Receita anuncia nova forma de cobrança automatizada de impostos
No início de outubro, a Receita Federal anunciou uma mudança significativa na cobrança de impostos sobre produtos descartáveis. A medida, formalizada pelo Decreto nº 12.665, corrige distorções antigas entre itens de plástico, papel e cartão, promovendo igualdade tributária e incentivando o uso de materiais biodegradáveis.
Antes da nova regra, os produtos sustentáveis pagavam mais impostos que os equivalentes de plástico. Agora, com a unificação das alíquotas, o governo busca equilibrar a carga tributária e fortalecer o compromisso ambiental do país.
O que muda?

Com a nova regulamentação, canudos, copos, pratos e talheres — sejam feitos de plástico, papel ou cartão — passam a ter a mesma alíquota de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).
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Antes, os itens de papel ou cartão eram tributados com 9,75%, enquanto os de plástico pagavam apenas 3,25%. A partir de agora, todos terão uma alíquota média de 6,75%, sem impacto negativo sobre a arrecadação federal.
Igualdade tributária e sustentabilidade
O objetivo central da medida é eliminar o desequilíbrio fiscal que penalizava os produtos biodegradáveis. Segundo a Receita Federal, o antigo modelo favorecia o plástico, um material de difícil decomposição e alto impacto ambiental.
A uniformização das alíquotas busca estimular práticas mais sustentáveis em restaurantes, bares, lanchonetes, redes de fast-food e até no consumo doméstico, tornando o uso de alternativas ecológicas mais acessível e competitivo.
Setor empresarial comemora a medida
Para empresários e associações do setor alimentício, a nova política tributária é vista como um avanço importante.
Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), a decisão corrige uma “anomalia tributária” que há anos inibia o uso de materiais biodegradáveis nos estabelecimentos.
Além de reduzir custos para empresas que desejam investir em práticas ecológicas, a medida pode estimular a inovação industrial, incentivando o desenvolvimento de novas tecnologias em materiais biodegradáveis.
Consumidor ganha mais opções ecológicas
Do ponto de vista do consumidor, a mudança amplia o acesso a produtos sustentáveis. Com a equiparação de tributos, o preço final de copos, talheres e pratos biodegradáveis tende a ficar mais próximo ao dos itens plásticos convencionais.
Esse movimento deve impulsionar o consumo consciente, permitindo que o público opte por alternativas que causam menor impacto ambiental sem precisar pagar mais caro.
Receita desmente boatos sobre aumento de impostos
Logo após o anúncio do decreto, circularam nas redes sociais informações falsas de que o governo teria aumentado impostos para reforçar a arrecadação.
A Receita Federal esclareceu que não houve elevação da carga tributária total, apenas redistribuição equilibrada das alíquotas entre os diferentes tipos de materiais.
Entenda o impacto prático
- Plástico: passa a pagar mais, com alíquota ajustada para 6,75%;
- Papel e cartão: têm redução tributária, passando de 9,75% para 6,75%;
- Arrecadação geral: permanece estável, sem aumento para o contribuinte.
O foco da medida, segundo o órgão, é corrigir distorções e incentivar a sustentabilidade, e não ampliar a arrecadação.
Contexto internacional
A mudança segue uma tendência global observada em países europeus e asiáticos, que vêm adotando modelos fiscais verdes, incentivando produtos de baixo impacto ambiental e desestimulando o uso de plásticos descartáveis.
Na União Europeia, por exemplo, medidas semelhantes já foram implementadas desde 2021, com impostos adicionais sobre plásticos não recicláveis. O Brasil, ao adotar a unificação das alíquotas, se aproxima dessas práticas sustentáveis internacionais.
Como os empresários devem se adaptar à nova cobrança
Empresas que atuam na fabricação ou comercialização de produtos descartáveis precisam revisar suas tabelas de preços e guias fiscais, já que as novas alíquotas entram em vigor a partir da publicação do decreto.
Passos recomendados para adaptação
- Atualizar o sistema fiscal interno com as novas alíquotas de IPI;
- Consultar o contador ou escritório de contabilidade para ajustar as guias de recolhimento;
- Revisar contratos com fornecedores e verificar eventuais impactos no custo final;
- Apostar em alternativas sustentáveis, aproveitando o novo cenário tributário favorável.
A Receita Federal recomenda que os contribuintes acompanhem as informações oficiais pelo Portal do Simples Nacional e pelos canais de atendimento da instituição, evitando a disseminação de informações incorretas.
Perspectivas para o mercado e para o meio ambiente
A curto prazo, a expectativa é de que o setor de produtos biodegradáveis cresça no país, impulsionado pela redução da carga tributária e pelo aumento da demanda em estabelecimentos comerciais.
A médio e longo prazo, especialistas acreditam que a medida pode contribuir para reduzir a poluição causada por plásticos descartáveis, além de gerar novos empregos e investimentos na indústria de embalagens ecológicas.
FAQ – Perguntas frequentes
1. O que muda com o novo decreto da Receita Federal?
A principal mudança é a unificação das alíquotas de IPI sobre produtos descartáveis, que agora são iguais para itens de plástico, papel e cartão.
2. As empresas vão pagar mais impostos?
Não necessariamente. Empresas que trabalham com materiais biodegradáveis terão redução de imposto, enquanto os itens plásticos pagarão um pouco mais, mantendo a arrecadação geral estável.
3. A medida afeta o preço final dos produtos?
Sim. Com a equiparação tributária, os produtos biodegradáveis tendem a ficar mais baratos, aproximando-se do preço dos plásticos.
4. Quando a nova alíquota entra em vigor?
A mudança já está em vigor desde a publicação do Decreto nº 12.665, ocorrida no início de outubro de 2025.
5. Onde posso verificar as novas regras fiscais?
As informações oficiais estão disponíveis no site da Receita Federal e no Portal do Simples Nacional, onde é possível consultar as tabelas atualizadas de IPI.
Considerações finais
A nova política da Receita Federal vai além da simplificação tributária: ela representa um avanço na integração entre economia e sustentabilidade. Ao corrigir distorções que penalizavam produtos ecológicos, o governo cria condições mais equilibradas e competitivas para quem deseja adotar práticas responsáveis.
Mais do que uma mudança fiscal, o decreto reflete uma mudança de mentalidade, aproximando o Brasil de um modelo de desenvolvimento mais verde e consciente.
