O governo federal publicou novas regras para o Crédito do Trabalhador, modalidade de empréstimo consignado voltada aos empregados do setor privado com carteira assinada. As mudanças permitem o uso de parte dos recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como garantia da operação, com o objetivo de reduzir o risco para os bancos e ampliar o acesso a empréstimos com juros mais baixos.
Governo autoriza uso do FGTS como garantia em nova modalidade de crédito
Governo define novas regras do Crédito do Trabalhador, autoriza uso do FGTS como garantia e limita juros a 1,99% ao mês. Veja o que muda.
As novas normas também estabelecem um teto para as taxas de juros nos contratos que utilizarem essa garantia. A expectativa do Ministério da Fazenda é estimular a concorrência entre as instituições financeiras, tornando o crédito consignado privado mais acessível para milhões de trabalhadores brasileiros.
Na prática, quem contratar essa modalidade poderá conseguir condições mais vantajosas, desde que aceite vincular parte dos valores do FGTS ao contrato.
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O que muda no Crédito do Trabalhador

A principal novidade é a possibilidade de utilizar recursos futuros do FGTS como garantia do empréstimo consignado.
Essa garantia adicional reduz o risco da operação para as instituições financeiras e pode facilitar tanto a aprovação do crédito quanto a oferta de taxas menores.
Além disso, o governo definiu limites para os juros cobrados, buscando evitar cobranças consideradas abusivas.
Quais recursos do FGTS poderão ser usados como garantia
As novas regras autorizam que parte dos valores aos quais o trabalhador teria direito em caso de demissão sem justa causa seja utilizada como garantia do financiamento.
Poderão ser vinculados ao contrato:
- até 35% das verbas rescisórias;
- 100% da multa rescisória de 40% do FGTS;
- até 10% do saldo disponível na conta do FGTS.
É importante destacar que esses recursos não são liberados imediatamente ao banco. Eles ficam vinculados como garantia e poderão ser utilizados apenas nas situações previstas no contrato, caso haja inadimplência ou outras condições estabelecidas na regulamentação.
Segundo o governo, esse modelo amplia a segurança jurídica das operações e tende a reduzir o custo do crédito para o trabalhador.
Diferença entre contratar pela Carteira de Trabalho Digital e pelo banco
As novas portarias estabeleceram regras diferentes conforme o canal utilizado para contratar o empréstimo.
Contratação pela Carteira de Trabalho Digital
Quando a operação for realizada pela Carteira de Trabalho Digital (CTPS Digital), as garantias poderão cobrir até 100% do valor financiado.
Isso amplia a segurança da operação e aumenta a possibilidade de obtenção de melhores condições de crédito.
Além disso, a plataforma permite comparar propostas de diferentes bancos antes da contratação, favorecendo uma escolha mais consciente.
Contratação diretamente no banco
Nos contratos firmados diretamente pelos canais das instituições financeiras, a cobertura da garantia ficará limitada a até 50% do valor do empréstimo.
Com isso, o governo busca incentivar o uso da plataforma oficial, que reúne ofertas de diversas instituições financeiras em um único ambiente.
Governo estabelece limite para os juros
Outra mudança importante é a criação de um teto para as taxas cobradas nas operações que utilizarem o FGTS como garantia.
Pelas novas regras:
- juros máximos de 1,99% ao mês;
- Custo Efetivo Total (CET) limitado a 2,99% ao mês.
O CET reúne todos os custos envolvidos no financiamento, incluindo:
- juros;
- tarifas;
- seguros, quando houver;
- demais encargos cobrados na operação.
Na avaliação do Ministério da Fazenda, esse limite deve aumentar a concorrência entre os bancos e beneficiar diretamente os trabalhadores.
O secretário-executivo da pasta, Dario Durigan, reforçou que a intenção é impedir a contratação de empréstimos com taxas superiores ao teto estabelecido quando houver utilização das garantias previstas.
Por que o governo acredita que os juros vão cair
O consignado privado já possui uma característica que reduz o risco de inadimplência: o desconto das parcelas diretamente na folha de pagamento.
