caixa do supermercado ou na feira do bairro.
Com informações de: CNN Brasil
