O crédito rotativo, amplamente utilizado no Brasil por consumidores que não conseguem pagar o valor total da fatura do cartão, passou por importantes mudanças desde 2024. As novas regras, que começaram a vigorar com base na Lei 14.690/23, estabelecem limites para os juros e criam mecanismos como a portabilidade de dívidas, oferecendo mais proteção ao consumidor.
Nova lei altera limites, juros e regras do cartão para todos os CPFs
As novas regras do crédito rotativo em 2025 limitam juros e facilitam portabilidade de dívidas. Entenda como as mudanças impactam.
As medidas foram adotadas diante do aumento expressivo do endividamento das famílias, que enfrentavam dificuldades para quitar dívidas acumuladas por conta dos altos encargos. Agora, com o teto para os juros e a possibilidade de transferir a dívida para outra instituição financeira, o consumidor ganha mais transparência, poder de negociação e controle sobre suas finanças.

O que é o crédito rotativo e por que ele se tornou um problema
Uma linha de crédito de alto custo
O crédito rotativo é acionado quando o usuário do cartão de crédito não paga o valor total da fatura até a data de vencimento. Nesse caso, o valor restante é automaticamente financiado, com a incidência de juros e encargos. Essa é uma das modalidades de crédito com maiores taxas no Brasil.
Por muito tempo, o crédito rotativo foi uma solução rápida para imprevistos financeiros. No entanto, o acúmulo de encargos e a falta de limite legal permitiam que pequenas dívidas se transformassem em compromissos impagáveis. Com isso, muitos consumidores entraram em ciclos de endividamento prolongado, comprometendo a renda e a estabilidade financeira.
A necessidade de regulação
Diante da crescente inadimplência e do impacto social da dívida por cartão de crédito, o governo decidiu intervir. As novas regras têm como objetivo proteger os consumidores e tornar o mercado mais equilibrado. A regulamentação também busca estimular práticas mais transparentes por parte das instituições financeiras.
Principais mudanças nas regras do crédito rotativo em 2025
Limite para os juros cobrados
Uma das mudanças mais relevantes diz respeito à limitação dos juros. Com a nova legislação, o valor total que pode ser cobrado em juros e encargos não pode ultrapassar o dobro da dívida original. Por exemplo, se uma pessoa deixar de pagar R$ 200 da fatura, os encargos não poderão ultrapassar mais R$ 200, totalizando no máximo R$ 400.
Essa medida impede que as dívidas cresçam indefinidamente, como acontecia anteriormente, e estabelece um teto que garante mais previsibilidade e segurança ao consumidor.
Portabilidade de dívidas sem custo
Outra novidade importante é a portabilidade de dívidas, em vigor desde julho de 2024. A regra permite que o consumidor transfira sua dívida para outra instituição financeira que ofereça condições mais vantajosas, como juros menores ou prazos maiores de pagamento.
Essa ferramenta estimula a concorrência entre bancos e operadoras, forçando o mercado a se tornar mais competitivo e justo. Com isso, o consumidor pode renegociar sua dívida de forma mais estratégica e reduzir o impacto dos juros no orçamento.
Transparência e direito à informação
A nova legislação também determina que as instituições financeiras devem apresentar de forma clara e acessível todas as condições do crédito rotativo. Isso inclui taxas de juros, encargos, prazos e alternativas de pagamento.
O objetivo é assegurar que o consumidor tome decisões informadas, evitando surpresas desagradáveis e promovendo o uso mais consciente do crédito.
Impactos das novas regras para o consumidor
Mais proteção contra o superendividamento
Com a limitação dos juros e a possibilidade de portabilidade, os consumidores têm mais ferramentas para lidar com dívidas e manter o equilíbrio financeiro. Essas mudanças evitam que dívidas pequenas se transformem em um problema grave, contribuindo para a redução do superendividamento no país.
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Além disso, a transparência nas informações permite que o consumidor compare propostas, entenda melhor seus direitos e escolha as opções mais adequadas para sua realidade.
Estímulo à educação financeira
As novas regras também reforçam a importância da educação financeira. Ao exigir mais clareza nas informações e permitir maior liberdade de escolha, o sistema incentiva o cidadão a compreender melhor seu comportamento financeiro e a planejar melhor seus gastos.
A expectativa é de que, com o tempo, os brasileiros passem a utilizar o cartão de crédito de maneira mais estratégica, reduzindo o uso do crédito rotativo e priorizando o pagamento integral da fatura sempre que possível.
Efeitos no mercado financeiro e nos bancos
Concorrência e renegociação ganham espaço
Para os bancos e operadoras de cartão, as novas regras representam uma mudança significativa na forma de ofertar crédito. A possibilidade de perder clientes para outras instituições mais competitivas pressiona o setor a revisar suas práticas e buscar formas mais sustentáveis de operar.
A tendência é que as instituições invistam em estratégias de fidelização, educação financeira e personalização de ofertas, com o objetivo de manter seus clientes ativos e satisfeitos.
Redução das margens de lucro em benefício da estabilidade

Embora as medidas possam impactar as margens de lucro dos bancos no curto prazo, elas favorecem a estabilidade do sistema financeiro no longo prazo. Ao reduzir o risco de inadimplência e estimular a concorrência, o mercado se torna mais equilibrado e menos sujeito a crises provocadas pelo alto endividamento das famílias.