Com a inclusão do FGTS como garantia adicional, o governo entende que o risco para os bancos diminui ainda mais.
Segundo a equipe econômica, isso cria condições para que as instituições financeiras ofereçam empréstimos com taxas mais competitivas.
Outro ponto considerado importante é a ampliação da concorrência, já que a plataforma oficial permite ao trabalhador comparar ofertas antes de contratar.
Bancos demonstram preocupação com o novo limite
Apesar da expectativa positiva do governo, representantes do setor financeiro avaliam que o teto de 1,99% ao mês poderá reduzir o interesse de algumas instituições em oferecer essa modalidade.
Entre os principais argumentos apresentados pelo mercado estão:
- rentabilidade considerada baixa para determinados perfis de operação;
- manutenção de parte do risco de inadimplência;
- dúvidas sobre a execução das garantias em situações específicas.
Analistas destacam que, embora o FGTS represente uma garantia adicional, ela está vinculada principalmente às hipóteses de demissão sem justa causa, o que não elimina totalmente o risco do crédito.
Bancos médios e fintechs também avaliam que a limitação das taxas poderá reduzir a participação dessas instituições na modalidade.
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Quem pode contratar o Crédito do Trabalhador
O programa é destinado aos trabalhadores do setor privado com carteira assinada.
A modalidade utiliza o modelo de empréstimo consignado, no qual as parcelas são descontadas diretamente da remuneração do empregado, respeitando os limites legais da margem consignável.
Antes da contratação, é recomendável verificar:
- valor das parcelas;
- prazo do financiamento;
- taxa de juros;
- Custo Efetivo Total (CET);
- impacto da dívida no orçamento familiar.
Vale a pena usar o FGTS como garantia?
A resposta depende da situação financeira de cada trabalhador.
Para quem precisa de crédito e encontra dificuldades para obter boas taxas no mercado, utilizar parte do FGTS como garantia pode representar economia significativa ao longo do contrato.
Por outro lado, é importante lembrar que os recursos vinculados poderão ser utilizados para quitar a dívida nas hipóteses previstas, reduzindo o valor disponível ao trabalhador em caso de desligamento.
Por isso, especialistas em educação financeira recomendam comparar diferentes propostas antes de fechar negócio e contratar apenas quando o empréstimo for realmente necessário.
Cuidados antes de contratar
Mesmo com juros limitados, o empréstimo continua sendo uma obrigação financeira de longo prazo.
Antes de assinar o contrato, vale observar alguns pontos importantes:
- compare ofertas entre diferentes bancos;
- confira o CET, e não apenas a taxa de juros;
- leia todas as cláusulas do contrato;
- verifique como funciona a utilização da garantia do FGTS;
- avalie se a parcela cabe no orçamento mensal;
- evite contratar crédito para despesas não essenciais.
Esses cuidados ajudam a evitar o comprometimento excessivo da renda e reduzem o risco de endividamento.
O que muda na prática para o trabalhador

As novas regras inauguram uma nova fase do Crédito do Trabalhador ao ampliar as garantias disponíveis para os bancos e limitar os juros das operações.
Na avaliação do governo, a combinação entre desconto em folha, uso parcial do FGTS como garantia e maior concorrência entre instituições financeiras tende a tornar o crédito consignado privado mais barato e acessível.
Ao mesmo tempo, especialistas reforçam que a decisão de contratar um empréstimo deve ser tomada com planejamento, considerando tanto as vantagens das taxas reduzidas quanto o impacto da utilização do FGTS como garantia da operação.
Conclusão
As novas regras do Crédito do Trabalhador representam uma tentativa do governo de tornar o empréstimo consignado privado mais acessível, combinando o uso do FGTS como garantia com limites para as taxas de juros. A expectativa é ampliar a concorrência entre os bancos e oferecer condições mais vantajosas aos trabalhadores com carteira assinada. Ainda assim, antes de contratar, é fundamental comparar as propostas disponíveis, analisar o Custo Efetivo Total (CET) e avaliar se o financiamento realmente cabe no orçamento, evitando comprometer recursos importantes do FGTS no futuro.
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