O Governo Federal estuda incluir autônomos e microempreendedores individuais (MEIs) nas regras do PIS/PASEP a partir de 2026, como parte da implantação do novo sistema tributário sobre o consumo. Essa possível ampliação viria acompanhada da reformulação do Simples Nacional, impactando milhões de pequenos empreendedores e empresas que operam no modelo simplificado.
Nova regra do PIS pode incluir autônomos e MEIs a partir de 2026 — Governo estuda ampliação
Governo estuda ampliar o PIS para incluir autônomos e MEIs em 2026 com a reforma tributária e novas regras do Simples Nacional.
Com a reforma tributária, empresas que hoje vendem para outras pessoas jurídicas terão que optar entre permanecer no regime atual ou aderir ao novo sistema, baseado em créditos tributários. A mudança promete alterar a forma como os impostos são apurados, pagos e compensados — e pode transformar a relação entre pequenos negócios e o fisco.
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O que muda com o novo PIS e a reforma tributária

O novo modelo tributário, que substituirá gradualmente o PIS/Cofins, o ICMS e o ISS por dois novos tributos — a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) —, trará um mecanismo conhecido como “split payment”.
Esse sistema prevê que o imposto seja separado automaticamente no momento do pagamento, indo direto aos cofres públicos. Ou seja, o empresário não terá como adiar a quitação do tributo, uma medida que deve reduzir sonegação e fraudes, segundo o Ministério da Fazenda.
Impacto no Simples Nacional
Para as empresas do Simples Nacional, a principal novidade será a escolha entre dois regimes:
- Permanecer no modelo simplificado atual, com pagamento unificado via Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS);
- Ou migrar para o regime híbrido, no qual continuam recolhendo o DAS, mas passam a apurar separadamente o IBS e a CBS.
No regime híbrido, as empresas que vendem para outras companhias (B2B) poderão gerar e aproveitar créditos tributários, reduzindo o valor final dos impostos a pagar. Já quem permanecer no sistema tradicional pode perder competitividade, pois seus clientes não conseguirão aproveitar esses créditos.
MEIs e autônomos: o que pode mudar
De acordo com o secretário especial da Reforma Tributária, Bernard Appy, a maioria das empresas não será afetada de imediato, especialmente os microempreendedores individuais, que representam cerca de 60% dos negócios do Simples.
Appy ressaltou que o MEI continuará operando normalmente, sem necessidade de aderir ao novo modelo. Profissionais como cabeleireiros, prestadores de serviço, vendedores de bairro e pequenos comércios seguirão recolhendo tributos pelo sistema atual.
No entanto, fontes do Ministério da Fazenda indicam que o governo avalia incluir MEIs e autônomos no novo modelo do PIS/PASEP a partir de 2026, ampliando a cobertura e garantindo que esses trabalhadores também tenham acesso aos benefícios sociais vinculados à contribuição, como o abono salarial.
Essa inclusão, ainda em estudo, depende de ajustes técnicos e da capacidade de integração dos sistemas da Receita Federal, que estão sendo testados para suportar o novo regime.
Desafios para os pequenos empreendedores
Especialistas alertam que o novo sistema trará maiores exigências contábeis e tecnológicas para os pequenos negócios. O advogado tributarista Thiago Santana Lira, do escritório Barroso Advogados Associados, explica que será necessário um maior controle sobre notas fiscais, cadeia de fornecimento e prazos de recolhimento.
“O MEI ou pequeno empresário que vender para outras empresas precisará estar mais organizado. Se não adotar o regime híbrido, pode perder clientes, já que as compradoras não conseguirão aproveitar créditos tributários”, destaca Lira.
Além disso, o fluxo de caixa pode ser afetado. Segundo o diretor do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), Carlos Pinto, o pagamento antecipado dos tributos pode gerar impacto financeiro.
“O empresário vai precisar aprender a viver sem o dinheiro do imposto circulando no caixa. O sistema será automático e exigirá planejamento”, alerta Pinto.
Outro desafio é a fiscalização da cadeia produtiva: o crédito tributário só será válido se o fornecedor também tiver pago seus impostos corretamente, o que aumenta a responsabilidade sobre a escolha de parceiros comerciais.
Possíveis benefícios do novo modelo
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Apesar dos desafios, a equipe econômica do governo argumenta que a reforma trará vantagens significativas para quem optar pelo sistema híbrido.
O principal benefício é a redução do custo dos insumos e o aumento da competitividade das empresas que operam no meio da cadeia produtiva. Segundo cálculos da Fazenda, apenas 1,3% das vendas do Simples Nacional podem ter alguma perda de competitividade, enquanto a grande maioria será beneficiada.
Além disso, o split payment deve diminuir a sonegação, garantir maior transparência fiscal e modernizar o relacionamento entre empresas e governo.
Quem faz parte do Simples Nacional hoje

Atualmente, fazem parte do Simples Nacional:
- Microempreendedor Individual (MEI): faturamento anual até R$ 81 mil;
- Transportador autônomo de cargas: até R$ 251,6 mil por ano;
- Microempresa (ME): até R$ 360 mil anuais;
- Empresa de pequeno porte (EPP): até R$ 4,8 milhões anuais.
A reforma também prevê uma nova categoria de “nanoempreendedores”, com faturamento inferior a R$ 40,5 mil anuais, que serão isentos dos novos impostos.
Quando as mudanças entram em vigor
O cronograma da reforma tributária está dividido em etapas:
- 2026: início da fase de testes do sistema digital da Receita Federal, com alíquota simbólica de 1%;
- 2027: extinção do PIS/Cofins e implantação efetiva do CBS, voltada para transações entre empresas;
- 2029 a 2032: transição do ICMS e do ISS para o novo IBS, com redução gradual dos tributos estaduais e municipais.
Durante esse período, o governo avaliará o desempenho do sistema e as condições para incluir autônomos e MEIs na base de contribuintes do PIS/PASEP reformulado.
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